Para os investidores de Hong Kong, o ouro tem sido sempre uma componente indispensável na alocação de ativos. Nos últimos dez anos, o gráfico de evolução do ouro em Hong Kong revela claramente uma trajetória impressionante, de mínimos a máximos. Desde o mínimo de 2016 até ultrapassar os 5100 dólares em 2026, a subida do preço do ouro esconde uma lógica económica profunda e fatores geopolíticos impulsionadores. Será que esta tendência de alta continuará como nos últimos 50 anos? Como podem os investidores de Hong Kong aproveitar esta oportunidade?
Por que os investidores de Hong Kong se interessam pelo ouro? Uma breve história de 50 anos da evolução do preço
Para entender o gráfico do ouro em Hong Kong, é preciso compreender por que o seu preço oscila. Em 15 de agosto de 1971, o presidente dos EUA, Nixon, anunciou o fim da conversibilidade do dólar em ouro, levando ao colapso do sistema de Bretton Woods. A partir deste momento, o ouro passou de uma “tabela de troca de dólares” fixada a 35 dólares por onça para um mercado de preços livres.
Nos 55 anos seguintes, o ouro subiu de 35 dólares por onça até ultrapassar estabilmente os 5100 dólares em janeiro de 2026, com uma valorização superior a 145 vezes. Nos últimos dois anos, de cerca de 2000 dólares no início de 2024 para mais de 5000 dólares em 2026, a valorização acumulada ultrapassou 150%, superando largamente a maioria das classes de ativos globais. Muitas instituições financeiras internacionais continuam a elevar as suas previsões de preço, com algumas a preverem que, até ao final de 2026, o ouro possa desafiar os 5500 a 6000 dólares.
Por que focar apenas nos últimos 50 anos? Porque antes de 1971, as moedas de vários países estavam atreladas ao dólar, e o dólar, por sua vez, ao ouro, fixando o preço do ouro em 35 dólares por onça. Na altura, o ouro não tinha um preço de mercado real, pelo que, desde que Nixon terminou o padrão-ouro, o mercado moderno de ouro realmente começou a existir.
As três ondas de subida do preço do ouro: padrões e lições
Ao longo destes 50 anos, o ouro passou por três ciclos de subida evidentes, cada um associado a um contexto macroeconómico específico.
● Primeira fase: crise monetária até à inflação descontrolada (1971-1980, aumento de 24 vezes)
Este foi o início do mercado de ouro moderno. Após o fim do padrão-ouro, a confiança no dólar abrandou — se antes o dólar representava ouro, agora, com a desvinculação, surgia a dúvida: o dólar vai valer zero? Este medo impulsionou o preço do ouro de 35 dólares.
Seguiram-se crises petrolíferas, a Revolução Iraniana, a invasão soviética do Afeganistão, entre outros eventos geopolíticos, que agravaram as expectativas de desvalorização do dólar. O preço do ouro atingiu um máximo de 850 dólares por onça.
Porém, nada dura para sempre. Em 1980, o presidente do Fed, Volcker, implementou uma política de subida agressiva das taxas de juro (superior a 20%), controlando a inflação. O preço do ouro caiu abruptamente 80%, permanecendo entre 200-300 dólares durante duas décadas, entrando numa fase de consolidação.
● Segunda fase: crise financeira e era de estímulos (2001-2011, aumento de 7,6 vezes)
Após o estouro da bolha da internet em 2001, o ouro começou a subir de 250 dólares até atingir um pico de 1921 dólares em setembro de 2011, com um aumento de mais de 700% em dez anos.
Este ciclo foi desencadeado pelo 11 de setembro. Os ataques terroristas despertaram a perceção global de risco geopolítico, levando os EUA a uma longa guerra contra o terrorismo. Para financiar os custos militares, o governo americano iniciou uma política de estímulos monetários, elevando os preços das casas e alimentando uma bolha imobiliária. A sobreaquecida economia imobiliária levou ao aumento das taxas de juro pelo Fed, culminando na crise financeira global de 2008.
