A saída de uma ação do mercado é uma armadilha ou uma oportunidade? O guia completo que os investidores devem ler para saber como agir

Comprar e vender ações ao deparar-se com notícias de deslistagem sem dúvida causa preocupação. Isso significa que as ações que você possui podem passar de ativos líquidos a papéis sem interesse, quase sem valor. No entanto, a deslistagem nem sempre é um fim desesperador; o importante é saber identificar sinais de risco a tempo e agir corretamente. Este artigo analisa detalhadamente o processo de deslistagem, ajudando investidores a tomar decisões racionais diante dessa situação.

O que é deslistagem de ações? Entender os conceitos básicos para responder a tempo

A deslistagem (ou retirada de listagem) ocorre quando uma empresa que estava listada na bolsa de valores deixa de atender aos critérios de listagem ou solicita voluntariamente sua retirada. Uma vez deslistada, as ações não podem mais ser negociadas na bolsa, e seu valor pode sofrer alterações significativas.

Vale destacar que, deslistagem e desregulamentação (ou desintermediação) são conceitos diferentes. Deslistagem refere-se à saída do mercado principal, enquanto desregulamentação é a retirada de ações de mercados de balcão (OTC). Ambos envolvem perda de status de listagem, mas possuem regras e mercados distintos.

Muitos investidores confundem deslistagem com suspensão de negociação, mas são conceitos diferentes. A suspensão é uma pausa temporária na negociação (normalmente por dias ou semanas, por motivos como divulgação de fatos relevantes ou oscilações anormais), enquanto a deslistagem é uma saída definitiva do mercado. Após suspensão, a ação geralmente volta a ser negociada; na deslistagem, a ação encerra sua trajetória na bolsa.

Por que uma ação pode ser deslistada? Os cinco principais motivos

Deterioração financeira e prejuízos contínuos

Se uma empresa acumula prejuízos por vários anos, tem patrimônio líquido negativo, recebe opinião negativa de auditores ou não consegue emitir parecer, ela pode ser alvo de processos de deslistagem. Essas empresas geralmente perderam a capacidade de gerar lucros e não conseguem manter operações normais.

Um exemplo clássico é a Chesapeake Energy Corporation, produtora de gás natural. Em junho de 2020, entrou com pedido de falência devido a dificuldades financeiras, sendo reestruturada em fevereiro de 2021. Antes da falência, seu valor de mercado despencou, e só após a reestruturação se confirmou se os investidores receberiam alguma compensação.

Violações de divulgação de informações e fraudes

Empresa que não divulga relatórios financeiros no prazo, reporta receitas falsas, realiza negociações com informações privilegiadas ou oculta fatos relevantes pode ser deslistada. Essas violações destroem a confiança dos investidores, levando a bolsa a iniciar o processo de retirada.

O caso da Luckin Coffee é um exemplo emblemático. Em abril de 2020, a empresa foi deslistada da Nasdaq por suspeitas de fraudes financeiras, causando prejuízos aos investidores. Desde então, suas ações em mercados secundários praticamente não têm liquidez, dificultando a venda.

Anomalias nos negócios e má gestão

Queda acentuada nos principais negócios, perda de participação de mercado ou desaparecimento de vantagem competitiva podem levar à deslistagem. Em setores de rápida inovação, empresas que ficam para trás correm risco de serem aceleradamente eliminadas.

Privatizações e fusões

Algumas empresas optam por sair voluntariamente do mercado para se tornarem privadas, geralmente quando os acionistas majoritários querem reduzir obrigações de divulgação ou realizar reestruturações. Exemplo: a Dell saiu da Nasdaq em 2013 para privatização, retornando à bolsa em 2018.

Durante o processo de privatização, os acionistas controladores costumam recomprar ações pelo preço acordado, permitindo que investidores vendam rapidamente por valores justos.

Mudanças regulatórias

Setores como tecnologia financeira, farmacêutico e outros altamente regulados podem sofrer deslistagem se não atenderem às novas normas impostas por mudanças na legislação ou políticas públicas.

