As empresas financeiras são difíceis de avaliar devido à sua natureza complexa.
Métodos de avaliação simples ajudam os investidores a analisar empresas financeiras.
Métricas como ROE e P/B são úteis para seguradoras.
Float aumenta a receita ao investir prémios antes de pagar sinistros.
A maioria dos investidores evita tentar avaliar empresas financeiras devido à sua complexidade. No entanto, várias técnicas e métricas de avaliação simples podem ajudá-los a decidir rapidamente se vale a pena aprofundar a análise. Essas técnicas e métricas também se aplicam às seguradoras, embora existam várias medidas específicas do setor, como retorno sobre o capital próprio (ROE) e preço por valor contabilístico (P/B). Outra consideração importante é o float, que consiste em gerar receita adicional ao investir fundos de prémios antes de pagar sinistros.
Dominar os Fundamentos do Setor de Seguros
À primeira vista, o conceito de uma empresa de seguros é bastante simples. Uma seguradora reúne prémios pagos pelos clientes para compensar o risco de perda. Este risco pode aplicar-se a várias áreas, o que explica a existência de seguradoras de saúde, vida, propriedade, acidentes (P&C) e linhas especializadas (seguros mais incomuns, onde os riscos são mais difíceis de avaliar). A parte difícil de ser uma seguradora é estimar corretamente os futuros sinistros e definir prémios que cubram esses sinistros, além de gerar lucro para os acionistas.
Para além das operações principais de seguros, as seguradoras gerem e administram carteiras de investimento. Os fundos dessas carteiras provêm da reinvestimento de lucros (como prémios ganhos, onde o prémio é retido porque não houve sinistro durante a duração da apólice) e de prémios antes de serem pagos como sinistros.
Esta segunda categoria é um conceito conhecido como float e é importante de entender. Warren Buffett explica frequentemente o que é float nas cartas anuais aos acionistas da Berkshire Hathaway. Em 2000, escreveu:
“Para começar, float é dinheiro que mantemos, mas que não possuímos. Em uma operação de seguros, o float surge porque os prémios são recebidos antes de os sinistros serem pagos, um intervalo que às vezes se estende por muitos anos. Durante esse tempo, a seguradora investe o dinheiro. Essa atividade agradável geralmente tem um lado negativo: os prémios que uma seguradora recebe normalmente não cobrem as perdas e despesas que eventualmente terá de pagar. Isso deixa a seguradora a operar com uma ‘perda de subscrição’, que é o custo do float. Um negócio de seguros tem valor se o seu custo de float ao longo do tempo for menor do que o custo que a empresa teria de incorrer para obter fundos. Mas o negócio é uma limonada se o seu custo de float for superior às taxas de mercado para o dinheiro.”
Buffett também aborda o que torna difícil avaliar uma seguradora. Um investidor deve confiar que os atuários da empresa fazem suposições sólidas e razoáveis, equilibrando os prémios recebidos com os futuros sinistros a pagar. Grandes erros podem arruinar uma empresa, e os riscos podem estender-se por muitos anos ou décadas, no caso de seguros de vida.
Métricas-Chave para Avaliar Seguradoras
Algumas métricas principais podem ser usadas para avaliar seguradoras, e essas métricas são comuns às empresas financeiras em geral. São elas o preço por valor contabilístico (P/B) e o retorno sobre o capital próprio (ROE).
O P/B é uma medida de avaliação que relaciona o preço das ações da seguradora ao seu valor contabilístico, seja em valor total da empresa ou por ação. O valor contabilístico, que é simplesmente o património líquido dos acionistas, é uma aproximação do valor de uma empresa se ela deixar de existir e for liquidada completamente. O preço por valor contabilístico tangível elimina o goodwill e outros ativos intangíveis, oferecendo ao investidor uma avaliação mais precisa dos ativos líquidos remanescentes caso a empresa feche.
Uma regra rápida para seguradoras (e, novamente, para ações financeiras em geral) é que elas valem a pena se o P/B estiver em torno de 1, e podem estar caras se estiverem acima de 2.
Para uma seguradora, o valor contabilístico é uma medida sólida da maior parte do seu balanço, que inclui obrigações, ações e outros títulos que podem ser confiáveis pelo seu valor, dado um mercado ativo para eles.
O ROE mede o nível de lucro que uma seguradora está a gerar como uma percentagem do património dos acionistas ou valor contabilístico. Um ROE de cerca de 10% sugere que a empresa cobre o seu custo de capital e gera um retorno suficiente para os acionistas. Quanto mais alto, melhor, e uma taxa na casa dos 15% é ideal para uma seguradora bem gerida.
Outro indicador importante é o resultado abrangente de investimentos (OCI). Esta métrica mostra as implicações de uma carteira de investimentos nos lucros. O OCI pode ser encontrado no balanço, mas também aparece na sua própria demonstração financeira. Dá uma indicação mais clara dos ganhos não realizados em investimentos e das alterações no património ou valor contabilístico, que são importantes de medir.
Várias métricas de avaliação são mais específicas do setor de seguros. A razão combinada (Combined Ratio) mede as perdas e despesas incorridas como uma percentagem dos prémios ganhos. Uma razão acima de 100% indica que a seguradora está a perder dinheiro na sua operação de seguros. Abaixo de 100% sugere lucro operacional.
No Reino Unido, as seguradoras frequentemente usam uma equivalência de prémio anual (APE) para medir e comparar vendas de apólices com prémios diferentes. APE compara prémios recorrentes de apólices existentes com prémios únicos de apólices novas.