Para responder à crise, o Fed lançou novamente programas de flexibilização quantitativa (QE), injetando liquidez em grande escala. Com a desvalorização do dólar e a fuga para ativos de risco, o ouro entrou numa tendência de alta de uma década. A crise da dívida europeia em 2011 também contribuiu para o pico de 1921 dólares.
Depois, com a estabilização do cenário pela União Europeia e o Banco Mundial, o Fed terminou o QE em 2011, as expectativas de inflação recuaram, e o ouro entrou numa fase de bear market de 8 anos, com uma queda acumulada superior a 45%.
● Terceira fase: reservas dos bancos centrais e conflitos geopolíticos (2019-presente, aumento superior a 300%)
Desde o mínimo de 1200 dólares em 2019, o ouro voltou a subir, atingindo mais de 5000 dólares em janeiro de 2026. Os fatores que impulsionaram esta fase são mais complexos:
2020: pandemia de COVID-19, com bancos centrais a lançar QE em massa, levando à forte desvalorização do dólar
2022: guerra Rússia-Ucrânia, aumento do risco geopolítico
2023: conflitos no Médio Oriente, crise no Mar Vermelho, pressão sobre cadeias de abastecimento globais
2024-2025: bancos centrais a aumentarem aceleradamente as reservas de ouro, numa tentativa de “desdolarização”
Em 2025, a escalada no Médio Oriente, as tarifas dos EUA, a volatilidade das ações, a fraqueza do dólar, entre outros fatores, impulsionaram o ouro a novos máximos. Ainda em curso em 2026, sem sinais claros de reversão.
Quais os padrões de subida e descida do ouro? Vai continuar a subir por mais 50 anos?
A partir destas três ondas, podemos identificar padrões internos no movimento do preço do ouro:
Padrão 1: Mercado de alta iniciado por crise de crédito + estímulos monetários
Cada ciclo de alta do ouro começa com a perda de confiança no dólar ou com pressões sistémicas: 1971 (fim do padrão-ouro), 2001 (baixa de juros), 2018 (política de estímulos + pandemia). A crise de crédito aumenta a procura por ativos de refúgio.
Padrão 2: A subida ocorre em fases
Fase inicial de consolidação lenta, crise a catalisar aceleração, fase final de especulação excessiva. Cada ciclo de alta dura em média 8-10 anos, com valorização entre 7 e 24 vezes.
Padrão 3: O fim do mercado de alta exige política de aperto agressivo
Historicamente, cada ciclo termina com subida forte das taxas de juro para controlar a inflação: 1980 (Fed), 2011 (fim do QE). Durante o ciclo, é comum ocorrerem correções de 20-30%, mas enquanto o preço não romper suportes críticos (como a média móvel de 200 meses), a tendência de alta mantém-se.
Contudo, a situação atual é especial:
As dívidas públicas dos principais países atingiram níveis históricos. Se os bancos centrais tentarem subir as taxas de juro como no passado, enfrentariam riscos de dívida insustentável. Assim, o ciclo de aperto “limpo” e rápido pode não acontecer.
Provavelmente, o que veremos é uma fase de alta volátil, com o ouro a oscilar intensamente numa faixa elevada durante vários anos — uma fase de “consolidação em alta”. O sinal de uma mudança estrutural definitiva só surgirá com o surgimento de um sistema monetário global mais confiável, como uma nova moeda de reserva ou uma reequilíbrio das atuais. Só quando a confiança global no sistema monetário for restaurada, o papel de refúgio do ouro perderá força.
Portanto, a resposta é que, nos próximos 50 anos, o ouro dificilmente seguirá uma tendência de subida unidirecional como nos últimos 50 anos, mas manterá uma tendência de longo prazo de alta, numa fase de “consolidação em níveis elevados”, não de “subida rápida”.
Como os investidores de Hong Kong veem o investimento em ouro?
A atratividade do ouro depende do que se compara e do horizonte temporal considerado.