Da advertência à retirada: o processo de deslistagem em quatro fases

A deslistagem não acontece de um dia para o outro. Se o investidor acompanhar os comunicados da bolsa, geralmente há tempo suficiente para agir. O processo costuma passar por quatro etapas:

Primeira fase: aviso e marcação
A bolsa envia uma “notificação de penalidade”, marcando o nome da ação com um símbolo como “*” ou “ST” (exemplo: “*XX Eletrônicos”). Este é o sinal inicial de risco. O investidor deve começar a monitorar a empresa e suas notícias.

Segunda fase: prazo de recuperação
A empresa recebe de 3 a 6 meses para se recuperar, podendo apresentar relatórios adicionais, atrair investidores estratégicos ou reestruturar ativos. Este período é crucial para avaliar se há chance de reversão.

Terceira fase: análise e decisão
Se a empresa não atingir as metas, a bolsa realiza uma reunião de análise para decidir pela deslistagem. Nesse momento, a ação costuma sofrer forte queda de preço, indicando que a recuperação está difícil.

Quarta fase: encerramento e retirada
A bolsa anuncia a data de deslistagem, e a ação deixa de ser negociada na bolsa após o último pregão. A partir daí, o investidor só pode buscar negociações no mercado de balcão ou aguardar novas possibilidades de listagem futura.

É possível salvar uma ação deslistada? Como agir em diferentes cenários

Caso de recompra ou privatização

Quando a empresa decide sair do mercado para se tornar privada, se a participação de ações em circulação for baixa (10-20%), o valor das ações pode até subir. Os controladores costumam recomprar ações a preços razoáveis ou até com prêmio, oferecendo oportunidade de venda. O investidor deve acompanhar os anúncios e avaliar se a proposta é justa.

Caso de falência e liquidação

Se a deslistagem ocorrer por falência, a situação é mais difícil. Na liquidação, os ativos são vendidos para pagar credores na ordem: salários, dívidas bancárias, impostos e, por último, acionistas. Geralmente, os acionistas recebem pouco ou nada, pois os recursos são consumidos na quitação de dívidas.

Quando o valor de mercado é muito baixo

Empresas com ações de valor muito baixo e baixa liquidez tendem a ser deslistadas. Nesse cenário, poucos investidores querem comprar, e o risco de ficar com papéis sem mercado é alto. Alguns podem encontrar compradores no mercado secundário, mas muitos acabarão com ações sem liquidez, sofrendo perdas totais ou quase totais.

Deslistagem por irregularidades

Se a deslistagem ocorre por infrações regulatórias, as ações podem ser congeladas, impedindo sua venda. O investidor precisa aguardar o andamento do processo legal, o que pode levar meses ou anos, sem garantia de recuperação do investimento.

Possibilidade de relistagem

Em alguns casos, ações deslistadas podem voltar ao mercado. Se a empresa passar por reestruturação, melhorar suas finanças ou inovar, a bolsa pode permitir nova listagem. Investidores que mantiverem as ações até esse momento podem recuperar parte do prejuízo.

Suspensão temporária versus deslistagem: entenda as diferenças essenciais

Muitos investidores iniciantes confundem suspensão de negociação com deslistagem, mas há diferenças fundamentais:

Aspecto Suspensão de negociação Deslistagem (retirada)
Duração Temporária (dias a meses) Permanente (fim da negociação na bolsa)
Status na bolsa Ainda listada, mas sem negociação Removida completamente da listagem
Impacto no valor Geralmente sem impacto, salvo fatos relevantes Queda significativa do valor
Perspectiva futura Pode ser revertida, ações voltam a negociar Não há retorno na bolsa principal
Dificuldade para o investidor Menor, basta acompanhar os fatos Maior, exige ações específicas e atenção**

Suspensão é uma medida temporária, muitas vezes relacionada a fatos relevantes ou irregularidades pontuais, e costuma ser resolvida. A deslistagem é definitiva, exigindo ações mais complexas por parte do investidor.

Como identificar e evitar ações com potencial de deslistagem

Prevenir é melhor que remediar. Para evitar surpresas, o investidor deve desenvolver hábitos de monitoramento de riscos:

Acompanhar indicadores financeiros
Verificar lucros, fluxo de caixa, endividamento e patrimônio líquido regularmente. Empresas com prejuízos recorrentes, fluxo de caixa negativo ou endividamento acima de 100% são sinais de alerta. Reduza posições nesses casos.

