Como interpretar o índice VIX: Guia de investidores para transformar o medo do mercado em oportunidade

Sempre que o mercado de ações oscila, há uma coisa que os investidores verificam primeiro. É o índice VIX. Compreender bem este indicador permite identificar oportunidades na atmosfera de medo do mercado, opinião unânime entre os especialistas. No entanto, muitos investidores individuais não entendem corretamente o significado exato do VIX e como utilizá-lo, levando a fracassos nos investimentos. Neste artigo, explicaremos passo a passo como interpretar corretamente o VIX e usá-lo na prática.

Por que o índice VIX é uma ferramenta essencial para investidores?

O índice VIX, criado pela Chicago Board Options Exchange (CBOE), é conhecido como o ‘termómetro’ do mercado. Seu nome oficial é ‘CBOE Volatility Index’ e quantifica o grau de insegurança dos investidores no mercado de opções de ações.

Especificamente, analisa os dados de prêmio das opções do índice S&P 500 para calcular a expectativa de quanto o mercado poderá oscilar no futuro. Por exemplo, um VIX de 20 indica que os participantes do mercado esperam que o S&P 500 se mova dentro de uma faixa de ±20% nos próximos 12 meses.

O importante é que o VIX não indica a direção do movimento do mercado. Ele mostra apenas a volatilidade ou estabilidade. Assim, tentar prever se o mercado vai subir ou descer com base no VIX é difícil. Em vez disso, é uma ferramenta muito útil para avaliar o quanto o mercado pode estar agitado.

O sinal de medo, o significado oculto do VIX

Um VIX alto indica que há um clima de insegurança entre os investidores. Quando há maior incerteza ou risco de crise, os investidores tendem a comprar opções e adotar estratégias de hedge para proteger seus ativos, o que faz o VIX subir.

Exemplos históricos incluem a crise financeira de 2008 e o início da pandemia de COVID-19 em 2020. Em março de 2020, o VIX chegou a mais de 80, refletindo um medo extremo. Isso sinalizava que os investidores estavam preocupados com uma possível queda do mercado e se preparando para gerenciar riscos.

Por outro lado, quando o mercado está calmo e as ações sobem, o VIX costuma estar baixo, pois o sentimento dos investidores se estabiliza e há maior compra de ativos de risco. Contudo, um VIX anormalmente baixo pode indicar otimismo excessivo ou negligência dos riscos pelos investidores.

Como interpretar os níveis do VIX: sinais de investimento de 15 a 80

Compreender o significado de cada nível do VIX é o primeiro passo para tomar decisões de investimento. Geralmente, entre 15 e 20 é considerado ‘nível normal’, indicando que o mercado está em movimento regular e os investidores estão confiantes.

Acima de 20, entra-se na fase de ‘atenção’, com sinais de aumento de incerteza e maior volatilidade. Quando passa de 30, é um ‘sinal de risco’, com preocupações claras e possibilidade de mudanças rápidas no mercado.

Valores acima de 40 indicam um estado de medo extremo, como na crise de 2008 ou na pandemia de 2020, sinalizando turbulência severa. Historicamente, após esses picos, o mercado tende a se recuperar em 6 a 12 meses.

Por outro lado, abaixo de 12, há sinais de ‘otimismo excessivo’, com investidores subestimando riscos ou sem preparação para uma correção. Nesse cenário, há maior risco de reversão ou ajuste de mercado.

Nível do VIX Situação do mercado Psicologia do investidor
0~12 Estabilidade excessiva Otimismo exagerado, risco de correção
12~20 Nível normal Psicologia equilibrada, estabilidade
20~30 Aumento de volatilidade Cautela, nervosismo crescente
30~50 Estado de medo Preocupação séria, possibilidade de mudanças rápidas
50+ Medo extremo Crise de mercado, risco de perdas significativas

Estratégias de uso do VIX: de hedge a compra

Investidores usam o VIX de várias formas. A estratégia mais básica é a ‘compra por medo’ (Fear Buying): quando o VIX está extremamente alto, aproveitam para comprar, pois estatisticamente, após picos, o mercado tende a se recuperar em 6 a 12 meses.

Outra estratégia é usar instrumentos de hedge, como ETFs ou opções ligados ao VIX, para proteger a carteira contra quedas. Exemplos incluem VXX ou UVXY, que podem gerar ganhos em momentos de alta volatilidade.

Uma terceira abordagem é agir quando o VIX está anormalmente baixo, sinalizando possível correção. Nesse caso, comprar opções de venda (puts) pode ajudar a proteger o portfólio.

Lembre-se: todas essas estratégias devem ser usadas como ferramentas complementares. O VIX não deve ser a única base para decisões de investimento.

Armadilhas dos produtos que seguem o VIX

Não é possível investir diretamente no VIX. Em vez disso, usa-se futuros de VIX ou ETFs como VXX e UVXY, que tentam replicar sua variação. Contudo, esses produtos têm riscos estruturais.

Primeiro, há o ‘custo de rollover’. Como os futuros de VIX vencem, é preciso trocar contratos continuamente, o que gera custos que reduzem o retorno ao longo do tempo. Para posições de longo prazo, esses custos podem acumular perdas.

Segundo, há o risco de alavancagem. Produtos como UVXY usam alavancagem, o que aumenta ganhos, mas também perdas em movimentos contrários às expectativas. Em mercados voláteis, as perdas podem ser rápidas e severas.

Terceiro, há o efeito de decaimento temporal (Theta Decay). Esses produtos perdem valor com o tempo, mesmo sem movimentos de mercado, tornando-os inadequados para manutenção prolongada.

Por isso, produtos ligados ao VIX são mais indicados para operações de curto prazo, hedge ou especulação, e não para investimentos de longo prazo.

Outros indicadores que complementam o VIX

Para aumentar a confiabilidade do VIX, é importante combiná-lo com outros indicadores de mercado, como o movimento do índice S&P 500, a relação call/put no mercado de opções, o índice CBOE SKEW (que mede a probabilidade de perdas extremas), entre outros.

O índice ‘Fear & Greed’ da CNN também é útil. Ele combina vários sinais de mercado e apresenta uma escala de 0 a 100, ajudando a detectar excessos de otimismo ou pânico, especialmente quando usado junto ao VIX.

Lembre-se: o VIX é apenas uma peça do quebra-cabeça. Sua análise deve ser integrada a outros indicadores para uma avaliação mais precisa do mercado.

Guia final para investidores que usam o VIX

O VIX é uma das principais métricas de sentimento no mercado financeiro atual. Detectar momentos de medo e agir rapidamente pode gerar lucros. Contudo, isso só é possível se o entendimento e uso do VIX forem corretos.

Produtos relacionados ao VIX envolvem alavancagem e custos de rollover, portanto, devem ser usados com cautela. São úteis para operações de curto prazo, mas não recomendados para investimentos de longo prazo. Encarar a volatilidade como oportunidade, sempre priorizando a gestão de riscos, é a chave para o sucesso.

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