Desde 1971, o ouro valorizou-se mais de 145 vezes. Nesse período, o índice Dow Jones passou de cerca de 900 pontos para 46.000, um aumento de aproximadamente 51 vezes. Assim, numa perspetiva de meio século, o retorno do ouro não fica atrás do mercado bolsista, e nos últimos dois anos o desempenho foi ainda mais impressionante.
Porém, o problema é que: a subida do preço do ouro não é linear.
Entre 1980 e 2000, o ouro permaneceu entre 200-300 dólares durante quase 20 anos. Quem investiu nessa fase, teve retorno praticamente nulo, ou até prejuízo, considerando o custo de oportunidade. Quantos anos de espera se podem suportar na vida?
Por isso, o ouro é uma excelente ferramenta de investimento, mas deve ser operado em ondas de mercado, aproveitando os ciclos, e não simplesmente mantido a longo prazo sem movimentar.
Os ciclos de alta do ouro costumam estar associados a crises macroeconómicas (inflação, riscos geopolíticos, estímulos), enquanto as fases de baixa podem ser longas e monótonas. Aproveitar os momentos certos permite obter ganhos significativos, enquanto errar o timing pode significar anos de inatividade.
Outro aspeto importante: por ser um recurso natural, o custo de extração aumenta com o tempo. Mesmo após uma correção de mercado, o preço tende a subir gradualmente, pois o custo de produção aumenta. Assim, não há necessidade de temer quedas profundas, basta entender esta dinâmica e evitar operações inúteis.
As cinco principais estratégias de alocação de ouro para investidores de Hong Kong
Existem várias formas de investir em ouro, resumidas assim:
1. Ouro físico (lingotes, moedas)
Compra direta de ouro em forma física. Vantagens: confidencialidade, valor de coleção. Desvantagens: dificuldade de venda rápida, custos de armazenamento, menor liquidez.
2. Certificados de ouro
Semelhante a uma conta de depósito, representam a posse de uma quantidade de ouro guardada por uma instituição. Pode ser resgatado em ouro físico ou em dinheiro. Vantagens: facilidade de transporte, possibilidade de resgate. Desvantagens: sem juros, spreads elevados, liquidez moderada, mais adequado para alocação de longo prazo.
3. ETFs de ouro
Mais líquidos que certificados. Ao comprar um ETF, recebe um certificado que representa uma quantidade de ouro. Gestão por parte da entidade gestora, com taxas. Valor pode diminuir com o tempo devido a custos de gestão, especialmente em mercados laterais.
4. Futuros e CFDs de ouro
Ferramentas populares entre investidores de retalho. Permitem alavancagem, posições longas e curtas. Ambos operam com margem, com custos baixos. Os CFDs são mais flexíveis, com maior eficiência de capital, ideais para operações de curto prazo. Permitem monitorizar em tempo real o gráfico de ouro em Hong Kong, definir alertas de preço, usar ordens de stop-loss e take-profit.
5. Fundos de ouro
Investimento indireto através de fundos que compram ouro físico ou ações de empresas relacionadas. Diversificação de risco, adequado para investidores com menor tolerância ao risco.
Ouro vs ações vs obrigações: estratégias de alocação de ativos em Hong Kong
Cada classe de ativo tem mecanismos de retorno diferentes:
Ouro: lucros via variação de preço, sem juros, foco no timing de entrada e saída
Obrigações: rendimentos via juros, requer aumento contínuo de posições para obter mais rendimento, dependente de política do Fed
Ações: crescimento através do aumento de valor das empresas, ideal para investimento a longo prazo em empresas sólidas
Em termos de dificuldade de investimento: obrigação mais simples, ouro intermediário, ações mais complexas.
Em retorno histórico: nos últimos 50 anos, o ouro teve o melhor desempenho, mas nos últimos 30 anos, as ações superaram-no, seguidas do ouro, e por último as obrigações.
