As conversas globais sobre clima ganharam grande impulso em 24 de abril de 2024, quando o chefe da Agência Internacional de Energia afirmou que as disrupções geopolíticas nos mercados de energia estão acelerando a transição para longe dos combustíveis fósseis. A Primeira Conferência Internacional sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis foi aberta em Santa Marta, Colômbia, reunindo governos que representam muitas das maiores economias do mundo para desenvolver um roteiro para eliminar gradualmente petróleo, gás e carvão.
Fatih Birol, chefe da Agência Internacional de Energia, afirmou em uma entrevista ao The Guardian que as recentes disrupções no fornecimento de petróleo e gás criaram consequências permanentes para os mercados globais de energia. Segundo Birol, essas interrupções de mercado e os consequentes picos de preços para energia e bens essenciais vão direcionar os países para fontes de energia renováveis e mais seguras. O New York Times descreveu a IEA como “enormemente influente” nos planos de energia de longo prazo de empresas e investidores em todo o mundo.
As declarações de Birol chamaram atenção diante da oposição do atual governo dos EUA às posições da IEA. Chris Wright, o secretário de energia dos EUA, exigiu que a IEA parasse de publicar seu relatório anual sobre como os países poderiam eliminar as emissões de gases que aquecem o planeta até 2050. Os EUA fornecem aproximadamente 14% do orçamento anual da IEA.
A conferência de Santa Marta, co-patrocinada pelos Países Baixos, inclui governos representando 10 dos 13 maiores economias globais: Alemanha, Reino Unido, Califórnia, França, Itália, Brasil, Canadá, Espanha, México e Austrália. De acordo com os organizadores da conferência, a produção econômica conjunta dessas nações supera a dos EUA e é o dobro da da China. O encontro também inclui centenas de acadêmicos, ativistas do clima e do trabalho, líderes empresariais e representantes de povos indígenas.
Irene Velez Torres, ministra do meio ambiente da Colômbia, afirmou que a conferência representa “um alinhamento que está pronto para agir” após anos de vetos de petrostados contra a discussão de saídas gradativas de combustíveis fósseis em cúpulas de clima da ONU.
A conferência incorpora uma abordagem de políticas baseada em ciência. Johan Rockstrom, do Potsdam Institute for Climate Impacts Research na Alemanha, e Carlos Nobre, um cientista sênior do National Institute of Amazonian Research no Brasil, reuniram um painel de cientistas para assessorar governos sobre políticas eficazes para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis. Rockstrom observou que “uma massa crítica de 30 países [is] que já estão desacelerando o carbono de suas economias, mostrando que isso pode ser feito.”
A conferência de Santa Marta termina em 29 de abril de 2024. Uma conferência de acompanhamento para refinar os planos de implementação está agendada para mais tarde em 2024. Os resultados da conferência vão informar as discussões na próxima cúpula de clima da ONU na Turquia em novembro de 2024.
A abordagem reflete lições do Acordo de Paris de 2015, quando os países prometeram limitar o aumento da temperatura global para “bem abaixo” de 2 graus Celsius e mirar em 1,5°C. De acordo com o artigo, as mudanças de política resultantes levaram a projeções de emissões reduzidas de um aquecimento de 4°C para 2,7°C ao longo de cinco anos.