A polícia sul-coreana planeja estabelecer novas diretrizes para a apreensão de ativos virtuais, incluindo pela primeira vez a gestão de moedas de privacidade e carteiras de software, além de planejar um mecanismo de custódia privada, em resposta ao incidente de vulnerabilidade de 320 BTC.
A Polícia Nacional da Coreia (KNPA) está a elaborar novas orientações para a gestão de apreensão de ativos virtuais, que incluirão pela primeira vez o tratamento de moedas de privacidade. Segundo a mídia sul-coreana 《Asia Economy》, o projeto de lei já está em fase de rascunho, e a gestão de carteiras de software foi oficialmente incorporada às normas, como uma base importante para futuras apreensões e armazenamento de ativos criptográficos com maior anonimato. Essa ação reflete também o esforço das autoridades sul-coreanas em reforçar o sistema de gestão de ativos digitais após a recente vulnerabilidade na custódia de ativos.
De acordo com 《Asia Economy》, anteriormente a polícia geralmente utilizava carteiras de hardware (cold wallets) para guardar os ativos virtuais apreendidos, mas esse método muitas vezes não é adequado para moedas de privacidade. Como algumas moedas de privacidade exigem instalação de software especializado em computadores ou servidores, e a criação de carteiras dentro do programa, suas chaves privadas são normalmente armazenadas em arquivos ou strings, e não apenas geridas por dispositivos físicos, o que difere do manejo de ativos tradicionais como o Bitcoin. A reportagem aponta que, devido à falta de regulamentação clara, os agentes operavam quase sem normas formais ao lidar com carteiras de software, aumentando o risco de confusão prática e vulnerabilidades.
Além disso, as moedas de privacidade, por sua capacidade de ocultar informações das transações e valores, são há muito consideradas mais suscetíveis a uso criminoso e lavagem de dinheiro. Casos de crimes sexuais na “Casa N” na Coreia do Sul, bem como atividades de lavagem de dinheiro com criptomoedas relacionadas à Coreia do Norte, demonstram o foco na anonimidade desses ativos. Essa é uma das razões pelas quais as autoridades estão a incluir a gestão de moedas de privacidade nas novas diretrizes.
Segundo o relatório, considerando o preço de mercado de 17 de janeiro, as autoridades sul-coreanas apreenderam ativos virtuais no valor total de aproximadamente 54,5 bilhões de won nos últimos cinco anos, com casos já julgados. Destes, cerca de 50,7 bilhões de won eram de Bitcoin e aproximadamente 1,8 bilhão de won de Ethereum. Essa estimativa baseia-se apenas em casos com processos judiciais concluídos; se incluir situações em que suspeitos se recusaram a fornecer senhas de carteiras, o valor total apreendido pode ser maior. Além disso, devido à alta volatilidade dos preços de criptomoedas, a avaliação pode variar significativamente ao longo do tempo.
A polícia sul-coreana admitiu que o modo de conduzir investigações mudou. Antes, as provas físicas eram guardadas em armazéns, mas agora é necessário gerenciar endereços de carteiras e chaves privadas. Isso significa que os ativos virtuais representam não apenas uma nova fonte de receita ilícita, mas também estão forçando o sistema de aplicação da lei a estabelecer um processo completo de apreensão, armazenamento e custódia.
Além de ajustar as diretrizes, a polícia sul-coreana planeja concluir a seleção de uma empresa de custódia privada até o primeiro semestre de 2026. Em 2025, a polícia tentou três vezes licitar uma empresa externa para gerenciar a custódia de ativos apreendidos, mas todas as licitações fracassaram, devido ao tamanho reduzido das empresas candidatas, falta de estabilidade e orçamento insuficiente. Segundo o relatório, o orçamento atual destinado a essa finalidade é de apenas 8,3 milhões de won (cerca de 55 mil dólares), o que é claramente insuficiente considerando os riscos envolvidos.
Especialistas citados pela mídia sugerem que, se diferentes departamentos policiais gerenciarem carteiras e frases-semente de forma dispersa, podem surgir vulnerabilidades de controle. Recomenda-se que o governo crie um mecanismo de custódia pública mais centralizado e profissionalizado, para que ativos de alto risco sejam geridos por instituições especializadas, reduzindo erros internos e riscos de segurança.
A aceleração na elaboração das diretrizes de apreensão também está relacionada a uma recente vulnerabilidade na custódia de Bitcoin pelo governo. Em 23 de janeiro, o Procurador-Geral de Gwangju descobriu, durante inspeção de rotina, que cerca de 320 BTC apreendidos em agosto de 2025 estavam desaparecidos. Posteriormente, em 19 de fevereiro, o Ministério Público informou que esses bitcoins haviam sido devolvidos por hackers desconhecidos. Em 10 de março, o órgão anunciou que os ativos haviam sido vendidos e aproximadamente 31,59 bilhões de won foram entregues ao tesouro nacional.
Esse incidente evidencia que, ao gerenciar ativos virtuais, o governo enfrenta não apenas a volatilidade de preços, mas também riscos de segurança e controle interno superiores aos de provas físicas tradicionais. A proposta de novas regras pela polícia não é apenas uma melhoria técnica, mas uma resposta à crescente escala de apreensões, buscando estabelecer uma estrutura de governança mais adequada à era digital.
A iniciativa da polícia sul-coreana de criar novas diretrizes para a apreensão de ativos virtuais, incluindo moedas de privacidade e carteiras de software, indica uma mudança de paradigma do gerenciamento de provas físicas para a segurança e gestão de ativos digitais. Se a seleção de uma instituição de custódia privada for bem-sucedida, o país poderá avançar para um modelo mais centralizado e institucionalizado de armazenamento de criptomoedas. Para o mercado, isso não representa apenas uma adaptação do sistema de aplicação da lei na Coreia, mas também um sinal de que governos ao redor do mundo estão cada vez mais conscientes de que, após as criptomoedas se tornarem uma fonte comum de receita e prova de crimes, “como garantir sua segurança” tornou-se uma questão tão importante quanto “como apreendê-las”.