Para lucrar com ouro, é preciso captar os ciclos de mercado. Os ciclos típicos incluem: forte subida, queda abrupta, consolidação, nova subida. Aproveitar as fases de alta ou de queda rápida permite obter retornos muito superiores aos de obrigações ou ações.
A nossa regra básica de alocação é: em fases de crescimento económico, apostar em ações; em recessões, apostar em ouro.
Quando a economia está forte, as ações sobem, as obrigações e o ouro perdem atratividade. Quando há recessão, as ações caem, e o ouro e as obrigações ganham valor por sua função de proteção.
A estratégia mais segura é: ajustar a proporção de cada ativo de acordo com o perfil de risco e objetivos pessoais. Diante de eventos imprevisíveis como a guerra na Ucrânia ou a inflação, manter uma combinação equilibrada de ações, obrigações e ouro ajuda a mitigar riscos e a manter a estabilidade do portefólio.
Lições para o investimento em ouro em Hong Kong nos próximos dez anos
Com base na história do gráfico do ouro em Hong Kong e na situação atual, as principais recomendações para investidores são:
Primeiro, o ouro não deve ser um ativo ocioso de longo prazo. Seu valor reside na capacidade de aproveitar ciclos. Se conseguir captar cada ciclo de alta, os retornos serão superiores aos de ações e obrigações. Perder ciclos ou manter o ativo parado é desperdiçar tempo valioso.
Segundo, a estratégia de alocação deve estar alinhada com o ciclo macroeconómico local. Quando há aumento de riscos geopolíticos ou estímulos monetários, aumentar a proporção de ouro; quando a economia se recupera e os riscos diminuem, mover-se para ações.
Terceiro, a escolha das ferramentas de negociação é fundamental. Para operações de ondas de mercado, os CFDs oferecem maior flexibilidade, menor barreira de entrada, melhor eficiência de capital. Com monitorização em tempo real do gráfico de ouro em Hong Kong, uso de alavancagem, ordens de stop-loss, é possível aproveitar melhor as oportunidades.
Quarto, manter uma postura racional. Não ser excessivamente pessimista nem otimista. Os mínimos do ouro tendem a subir ao longo do tempo, e a tendência de longo prazo é de alta, embora ocorram correções profundas no curto prazo. Encarar as correções com racionalidade é a chave para lucros sustentados.
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Análise do gráfico de tendência do ouro em Hong Kong|Como planear a subida do preço do ouro ao longo de dez anos?
Para os investidores de Hong Kong, o ouro tem sido sempre uma componente indispensável na alocação de ativos. Nos últimos dez anos, o gráfico de evolução do ouro em Hong Kong revela claramente uma trajetória impressionante, de mínimos a máximos. Desde o mínimo de 2016 até ultrapassar os 5100 dólares em 2026, a subida do preço do ouro esconde uma lógica económica profunda e fatores geopolíticos impulsionadores. Será que esta tendência de alta continuará como nos últimos 50 anos? Como podem os investidores de Hong Kong aproveitar esta oportunidade?
Por que os investidores de Hong Kong se interessam pelo ouro? Uma breve história de 50 anos da evolução do preço
Para entender o gráfico do ouro em Hong Kong, é preciso compreender por que o seu preço oscila. Em 15 de agosto de 1971, o presidente dos EUA, Nixon, anunciou o fim da conversibilidade do dólar em ouro, levando ao colapso do sistema de Bretton Woods. A partir deste momento, o ouro passou de uma “tabela de troca de dólares” fixada a 35 dólares por onça para um mercado de preços livres.
Nos 55 anos seguintes, o ouro subiu de 35 dólares por onça até ultrapassar estabilmente os 5100 dólares em janeiro de 2026, com uma valorização superior a 145 vezes. Nos últimos dois anos, de cerca de 2000 dólares no início de 2024 para mais de 5000 dólares em 2026, a valorização acumulada ultrapassou 150%, superando largamente a maioria das classes de ativos globais. Muitas instituições financeiras internacionais continuam a elevar as suas previsões de preço, com algumas a preverem que, até ao final de 2026, o ouro possa desafiar os 5500 a 6000 dólares.