Observar a divulgação de informações
Fique atento ao cumprimento de prazos de divulgação, à transparência das informações e às mudanças na gestão. Anomalias podem indicar problemas futuros.

Avaliar a competitividade do negócio
A empresa mantém sua relevância no mercado? Seus produtos ou serviços continuam demandados? Há inovação ou perda de participação? Esses fatores influenciam a sustentabilidade.

Seguir mudanças regulatórias
Setores altamente regulados podem sofrer impactos por novas normas. Conhecer o cenário regulatório ajuda a antecipar riscos.

Diversificar a carteira
Distribuir investimentos entre diferentes ativos reduz o impacto de uma eventual deslistagem. Uma alocação equilibrada, de acordo com o perfil de risco, é fundamental.

Perfil de risco Investimentos de maior risco Moderados Conservadores Dinheiro em caixa
Agressivo 15% derivativos 50% ações 30% fundos 5%
Moderado 10% derivativos 35% ações 35% fundos 20%
Conservador 5% derivativos 15% ações 40% fundos 40%

Assim, mesmo que uma ação seja deslistada, o impacto na carteira total será menor.

Guia de emergência: sete passos para lidar com ações deslistadas

Se você possui ações que estão prestes a ser deslistadas, siga estes sete passos para proteger seu investimento:

1. Acompanhe os comunicados oficiais

Antes da deslistagem, a empresa informa a data e os procedimentos no site da bolsa ou na plataforma de informações. Verifique regularmente e entre em contato com seu corretor para confirmar detalhes. Essas informações indicam se há possibilidade de recompra ou transferência para mercado de balcão.

2. Avalie a proposta de recompra

Se a empresa oferecer recompra, analise se o preço é justo, se está acima do valor de mercado e se há prazo para manifestação. Decida se aceita ou não, e cumpra o prazo para evitar perder a oportunidade.

3. Considere a transferência para mercado de balcão

Algumas empresas transferem suas ações para o OTC, onde a liquidez é menor, mas ainda há possibilidade de negociação. Use seu corretor para buscar oportunidades ou aguarde uma possível reabertura de capital.

4. Prepare-se para a liquidação

Se a deslistagem for por falência, acompanhe o processo de liquidação, guarde documentos e esteja atento às distribuições de ativos. Pode não recuperar nada, mas é importante estar organizado para fins fiscais.

5. Explore negociações no mercado secundário

Se não houver recompra ou transferência, tente negociar com outros acionistas ou investidores interessados, mesmo que seja no mercado secundário informal. Pode ser uma saída, embora com baixa liquidez.

6. Procure aconselhamento profissional

Consulte seu corretor, um advogado ou especialista em mercado de capitais para entender os procedimentos de transferência, herança ou eventual recuperação futura.

7. Cuide da questão fiscal

Se a ação for totalmente perdida, você pode declarar prejuízo na declaração de Imposto de Renda, compensando com ganhos futuros. Consulte um contador para orientações específicas.

Como tomar decisões racionais diante de uma deslistagem

Ao enfrentar uma ação que está sendo deslistada, o investidor deve avaliar:

  • Se a causa é uma crise temporária ou uma falência definitiva
  • Se há possibilidade de recuperação ou relistagem futura
  • Se o valor de mercado justifica manter ou vender imediatamente
  • Se o risco de perder tudo é aceitável dentro do seu perfil

Se a análise indicar que a probabilidade de prejuízo é grande, o melhor é vender logo para evitar perdas maiores. Se há esperança de recuperação, manter pode ser uma estratégia, mas com cautela. Em qualquer caso, decisões devem ser baseadas em informações concretas e na sua tolerância ao risco.

A deslistagem não é necessariamente o fim do investimento, mas um teste de resistência e de capacidade de decisão do investidor. Conhecimento, atenção aos sinais e ações rápidas são essenciais para minimizar perdas e aproveitar oportunidades futuras.

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