Líderes da indústria e especialistas financeiros emitiram uma repreensão contundente às Propostas de Regulamentos de Gestão de Fluxos de Capital de 2026 do Tesouro Nacional da África do Sul, apelidando a proposta de um retrocesso que espelha os controlos económicos da era do apartheid.
Principais conclusões:
Uma proposta controversa do Tesouro Nacional da África do Sul para remodelar os regulamentos de fluxos de capitais desencadeou uma forte reação negativa por parte de líderes da indústria financeira, que alertam que a medida poderá criminalizar a posse rotineira de ativos digitais e provocar a fuga em massa do investimento tecnológico.
Em submissões formais recentes, críticos das propostas — incluindo Steven Sidley, um comentador financeiro proeminente e professor de prática na JBS da Universidade de Joanesburgo, e Farzam Ehsani, CEO da VALR, a maior bolsa de criptomoeda da África do Sul — caracterizaram a Proposta de Regulamentos de Gestão de Fluxos de Capital de 2026 como um recuo alarmante dos objetivos de liberalização do país.
O projeto constitui a primeira substituição em grande escala do quadro de controlo de câmbio da África do Sul em mais de 60 anos. No entanto, os críticos argumentam que a arquitetura é fundamentalmente falha, procurando controlar tecnologia descentralizada usando os mesmos princípios concebidos para a economia de taxa de câmbio fixa de 1961.
“Os regulamentos tratam a cripto como um problema a ser controlado em vez de uma tecnologia a ser integrada de forma responsável”, observou Sidley, apontando que economias pares como a Nigéria e o Brasil já se afastaram de posições tão restritivas.
Ehsani fez eco deste sentimento, chamando o documento de “alarmante” e sublinhando que contradiz uma década de diálogo positivo entre a indústria e o Grupo de Trabalho Intergovernamental sobre FinTech. Referiu a visão de líderes falecidos como Nelson Mandela e Tito Mboweni, que defenderam ambos a eliminação gradual, a prazo, dos controlos de câmbio.
“Por que é que insistimos em preservar estas políticas destrutivas à custa do nosso crescimento económico?”, perguntou Ehsani.
As disposições mais controversas envolvem declarações obrigatórias e poderes de aplicação alargados. Por exemplo, ao abrigo do Regulamento 8, o Estado poderia impor a “cedência compulsória” de criptoativos, obrigando os detentores a vender os seus ativos em rand sul-africano à taxa de mercado.
O CEO da VALR alertou que o Regulamento 4 concede poderes amplos aos agentes de aplicação para procurar e apreender ativos. “Presumivelmente, isto incluiria procurar no seu telemóvel aplicações relacionadas com cripto em todos os aeroportos e pontos de saída”, disse.
Conforme noticiado pelo Bitcoin.com News, contrariar estes regulamentos pode resultar numa multa de $60,480 (1 milhão de rand) e até cinco anos de prisão.
Uma grande objeção processual por parte de muitos líderes da indústria é a falta de transparência relativamente ao “limiar determinado”. O projeto atual não especifica os montantes que despoletam estas regras, optando em vez disso por remeter essa decisão para o critério discricionário unilateral do ministro.
Ehsani levantou igualmente preocupações quanto à falta de “agnosticismo tecnológico” no projeto. Questionou a lógica das definições do enquadramento: “Se todos os criptoativos forem considerados ativos estrangeiros, e quanto aos stablecoins em rand sul-africano? Estes ativos sul-africanos seriam categorizados como ativos estrangeiros simplesmente porque existem numa blockchain?”
As observações tanto de Ehsani como de Sidley destacam poderes sem precedentes concedidos a funcionários de fronteira que são virtualmente inexistentes noutros países do Grupo dos 20. Especialistas da indústria sugerem que isto poderia levar a avisos de viagem internacionais, dissuadindo empresários de tecnologia e os “nómadas digitais” de entrarem no país.
Desde a sua divulgação, o projeto tem suscitado oposição por parte de intervenientes da indústria das criptomoedas e, segundo consta, de figuras influentes ligadas ao partido no poder na África do Sul. Há também indicações de que algumas pessoas tencionam criar uma fundação para contestar formalmente os regulamentos.
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