6 de março de 2024 - As legislações de regulamentação de criptomoedas nos EUA voltaram a ser o centro das atenções do mercado. O CEO da Ripple, Brad Garlinghouse, publicou recentemente nas redes sociais, apoiando a posição firme do presidente Donald Trump em relação ao projeto de lei “Clarity” e pedindo ao Congresso que avance rapidamente na sua aprovação. Esta legislação é vista como uma medida importante para estabelecer um quadro regulatório claro para ativos digitais, mas atualmente encontra impasse devido a controvérsias sobre os termos das stablecoins.
Garlinghouse afirmou que Trump enviou um “sinal muito claro” aos legisladores que atrasam o progresso do projeto de lei. Ele acredita que o “Clarity” não só é crucial para o desenvolvimento do setor de criptomoedas, mas também para a competitividade global dos EUA na inovação em ativos digitais. Alguns analistas também consideram que, se o quadro regulatório for definido, a incerteza no mercado de criptomoedas diminuirá significativamente.
A principal controvérsia atualmente gira em torno do modelo de rendimento das stablecoins. Anteriormente, a lei “Genius Act”, aprovada nos EUA, proibiu o pagamento de juros diretamente aos detentores de stablecoins, mas algumas empresas de criptomoedas oferecem retornos por meio de programas de recompensas, uma prática vista pelos bancos tradicionais como uma brecha regulatória. Os grupos de lobby bancário desejam que o “Clarity” inclua restrições mais rigorosas para evitar que produtos de stablecoin atraiam grandes depósitos que possam sair do sistema bancário.
Instituições financeiras alertam que, se o mecanismo de rendimento das stablecoins continuar, os fundos poderão migrar do sistema bancário tradicional para o mercado de ativos digitais. Algumas pesquisas estimam que, até 2028, a saída de depósitos bancários pode atingir US$ 500 bilhões. Em resposta, alguns executivos bancários sugerem que, se as empresas de criptomoedas quiserem oferecer retornos semelhantes a juros aos usuários, deverão cumprir os mesmos requisitos regulatórios aplicados aos bancos.
O objetivo central do “Clarity” é estabelecer um padrão de classificação para ativos digitais. Segundo o rascunho, os criptoativos serão classificados como commodities ou valores mobiliários com base no princípio de “descentralização suficiente”. Se uma rede blockchain não for mais controlada por uma única entidade na governança e emissão, seus tokens podem ser considerados commodities e regulados pela Comissão de Comércio de Futuros de Commodities dos EUA (CFTC).
A incerteza regulatória já tem impactado o sentimento do mercado. Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, afirmou que o atraso na legislação é uma das principais razões para a volatilidade recente do Bitcoin. Por outro lado, Garlinghouse acredita que, se o projeto de lei “Clarity” for aprovado sem obstáculos, a confiança do mercado poderá melhorar significativamente, e o Bitcoin pode atingir uma nova máxima histórica em 2026.
Atualmente, o projeto de lei ainda está na fase do Comitê Bancário do Senado. Até que haja um acordo entre o setor bancário e o setor de criptomoedas sobre os termos das stablecoins, o quadro regulatório para ativos digitais nos EUA continuará incerto.