Em meio ao aumento simultâneo das tensões comerciais globais e dos riscos geopolíticos no Médio Oriente, o mercado de criptomoedas voltou a pressionar-se. O Bitcoin (BTC) caiu mais de 5% na terça-feira, quebrando a barreira de 63.000 dólares, atingindo um mínimo de 62.964,64 dólares, indicando uma rápida intensificação do sentimento de proteção.
Análises de mercado apontam que esta correção não é uma crise sistémica exclusiva das criptomoedas, mas sim uma típica “redefinição de humor de risco”. No entanto, com o ambiente de liquidez a apertar e o aumento de variáveis políticas globais, a alta sensibilidade dos ativos digitais às mudanças macroeconómicas volta a ser um foco.
Tensões comerciais e no Médio Oriente pressionam o Bitcoin abaixo de 63.000 dólares
O BTC chegou a tocar 62.964,64 dólares na terça-feira, com uma queda diária superior a 5%, rompendo a marca de 63.000 dólares. Esta queda ocorre num momento em que o mercado está a digerir o aumento das tensões comerciais e riscos geopolíticos, com investidores a reduzirem a exposição a ativos de risco.
Christopher Hamilton, diretor de soluções de investimento para clientes da Invesco na Ásia-Pacífico (exceto Japão), afirmou que a recente baixa do Bitcoin “não parece ser uma consequência de impacto próprio do mercado de criptomoedas, mas sim uma típica redefinição de humor de risco”. Ele acrescentou que provavelmente se trata de uma “desfazer tático de risco”, e não de uma saída estrutural de fundos. Em outras palavras, o mercado está a ajustar posições, sem negar o valor de longo prazo dos ativos digitais.
Trump decide em 10 dias se atacará o Irã, mercado fica tenso
No plano macroeconómico, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na semana passada que decidirá “em cerca de 10 dias” se lançará um ataque militar contra o Irã, devido à recusa do país em aceitar o novo acordo nuclear. Essas declarações aumentaram rapidamente as preocupações com uma escalada na região do Médio Oriente.
Depois, os EUA continuaram a deslocar ativos militares para a região, elevando ainda mais o risco geopolítico. Num contexto de mercados globais já pressionados por políticas comerciais e tarifas, a incerteza militar adicional sem dúvida aumenta a volatilidade dos mercados de capitais.
Quando os mercados financeiros começam a temer que as políticas comerciais possam apertar as condições financeiras globais, os ativos de risco tendem a ser os primeiros a sofrer, e o Bitcoin demonstra novamente sua alta sensibilidade à liquidez macroeconómica.
De 125.000 dólares a uma queda de 27% no ano
Na verdade, a correção do Bitcoin não começou esta semana. Desde que ultrapassou o pico de 125.000 dólares em outubro do ano passado, o mercado tem enfrentado uma pressão de venda significativa. A tendência de baixa continuou este ano, acumulando uma queda de 27%; em relação ao pico de outubro, a retração já é de 50%.
Esta correção de vários meses mostra que o mercado está a arrefecer do otimismo extremo anterior. Alguns investidores estão a mover fundos para dinheiro em espécie ou outros ativos defensivos, para se protegerem de potenciais choques políticos e geopolíticos.
Billy Leung, estratega de investimentos da Global X Australia, afirmou: “Mais importante ainda, o Bitcoin ainda depende muito do ambiente de liquidez global. Se o mercado acreditar que as políticas comerciais estão a apertar as condições financeiras, o mercado de criptomoedas será o primeiro a sentir o impacto.”
Este comentário destaca a questão central — embora alguns apoiantes vejam o Bitcoin como uma “ouro digital”, na prática, ele ainda se comporta mais como um ativo de risco altamente volátil.
Ouro e Ethereum também caem, ativos de proteção não se beneficiam totalmente
É importante notar que os ativos tradicionais de proteção, como o ouro, também não escaparam totalmente. A prata à vista caiu cerca de 1% na terça-feira, cotada a 5.171,87 dólares por onça. Isso indica que, mesmo em meio a tensões geopolíticas, o mercado ainda realiza lucros ou enfrenta pressão de liquidez.
Por outro lado, a segunda maior criptomoeda, o ETH, também caiu mais de 1%, cotada a 1.831,52 dólares. Isso mostra que o sentimento geral do mercado de criptomoedas está fraco, e não se trata de um evento isolado de uma moeda específica.
A liquidez macroeconómica torna-se uma variável-chave, e o mercado de criptomoedas entra numa fase sensível
Analisando a situação atual, a queda do Bitcoin nesta rodada não foi causada por riscos específicos na cadeia ou eventos regulatórios súbitos, mas sim por fatores macroeconómicos. A incerteza nas políticas tarifárias, os riscos militares no Médio Oriente e a possível restrição da liquidez global estão a moldar a mudança na preferência de risco do mercado.
No curto prazo, se o Bitcoin conseguirá recuperar e manter-se acima de 63.000 dólares dependerá da redução dos riscos geopolíticos e da melhoria nas expectativas sobre as condições financeiras. Se o sentimento de risco global continuar a diminuir, o mercado de criptomoedas pode ainda enfrentar maior volatilidade.
Por outro lado, se esta onda for realmente uma “desfazer tático de risco”, e não uma saída estrutural de fundos, então, após a clarificação do ambiente macroeconómico, o capital poderá voltar a fluir.
Este artigo Bitcoin quebra 63.000 dólares! Tensões comerciais e geopolíticas elevam vendas, já caindo 27% este ano, foi publicado originalmente pela Chain News ABMedia.
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