Por que focar apenas nos últimos 50 anos? Porque antes de 1971, as moedas de vários países estavam atreladas ao dólar, e o dólar, por sua vez, ao ouro, fixando o preço do ouro em 35 dólares por onça. Na altura, o ouro não tinha um preço de mercado real, pelo que, desde que Nixon terminou o padrão-ouro, o mercado moderno de ouro realmente começou a existir.
As três ondas de subida do preço do ouro: padrões e lições
Ao longo destes 50 anos, o ouro passou por três ciclos de subida evidentes, cada um associado a um contexto macroeconómico específico.
● Primeira fase: crise monetária até à inflação descontrolada (1971-1980, aumento de 24 vezes)
Este foi o início do mercado de ouro moderno. Após o fim do padrão-ouro, a confiança no dólar abrandou — se antes o dólar representava ouro, agora, com a desvinculação, surgia a dúvida: o dólar vai valer zero? Este medo impulsionou o preço do ouro de 35 dólares.
Seguiram-se crises petrolíferas, a Revolução Iraniana, a invasão soviética do Afeganistão, entre outros eventos geopolíticos, que agravaram as expectativas de desvalorização do dólar. O preço do ouro atingiu um máximo de 850 dólares por onça.
Porém, nada dura para sempre. Em 1980, o presidente do Fed, Volcker, implementou uma política de subida agressiva das taxas de juro (superior a 20%), controlando a inflação. O preço do ouro caiu abruptamente 80%, permanecendo entre 200-300 dólares durante duas décadas, entrando numa fase de consolidação.
● Segunda fase: crise financeira e era de estímulos (2001-2011, aumento de 7,6 vezes)
Após o estouro da bolha da internet em 2001, o ouro começou a subir de 250 dólares até atingir um pico de 1921 dólares em setembro de 2011, com um aumento de mais de 700% em dez anos.
Este ciclo foi desencadeado pelo 11 de setembro. Os ataques terroristas despertaram a perceção global de risco geopolítico, levando os EUA a uma longa guerra contra o terrorismo. Para financiar os custos militares, o governo americano iniciou uma política de estímulos monetários, elevando os preços das casas e alimentando uma bolha imobiliária. A sobreaquecida economia imobiliária levou ao aumento das taxas de juro pelo Fed, culminando na crise financeira global de 2008.
Para responder à crise, o Fed lançou novamente programas de flexibilização quantitativa (QE), injetando liquidez em grande escala. Com a desvalorização do dólar e a fuga para ativos de risco, o ouro entrou numa tendência de alta de uma década. A crise da dívida europeia em 2011 também contribuiu para o pico de 1921 dólares.
Depois, com a estabilização do cenário pela União Europeia e o Banco Mundial, o Fed terminou o QE em 2011, as expectativas de inflação recuaram, e o ouro entrou numa fase de bear market de 8 anos, com uma queda acumulada superior a 45%.
● Terceira fase: reservas dos bancos centrais e conflitos geopolíticos (2019-presente, aumento superior a 300%)
Desde o mínimo de 1200 dólares em 2019, o ouro voltou a subir, atingindo mais de 5000 dólares em janeiro de 2026. Os fatores que impulsionaram esta fase são mais complexos:
Em 2025, a escalada no Médio Oriente, as tarifas dos EUA, a volatilidade das ações, a fraqueza do dólar, entre outros fatores, impulsionaram o ouro a novos máximos. Ainda em curso em 2026, sem sinais claros de reversão.
Quais os padrões de subida e descida do ouro? Vai continuar a subir por mais 50 anos?
A partir destas três ondas, podemos identificar padrões internos no movimento do preço do ouro:
Padrão 1: Mercado de alta iniciado por crise de crédito + estímulos monetários
Cada ciclo de alta do ouro começa com a perda de confiança no dólar ou com pressões sistémicas: 1971 (fim do padrão-ouro), 2001 (baixa de juros), 2018 (política de estímulos + pandemia). A crise de crédito aumenta a procura por ativos de refúgio.
