Wu Jihan e o seu império de mineradoras: como em 8 anos passou de zero a cem bilhões

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8 anos podem mudar alguma coisa? Para a maioria das pessoas, 8 anos podem ser apenas alguns passos na carreira. Mas para Wu Jihan, esses 8 anos transformaram-no de um analista de investimentos desconhecido num operador de criptomoedas, com um património na casa dos bilhões, numa verdadeira maravilha no mundo blockchain.

Formação académica e início na investimento

Nascido em Chongqing em 1986, Wu Jihan mostrou desde cedo um talento académico excecional. Estudou na Escola Secundária Nankai de Chongqing e seguiu para a Faculdade de Economia da Universidade de Pequim, formando-se em 2009 com duplo grau — Economia e Psicologia. Durante a universidade, leu extensivamente sobre teoria monetária, considerando Warren Buffett um ídolo, o que lhe deu uma base sólida para a sua intuição de investimento futura.

Após a graduação, entrou na indústria de capital de risco, como analista e gestor de investimentos. A sua formação e análise meticulosa fizeram dele um investigador profundo desde cedo. Essa rotina mudou a sua vida em 2011 — ao entrar em contacto com o Bitcoin, não agiu por impulso, mas com uma abordagem rigorosa de investidor de risco, comprando 900 BTC de uma só vez com 100 mil yuan. Essa decisão revelou-se visionária.

Chips de mineração: a chave do poder e da riqueza

Em 2013, o preço do Bitcoin atingia os 750 dólares, e os seus investimentos anteriores tinham multiplicado o valor. Com esse capital, nasceu uma nova ambição empresarial. Nesse mesmo ano, fundou com Jian Kaituan, um engenheiro de circuitos integrados do Instituto de Ciências Físicas da Academia Chinesa de Ciências, a Bitmain, uma empresa de tecnologia focada em chips personalizados.

Antes de fundar a Bitmain, Wu tinha investido na “Kao Mao”, uma startup de chips de Bitcoin. Foi uma aposta arriscada — se o desenvolvimento do chip falhasse, todo o capital investido se perderia. Felizmente, o gamble deu certo, e Wu obteve o seu primeiro retorno milionário. Essa experiência ensinou-lhe uma lição fundamental: quem controla a produção de chips de mineração controla a distribuição de poder computacional do Bitcoin.

Em novembro de 2013, a Bitmain lançou o AntMiner S1. Com o crescimento do Bitcoin, Wu e Jian melhoraram continuamente os produtos — do S2 ao S7 — tornando a Bitmain no maior fabricante mundial de hardware de mineração. No auge, a empresa tinha não só o produto flagship AntMiner, mas também controlava pools de mineração como AntPool e BTC.com, além de parcerias com pools terceiros como BTC.top e ViaBTC.

Até 2017, a Bitmain faturava cerca de 2,5 mil milhões de dólares por ano, aproximadamente 158 mil milhões de yuan. Nesse mesmo ano, Wu foi nomeado por Coindesk como uma das dez pessoas mais influentes no setor blockchain.

A ambição de 8MB: de teoria de escalabilidade a jogo de poder

Em maio de 2017, o preço do Bitcoin ultrapassou os 2000 dólares, e o aumento das transações na rede causou congestionamento, elevando as taxas e dificultando o desenvolvimento do setor. Wu acreditava que era necessário ampliar a rede.

Porém, a equipe Bitcoin Core defendia manter o limite de 1MB no tamanho do bloco, propondo soluções de segunda camada fora da cadeia para aumentar a capacidade. O conflito entre as posições tornou-se irreconciliável.

Wu recusou-se a ceder. Em 1 de agosto de 2017, a ViaBTC, apoiada pela Bitmain, anunciou uma hard fork, aumentando o limite de bloco de 1MB para 8MB, melhorando a eficiência da rede Bitcoin. Na mesma altura, a AntPool lançou a funcionalidade de troca de mineração entre BTC e BCH (Bitcoin Cash), permitindo aos utilizadores mudar facilmente de direção de mineração. Assim nasceu o Bitcoin Cash.

Esta decisão tornou Wu uma figura controversa na comunidade Bitcoin. Muitos não se opunham totalmente à expansão, mas rejeitavam a divisão. Wu foi rotulado de “traidor” ou “terrorista”, e a Coindesk chegou a chamá-lo de “vilão”. No entanto, no universo BCH, Wu chegou a ser uma figura de autoridade absoluta, podendo ditar regras e comandar.

O preço do poder: a divisão do império

O sucesso durou pouco. A partir do segundo semestre de 2018, com a queda do preço das criptomoedas e a entrada de concorrentes, a Bitmain enfrentou dificuldades. Ainda mais, divergências internas entre os fundadores emergiram.

Wu, com background financeiro, queria aprofundar os negócios de blockchain e finanças; Jian, com formação técnica, preferia focar em chips de IA. Essa disputa escalou em 2019 para uma luta de poder aberta. Wu revelou numa carta interna que a empresa tinha uma dívida de 300 milhões de dólares. Seguiu-se uma crise interna com despedimentos e caos organizacional.

Após uma série de disputas legais, demissões e batalhas por licenças, Wu e Jian chegaram a um acordo. Wu escreveu numa carta pública: “Como cofundador da Bitmain, desfrutei de 2815 dias nesta jornada.” Uma despedida ao tempo de empreendedorismo.

Renascimento: Bitdeer e novos começos

Em janeiro de 2021, Wu deixou os cargos de CEO e presidente da Bitmain. Na divisão, levou a pool de mineração Bitdeer e ativos de operações no estrangeiro, fundando a Bitdeer Group, onde é presidente. Jian comprou por 600 milhões de dólares as ações de Wu e outros fundadores, mantendo o controlo da Bitmain.

Depois de sair, Wu posicionou a Bitdeer como uma construtora de infraestrutura blockchain. Em 14 de abril de 2023, a empresa abriu o mercado na Nasdaq, com uma capitalização de cerca de 870 milhões de dólares. Em contrapartida, o Bitcoin Cash, que Wu ajudou a criar, perdeu destaque ao longo do tempo, mesmo durante a grande alta de 2021, revelando uma contradição interessante.

Reflexão sobre uma figura controversa

Hoje, a imagem de Wu Jihan depende do ponto de vista. Comparado com veteranos como Li Xiaolai ou Sun Yuchen, Wu, que não gosta de ostentar, parece mais um jovem génio da literatura online — talentoso, ambicioso, mas também teimoso e autoritário.

Desde a fundação do fórum Bibit, à tradução do white paper de Satoshi, à criação da Bitmain, ao impulso do setor blockchain, às divisões com BCH, Wu deixou marcas profundas na história das criptomoedas. Contribuiu com hardware eficiente, acelerou a mineração, promoveu a adoção da blockchain.

Por outro lado, sua teimosia trouxe controvérsia. Na divisão do BCH, foi criticado por dispersar o poder de mineração, afastando-se do espírito de Satoshi. Essas opiniões podem ter razão, e a verdadeira face de Wu talvez esteja entre esses extremos — um evangelista do blockchain, mas também um jogador de poder.

De um empreendedor sem recursos a um bilionário, de analista desconhecido a líder do setor, Wu Jihan conquistou em 8 anos uma trajetória que poucos conseguem imaginar. Os riscos, oportunidades, escolhas e custos dessa jornada compõem um capítulo complexo e fascinante na história das criptomoedas.

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