23 de fevereiro de 2026, a Agência de Alfândegas e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos publicou um breve aviso: a partir das 00h01, horário de Nova Iorque, cessará a cobrança de todas as tarifas aduaneiras impostas com base na Lei de Poderes de Emergência Econômica Internacional. A notícia chegou à comunidade de criptomoedas, e muitos respiraram aliviados. A Suprema Corte finalmente interveio, suspendendo as “tarifas ilegais” de Trump, e o mercado deveria reagir de forma positiva, certo? Mas a realidade é que o Bitcoin ainda está a cair. Até às 11h00 de hoje, horário de Lisboa, o preço do Bitcoin estava em 64.800 dólares, uma queda de 4,8% nas últimas 24 horas, chegando a aproximar-se dos 64.300 dólares, atingindo o nível mais baixo desde 6 de fevereiro. Por que, com “boa notícia”, as moedas não subiram? A resposta está escondida noutra notícia: ao mesmo tempo em que a alfândega anunciou a suspensão da cobrança de tarifas ilegais, Trump, com base em outra lei, autorizou uma nova tarifa de 15% sobre bens globais, que entrará em vigor exatamente no mesmo dia — 24 de fevereiro às 00h01.
Fonte: Pars Todays
Duas notícias, duas direções
Para entender o que aconteceu, é preciso ligar as últimas três dias de notícias. Em 20 de fevereiro, a Suprema Corte dos EUA decidiu por 6 a 3 que as medidas tarifárias em grande escala de Trump, baseadas na Lei de Poderes de Emergência Econômica Internacional, careciam de autorização legal clara, sendo uma ação além de suas competências. No mesmo dia, Trump assinou uma nova ordem executiva, com base no Artigo 122 da Lei de Comércio de 1974, anunciando uma tarifa de 10% sobre bens globais, por 150 dias. Em 21 de fevereiro, Trump aumentou a tarifa para 15%. Em 23 de fevereiro, a alfândega anunciou a suspensão das tarifas consideradas ilegais pela Suprema Corte, mas confirmou que a nova tarifa de 15% de Trump entraria em vigor no dia seguinte, 24 de fevereiro. Portanto, a verdadeira mensagem desta notícia é: uma parte das tarifas foi considerada ilegal pelo tribunal, mas outra parte continua válida e entrará em vigor amanhã. Isto não é uma notícia positiva, mas sim o último momento antes de uma possível queda.
Contas confusas de 175 bilhões de dólares
A suspensão da cobrança não afetou apenas uma política, mas também uma quantia enorme de dinheiro. Segundo estimativas do economista do Wharton Budget Model, da Universidade da Pensilvânia, as tarifas de Trump, baseadas na Lei de Poderes de Emergência Econômica Internacional, totalizaram mais de 175 bilhões de dólares. Até 21 de fevereiro, centenas de empresas, incluindo o grande retalhista Costco, entraram com ações judiciais pedindo a devolução dos valores pagos em tarifas anteriormente. Essa quantia será devolvida? A resposta de Trump foi: “Nos próximos cinco anos, estaremos no tribunal.” Para o mercado de criptomoedas, esse dinheiro não retornará em curto prazo nem se tornará liquidez. O “bom news” que o mercado esperava é apenas o começo de um longo processo judicial.
US$ 60.000, o ponto de atenção de todos
Hoje de manhã, o Bitcoin chegou a cair abaixo do suporte de 65 mil dólares. A analista da BTC Markets, Rachael Lucas, foi direta: se o preço romper claramente os 65 mil, os 60 mil dólares entrarão na mira; se subir, os touros precisarão levar o preço a 70 mil dólares para inverter a narrativa do mercado. Caroline Mauron, cofundadora da Orbit Markets, destacou que o mercado de criptomoedas ainda está frágil, e os participantes esperam pelo suporte de 60 mil dólares. Desde a tensão geopolítica no Irã até as oscilações na política tarifária dos EUA, a incerteza macroeconômica está pressionando o mercado. Ainda mais preocupante, o índice “Whale Ratio” das exchanges, do CryptoQuant, subiu para 0,64, atingindo o maior nível desde 2015. Isso significa que quase dois terços do Bitcoin que entram nas exchanges vêm de operações dos maiores detentores, os “baleias”. Quem está liderando essa queda não são os investidores de varejo em pânico, mas grandes fundos que agiram antecipadamente.
Menos de 6 horas restantes, três coisas que você precisa saber
Faltam menos de 6 horas para as 00h01 de 24 de fevereiro. Primeira, a nova tarifa é certa. A tarifa global de 15%, baseada na Lei de Comércio de 1974, entrará em vigor amanhã de madrugada, por 150 dias. Não é uma possibilidade, é uma certeza. Segunda, o reembolso das tarifas ilegais será um processo longo. Os 175 bilhões de dólares em reembolsos vão exigir pelo menos cinco anos de batalhas judiciais. No curto prazo, o mercado não deve esperar “surpresas financeiras”. Terceira, os 60 mil dólares representam a última linha de defesa. A maioria dos analistas acredita que, se o preço cair abaixo desse nível, o próximo alvo será 55 mil dólares. Embora ativos tradicionais de refúgio, como ouro e prata, estejam em alta — o ouro futuro subiu quase 2%, para 5.180 dólares, e a prata aumentou 5,7% —, o Bitcoin, desta vez, não seguiu a narrativa de “refúgio”, mas sim a lógica de “ativo de risco”.
Conclusão
Às 00h01 de 24 de fevereiro, a nova tarifa entra em vigor. Até lá, a notícia de que as tarifas ilegais foram suspensas já se concretizou, assim como a imposição da nova tarifa. Como o mercado irá reagir, ninguém pode prever com certeza. Mas uma coisa é certa: nos últimos 72 horas, Trump, usando duas leis, duas ordens executivas e uma alta de tarifa, realizou uma troca “sem costura” na política tarifária. O tribunal cortou sua perna esquerda, mas ele se levantou com a perna direita. Para quem possui Bitcoin, os próximos horas devem ser de atenção ao nível de 60 mil dólares. Não é uma linha de vela (K-line), mas uma porta. Do lado de dentro, há volatilidade; do lado de fora, o desconhecido.
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