Paul Tudor Jones vê a única saída: a inflação é inevitável, aposta no Bitcoin e no ouro

Conhecido gestor de fundos de hedge, Paul Tudor Jones, revelou numa entrevista recente a sua visão sobre a atual situação financeira, afirmando que um cenário inflacionista é inevitável. Na sua opinião, a economia não tem alternativas, além de passar por um período de inflação que será a saída da crise da dívida.

Crise da dívida nos EUA: por que a inflação parece inevitável

Paul Tudor Jones destacou que a dívida pública dos EUA está numa trajetória criticamente insustentável. Nos últimos 25 anos, subiu de 40% do PIB para quase 100%, indicando uma aceleração no acumular de obrigações. O economista sublinhou que, nas condições atuais, os políticos têm um conjunto muito limitado de ferramentas.

As promessas pré-eleitorais de ambos os candidatos — gastos adicionais e redução de impostos — só vão agravar o problema. Jones alertou que, sem medidas radicais de corte de despesas, o país enfrentará um rápido esgotamento financeiro. O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, também reconheceu a inviabilidade da trajetória atual da dívida pública.

Estratégia de investimento de Paul Tudor Jones: abandono dos títulos

Na entrevista, ele deixou clara a sua posição nos mercados financeiros. Jones mantém posições longas em ouro e Bitcoin, ao mesmo tempo que abre posições curtas contra títulos de renda fixa, especialmente com prazos de maturidade longos. Essa abordagem reflete a sua confiança num cenário inflacionista.

A sua posição ressoa com as previsões de outro investidor lendário, Stanley Druckenmiller, que também recentemente revelou posições contra os títulos do governo. Ambos veem na crise da dívida dos EUA uma ameaça real ao valor dos instrumentos financeiros tradicionais.

Bitcoin, ouro e commodities: carteira recomendada

Jones propôs uma fórmula concreta de proteção de capital em cenário inflacionista. A carteira deve incluir uma cesta de quatro componentes: ouro, Bitcoin, commodities e ações do Nasdaq. Títulos de renda fixa estão sob ameaça neste cenário e devem ser excluídos da carteira.

Na sua opinião, essa estrutura permitirá aos investidores protegerem as suas poupanças da erosão do valor. O Federal Reserve deverá adotar uma política monetária “suave”, mantendo as taxas nominais abaixo da inflação, o que garantirá um crescimento económico real acima do nível inflacionário.

Bitcoin a $68.58K: luta pela marca de $70.000

No momento da análise, o Bitcoin oscilava em torno de $68.580, aproximando-se temporariamente do patamar psicológico de $70.000, mas sem consolidar acima desse nível. A tentativa de romper a resistência chave foi infrutífera, levando a uma correção para os valores atuais.

Este movimento de preço reflete a nervosismo do mercado em meio à incerteza macroeconómica. O preço do Bitcoin permanece sob pressão devido às condições globais instáveis, apesar do suporte teórico dos fatores macroeconómicos apontados por Paul Tudor Jones.

Altcoins superam o Bitcoin: retorno ao apetite pelo risco

Notavelmente, ativos cripto menos conhecidos, incluindo Ethereum, Solana, Cardano e Dogecoin, mostraram um crescimento mais expressivo do que o Bitcoin. Isso indica um retorno gradual do apetite dos investidores por ativos mais arriscados e uma transferência de capital para tokens com maior volatilidade e beta.

Este cenário sugere uma recuperação do otimismo, embora os analistas alertem para os riscos persistentes. A instabilidade macroeconómica, a estagnação na oferta de stablecoins e a possibilidade de liquidações em cascata abaixo de $60.000 tornam a perspetiva de médio prazo do mercado ambígua.

Conclusão: inflação como caminho para sair do impasse da dívida

Paul Tudor Jones formulou uma lógica simples, porém sombria: a única forma de lidar com a dívida pública dos EUA é inflacioná-la até ultrapassá-la pelo crescimento económico. Isso implica uma redução do valor real da dívida e uma redistribuição de riqueza dos credores para os devedores.

Segundo as suas recomendações, os investidores devem reavaliar os seus portfólios, afastando-se dos títulos tradicionais e diversificando em ouro, criptomoedas e ativos reais. O Bitcoin, neste contexto, é visto não como uma ferramenta especulativa, mas como uma proteção contra a desvalorização da moeda fiduciária.

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