Padrão 2: A subida ocorre em fases
Fase inicial de consolidação lenta, crise a catalisar aceleração, fase final de especulação excessiva. Cada ciclo de alta dura em média 8-10 anos, com valorização entre 7 e 24 vezes.
Padrão 3: O fim do mercado de alta exige política de aperto agressivo
Historicamente, cada ciclo termina com subida forte das taxas de juro para controlar a inflação: 1980 (Fed), 2011 (fim do QE). Durante o ciclo, é comum ocorrerem correções de 20-30%, mas enquanto o preço não romper suportes críticos (como a média móvel de 200 meses), a tendência de alta mantém-se.
Contudo, a situação atual é especial:
As dívidas públicas dos principais países atingiram níveis históricos. Se os bancos centrais tentarem subir as taxas de juro como no passado, enfrentariam riscos de dívida insustentável. Assim, o ciclo de aperto “limpo” e rápido pode não acontecer.
Provavelmente, o que veremos é uma fase de alta volátil, com o ouro a oscilar intensamente numa faixa elevada durante vários anos — uma fase de “consolidação em alta”. O sinal de uma mudança estrutural definitiva só surgirá com o surgimento de um sistema monetário global mais confiável, como uma nova moeda de reserva ou uma reequilíbrio das atuais. Só quando a confiança global no sistema monetário for restaurada, o papel de refúgio do ouro perderá força.
Portanto, a resposta é que, nos próximos 50 anos, o ouro dificilmente seguirá uma tendência de subida unidirecional como nos últimos 50 anos, mas manterá uma tendência de longo prazo de alta, numa fase de “consolidação em níveis elevados”, não de “subida rápida”.
Como os investidores de Hong Kong veem o investimento em ouro?
A atratividade do ouro depende do que se compara e do horizonte temporal considerado.
Desde 1971, o ouro valorizou-se mais de 145 vezes. Nesse período, o índice Dow Jones passou de cerca de 900 pontos para 46.000, um aumento de aproximadamente 51 vezes. Assim, numa perspetiva de meio século, o retorno do ouro não fica atrás do mercado bolsista, e nos últimos dois anos o desempenho foi ainda mais impressionante.
Porém, o problema é que: a subida do preço do ouro não é linear.
Entre 1980 e 2000, o ouro permaneceu entre 200-300 dólares durante quase 20 anos. Quem investiu nessa fase, teve retorno praticamente nulo, ou até prejuízo, considerando o custo de oportunidade. Quantos anos de espera se podem suportar na vida?
Por isso, o ouro é uma excelente ferramenta de investimento, mas deve ser operado em ondas de mercado, aproveitando os ciclos, e não simplesmente mantido a longo prazo sem movimentar.
Os ciclos de alta do ouro costumam estar associados a crises macroeconómicas (inflação, riscos geopolíticos, estímulos), enquanto as fases de baixa podem ser longas e monótonas. Aproveitar os momentos certos permite obter ganhos significativos, enquanto errar o timing pode significar anos de inatividade.
Outro aspeto importante: por ser um recurso natural, o custo de extração aumenta com o tempo. Mesmo após uma correção de mercado, o preço tende a subir gradualmente, pois o custo de produção aumenta. Assim, não há necessidade de temer quedas profundas, basta entender esta dinâmica e evitar operações inúteis.
As cinco principais estratégias de alocação de ouro para investidores de Hong Kong
Existem várias formas de investir em ouro, resumidas assim:
1. Ouro físico (lingotes, moedas)
Compra direta de ouro em forma física. Vantagens: confidencialidade, valor de coleção. Desvantagens: dificuldade de venda rápida, custos de armazenamento, menor liquidez.
