O Presidente Trump afirmou no dia 16, na Casa Branca, aos meios de comunicação que o Federal Reserve (Fed) deveria convocar imediatamente uma “reunião especial” para cortar as taxas de juros, enfatizando que agora é o momento de agir, embora não tenha especificado quanto gostaria que as taxas fossem reduzidas. O Wall Street Journal citou Trump dizendo que acredita que o Federal Reserve não deveria esperar até a próxima reunião agendada para tratar da questão das taxas, e voltou a criticar o presidente do Fed, Jerome Powell, por não agir com mais rapidez.
Trump voltou a pressionar o Fed para reduzir as taxas. Essas declarações ocorreram na véspera da reunião de março do Fed, destacando novamente as divergências entre a Casa Branca e o banco central na política monetária, além de aumentar as expectativas do mercado sobre a direção das taxas nos EUA e a independência do Fed.
“Há alguma oportunidade melhor para cortar as taxas do que agora? Até um estudante do terceiro ano saberia disso.” Trump acrescentou.
🇺🇸 PRESIDENTE TRUMP ACABOU DE DIZER
“O Fed deveria realizar uma reunião especial para cortar as taxas de juros agora mesmo.”
“Qual seria um momento melhor para cortar as taxas do que agora? Um estudante de terceira série saberia disso.” pic.twitter.com/lXpSbYYJWQ
— Ash Crypto (@AshCrypto) 16 de março de 2026
Essa não é a primeira vez que Trump pede publicamente por uma redução das taxas recentemente. Na semana passada, na sua rede Truth Social, Trump afirmou que o presidente do Fed, “deveria reduzir as taxas imediatamente”, e posteriormente voltou a pedir por cortes. Em janeiro, ele já defendia que as taxas nos EUA deveriam ser “significativamente reduzidas” e se tornarem as “mais baixas do mundo”, dizendo que Powell “está atrasado” e que manter as altas taxas “está prejudicando nosso país e nossa segurança nacional”.
Trump defende a redução das taxas para diminuir o custo de pagamento da enorme dívida pública de 39 trilhões de dólares, estimular o crescimento econômico, o mercado imobiliário e as ações. Taxas mais baixas também podem incentivar investidores a migrar para ativos de maior risco, como ações e criptomoedas. Custos de empréstimo menores aumentariam a liquidez do mercado, levando mais fundos a ativos especulativos.
Mercado aposta que não haverá corte nesta semana
O Federal Reserve iniciará nesta semana uma reunião de dois dias em março, com decisão de taxa prevista para a madrugada de quinta-feira (19). Apesar das declarações contundentes de Trump, as expectativas do mercado de uma redução de juros nesta semana permanecem muito baixas. Dados dos contratos futuros de taxa de juros do CME indicam que os operadores atualmente veem uma probabilidade de 99% de que o Fed mantenha as taxas entre 3,50% e 3,75% nesta reunião. Para a próxima reunião em 29 de abril, a chance de manter as taxas também é de 97%.
Ou seja, embora haja pressão política por ação imediata, o mercado financeiro acredita que os decisores preferem manter uma postura de observação, ao invés de agir precipitadamente com um corte de juros.
Preços do petróleo e riscos de inflação dificultam o afrouxamento do Fed
Um dos principais motivos pelos quais o Fed reluta em cortar as taxas é a incerteza quanto às perspectivas de inflação. Em fevereiro, a inflação nos EUA ficou em 2,4%, estável em relação ao mês anterior, mas o mercado espera que a inflação possa subir em março. Nesse contexto, uma política de afrouxamento precoce poderia reavivar o risco de inflação voltar a subir.
Além disso, o conflito entre Irã e EUA elevou os preços do petróleo, aumentando os custos de combustível e transporte, o que pode se refletir na cadeia de suprimentos, elevando preços de alimentos e outros bens. Isso significa que o Fed não só não tem motivos para cortar as taxas imediatamente, como também precisa estar atento ao risco de os preços de energia voltarem a pressionar a inflação geral.
O mercado está atento para saber se as declarações políticas de Trump influenciarão o sinal oficial do Fed nesta semana. No entanto, a expectativa predominante é de que o Fed mantenha as taxas inalteradas, sem convocar uma reunião especial de emergência. Uma análise da Reuters aponta que, devido ao aumento dos preços de energia por causa do conflito no Irã, ao risco de inflação persistente e ao fato de a economia americana estar desacelerando, mas sem deterioração acentuada, os investidores esperam que o Fed mantenha as taxas nesta reunião.
As declarações de Trump também reacendem a questão da independência do Fed. Recentemente, um juiz federal de Washington bloqueou uma intimação do Departamento de Justiça contra Powell, alegando que a investigação tinha forte conotação política. Essa questão, relacionada às posições de Powell na política de taxas, aumenta a atenção sobre possíveis pressões políticas do governo contra o banco central, o que pode afetar a confiança do mercado na independência do Fed.
O mercado de criptomoedas observa: não cortar juros nem sempre é ruim
Para os ativos digitais, a redução de juros costuma ser vista como positiva, pois taxas mais baixas e maior liquidez favorecem o fluxo de capital para ações e criptomoedas, ativos de maior risco. Taxas menores geralmente aumentam a liquidez do mercado e a disposição dos investidores de alocar recursos em ativos de risco.
Porém, os traders já assimilaram a expectativa de que este ano pode não haver cortes de juros. Assim, embora o alto preço do petróleo torne as perspectivas de inflação mais complexas, isso também significa que o mercado de criptomoedas pode não sofrer uma pressão adicional de queda por causa da ausência de corte de juros em si. No momento, o Fed provavelmente preferirá aguardar uma maior clareza na situação, ao invés de responder rapidamente às pressões políticas.
Para os participantes do mercado de criptomoedas, o que realmente importa agora não é apenas se o Fed manterá as taxas inalteradas nesta semana, mas se suas declarações, projeções e o discurso do presidente indicarão alguma mudança na política nos próximos meses. Essas mensagens terão impacto mais direto na trajetória do Bitcoin e de outros ativos de risco do que as declarações de Trump em si.