Conhecido fabricante de servidores Super Micro Computer, SMCI, cofundador Yih-Shyan Liaw, gerente do escritório em Taiwan Rui-Tsang Chang e o contratante externo Ting-Wei Sun foram hoje acusados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos de suspeita de usar um método de transporte em múltiplas camadas para enviar ilegalmente para a China servidores de IA equipados com chips de alta performance da Nvidia (NVDA), num valor que chega a 2,5 bilhões de dólares, violando as políticas de exportação dos EUA.
Os Estados Unidos processaram altos executivos da Super Micro, o gerente de Taiwan e o contratante, dois foram presos e um está foragido.
De acordo com a queixa divulgada pelo Departamento de Justiça esta manhã, os três réus incluem o cofundador da Super Micro, Liaw, o gerente do escritório em Taiwan, Chang, e o intermediário Sun. Os três são acusados de violar a Lei de Reforma do Controle de Exportações, por supostamente ajudar a enviar servidores de IA sujeitos a restrições severas de exportação para a China.
A CNBC revelou que Liaw é cofundador e membro do conselho da Super Micro, possuindo ações avaliadas em 464 milhões de dólares.
Atualmente, Liaw e Sun foram presos, enquanto Chang ainda está foragido. Embora a Super Micro não tenha sido listada como ré, a empresa afirmou que irá cooperar com as investigações e tomou medidas como suspensão e rescisão de contratos com os três envolvidos. Após a notícia, as ações da Super Micro caíram quase 12% após o expediente.
Transporte em camadas, disfarce e falsificação: esquema de contrabando avaliado em 2,5 bilhões de dólares
A acusação aponta que os envolvidos usaram operações sofisticadas para evitar fiscalização, primeiro enviando servidores com GPUs Nvidia de alta performance dos EUA para Taiwan, depois transferindo para países do Sudeste Asiático, onde empresas intermediárias criaram documentos falsos para simular que os equipamentos permaneciam na região. Na prática, esses dispositivos foram reembalados e enviados para a China.
Para contornar a fiscalização, os envolvidos até forneceram “servidores falsos” para inspeção, removendo e trocando etiquetas e enganando os auditores para esconder o verdadeiro destino dos equipamentos.
A denúncia indica que, desde 2024, essas operações de contrabando geraram cerca de 2,5 bilhões de dólares em vendas para a Super Micro, sendo que, entre abril e maio de 2025, mais de 500 milhões de dólares em equipamentos foram enviados via Sudeste Asiático para a China.
Nvidia responde: continuará a cooperar com as regulações de exportação
A Reuters reportou que a Nvidia também emitiu uma declaração, reforçando seu compromisso de cumprir as leis de controle de exportação e fortalecer seus programas de conformidade:
“Transferir ilegalmente computadores americanos sujeitos a restrições para a China é uma ação que prejudica a todos. A Nvidia não fornece qualquer serviço ou suporte para esse tipo de sistema, e os mecanismos de fiscalização são rigorosos e eficazes.”
A escalada da tensão tecnológica entre EUA e China
Com o rápido desenvolvimento de aplicações de IA, a demanda por chips de alta performance da Nvidia aumentou significativamente. Os EUA vêm impondo restrições à exportação de chips avançados de IA para a China há anos, alegando proteger a segurança nacional e a vantagem tecnológica. Somente em julho e dezembro do ano passado, os EUA aliviaram parcialmente as restrições de exportação de alguns chips de IA, como o H20 e o H200 da Nvidia, permitindo sua venda para a China.
(Os EUA planejam controlar totalmente as exportações de chips de IA: vendas da Nvidia e AMD podem precisar de licença, levando a queda nas ações)
Sabe-se que, no final de 2024, o fundador de Liaw utilizou sua empresa no Sudeste Asiático para vender chips ainda mais avançados para a China, como o B200 baseado na arquitetura Blackwell da Nvidia. Atualmente, a rápida queda das ações da Super Micro após o expediente reflete a preocupação do mercado com riscos de conformidade e incertezas geopolíticas.
Este artigo, intitulado “Cofundador da Super Micro envolvido em contrabando de chips de IA Nvidia no valor de 2,5 bilhões de dólares para a China, com queda de 12% nas ações após o expediente”, foi originalmente publicado pelo Chain News ABMedia.