2. Certificados de ouro
Semelhante a uma conta de depósito, representam a posse de uma quantidade de ouro guardada por uma instituição. Pode ser resgatado em ouro físico ou em dinheiro. Vantagens: facilidade de transporte, possibilidade de resgate. Desvantagens: sem juros, spreads elevados, liquidez moderada, mais adequado para alocação de longo prazo.
3. ETFs de ouro
Mais líquidos que certificados. Ao comprar um ETF, recebe um certificado que representa uma quantidade de ouro. Gestão por parte da entidade gestora, com taxas. Valor pode diminuir com o tempo devido a custos de gestão, especialmente em mercados laterais.
4. Futuros e CFDs de ouro
Ferramentas populares entre investidores de retalho. Permitem alavancagem, posições longas e curtas. Ambos operam com margem, com custos baixos. Os CFDs são mais flexíveis, com maior eficiência de capital, ideais para operações de curto prazo. Permitem monitorizar em tempo real o gráfico de ouro em Hong Kong, definir alertas de preço, usar ordens de stop-loss e take-profit.
5. Fundos de ouro
Investimento indireto através de fundos que compram ouro físico ou ações de empresas relacionadas. Diversificação de risco, adequado para investidores com menor tolerância ao risco.
Ouro vs ações vs obrigações: estratégias de alocação de ativos em Hong Kong
Cada classe de ativo tem mecanismos de retorno diferentes:
Em termos de dificuldade de investimento: obrigação mais simples, ouro intermediário, ações mais complexas.
Em retorno histórico: nos últimos 50 anos, o ouro teve o melhor desempenho, mas nos últimos 30 anos, as ações superaram-no, seguidas do ouro, e por último as obrigações.
Para lucrar com ouro, é preciso captar os ciclos de mercado. Os ciclos típicos incluem: forte subida, queda abrupta, consolidação, nova subida. Aproveitar as fases de alta ou de queda rápida permite obter retornos muito superiores aos de obrigações ou ações.
A nossa regra básica de alocação é: em fases de crescimento económico, apostar em ações; em recessões, apostar em ouro.
Quando a economia está forte, as ações sobem, as obrigações e o ouro perdem atratividade. Quando há recessão, as ações caem, e o ouro e as obrigações ganham valor por sua função de proteção.
A estratégia mais segura é: ajustar a proporção de cada ativo de acordo com o perfil de risco e objetivos pessoais. Diante de eventos imprevisíveis como a guerra na Ucrânia ou a inflação, manter uma combinação equilibrada de ações, obrigações e ouro ajuda a mitigar riscos e a manter a estabilidade do portefólio.
Lições para o investimento em ouro em Hong Kong nos próximos dez anos
Com base na história do gráfico do ouro em Hong Kong e na situação atual, as principais recomendações para investidores são:
Primeiro, o ouro não deve ser um ativo ocioso de longo prazo. Seu valor reside na capacidade de aproveitar ciclos. Se conseguir captar cada ciclo de alta, os retornos serão superiores aos de ações e obrigações. Perder ciclos ou manter o ativo parado é desperdiçar tempo valioso.
Segundo, a estratégia de alocação deve estar alinhada com o ciclo macroeconómico local. Quando há aumento de riscos geopolíticos ou estímulos monetários, aumentar a proporção de ouro; quando a economia se recupera e os riscos diminuem, mover-se para ações.
Terceiro, a escolha das ferramentas de negociação é fundamental. Para operações de ondas de mercado, os CFDs oferecem maior flexibilidade, menor barreira de entrada, melhor eficiência de capital. Com monitorização em tempo real do gráfico de ouro em Hong Kong, uso de alavancagem, ordens de stop-loss, é possível aproveitar melhor as oportunidades.
Quarto, manter uma postura racional. Não ser excessivamente pessimista nem otimista. Os mínimos do ouro tendem a subir ao longo do tempo, e a tendência de longo prazo é de alta, embora ocorram correções profundas no curto prazo. Encarar as correções com racionalidade é a chave para lucros sustentados.