Um relatório de banca de investimento recomendou focar no potencial de crescimento dos prémios, na possibilidade de introduzir novos produtos, na previsão da razão combinada do negócio e no pagamento esperado de reservas futuras e rendimentos de investimento associados ao novo negócio gerado pela seguradora (devido à diferença de timing entre prémios e sinistros futuros). Assim, o cenário de liquidação e a ênfase no valor contabilístico são os mais valiosos. Além disso, abordagens comparáveis que relacionam uma empresa às suas congéneres (como níveis e tendências de ROE) e transações de compra são úteis na avaliação de uma seguradora.
O fluxo de caixa descontado (DCF) pode ser usado para avaliar uma seguradora, mas é menos útil devido à dificuldade de estimar o fluxo de caixa. Isso deve-se à influência da carteira de investimentos e dos fluxos de caixa resultantes na demonstração de fluxos de caixa, dificultando a avaliação do fluxo gerado pelas operações de seguros. Outro fator mencionado acima é que esses fluxos levam muitos anos a serem gerados.
Exemplo do Mundo Real: Avaliação da MetLife e Outras Seguradoras
A seguir, um exemplo para ilustrar melhor a discussão acima. A seguradora de vida MetLife (MET) é uma das maiores do setor.
O ROE da MetLife tem, nos últimos dez anos, uma média de apenas 6,84%, sendo que 2017 foi um ano difícil, do qual se recuperaram. Este valor ficou abaixo da média do setor de 9,43% nesse período, mas a previsão é que o ROE da MetLife atinja entre 12% e 14% num futuro próximo. O ROE médio de dez anos da China Life é atualmente 10,78%, e o da Prudential é 0,57%. A MetLife está atualmente a negociar a um P/B de 0,5, abaixo da média do setor de 0,91. O P/B da China Life é 1,32, e o da Prudential é 1,68.
Com base nisso, a MetLife parece uma aposta razoável. O seu ROE está a voltar a valores de dois dígitos e está acima da média do setor. O seu P/B também está abaixo de 1, o que geralmente é um bom ponto de entrada para investidores, com base nas tendências históricas do P/B. A MetLife tem um ROE mais alto que a Prudential, mas inferior ao da China Life, e ambos os P/B são muito superiores. Aqui, torna-se importante aprofundar a análise às demonstrações financeiras de cada empresa. O OCI é importante na análise de carteiras de investimento, e será necessário analisar as tendências de crescimento para decidir se pagar um múltiplo de P/B mais elevado é justificado. Se essas empresas crescerem mais rápido que o setor, podem valer a pena pagar um prémio.
A Conclusão
Como em qualquer exercício de avaliação, há tanto arte quanto ciência na obtenção de uma estimativa de valor razoável. Os números históricos são fáceis de calcular e medir, mas a avaliação consiste em fazer uma estimativa razoável do que o futuro reserva. No setor de seguros, previsões precisas de métricas como o ROE são importantes, e pagar um P/B baixo pode ajudar a aumentar as probabilidades a favor dos investidores.
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Métricas-chave para Avaliar Empresas de Seguros
Principais Conclusões
A maioria dos investidores evita tentar avaliar empresas financeiras devido à sua complexidade. No entanto, várias técnicas e métricas de avaliação simples podem ajudá-los a decidir rapidamente se vale a pena aprofundar a análise. Essas técnicas e métricas também se aplicam às seguradoras, embora existam várias medidas específicas do setor, como retorno sobre o capital próprio (ROE) e preço por valor contabilístico (P/B). Outra consideração importante é o float, que consiste em gerar receita adicional ao investir fundos de prémios antes de pagar sinistros.
Dominar os Fundamentos do Setor de Seguros
À primeira vista, o conceito de uma empresa de seguros é bastante simples. Uma seguradora reúne prémios pagos pelos clientes para compensar o risco de perda. Este risco pode aplicar-se a várias áreas, o que explica a existência de seguradoras de saúde, vida, propriedade, acidentes (P&C) e linhas especializadas (seguros mais incomuns, onde os riscos são mais difíceis de avaliar). A parte difícil de ser uma seguradora é estimar corretamente os futuros sinistros e definir prémios que cubram esses sinistros, além de gerar lucro para os acionistas.
Para além das operações principais de seguros, as seguradoras gerem e administram carteiras de investimento. Os fundos dessas carteiras provêm da reinvestimento de lucros (como prémios ganhos, onde o prémio é retido porque não houve sinistro durante a duração da apólice) e de prémios antes de serem pagos como sinistros.
Esta segunda categoria é um conceito conhecido como float e é importante de entender. Warren Buffett explica frequentemente o que é float nas cartas anuais aos acionistas da Berkshire Hathaway. Em 2000, escreveu:
Buffett também aborda o que torna difícil avaliar uma seguradora. Um investidor deve confiar que os atuários da empresa fazem suposições sólidas e razoáveis, equilibrando os prémios recebidos com os futuros sinistros a pagar. Grandes erros podem arruinar uma empresa, e os riscos podem estender-se por muitos anos ou décadas, no caso de seguros de vida.
Métricas-Chave para Avaliar Seguradoras
Algumas métricas principais podem ser usadas para avaliar seguradoras, e essas métricas são comuns às empresas financeiras em geral. São elas o preço por valor contabilístico (P/B) e o retorno sobre o capital próprio (ROE).
O P/B é uma medida de avaliação que relaciona o preço das ações da seguradora ao seu valor contabilístico, seja em valor total da empresa ou por ação. O valor contabilístico, que é simplesmente o património líquido dos acionistas, é uma aproximação do valor de uma empresa se ela deixar de existir e for liquidada completamente. O preço por valor contabilístico tangível elimina o goodwill e outros ativos intangíveis, oferecendo ao investidor uma avaliação mais precisa dos ativos líquidos remanescentes caso a empresa feche.
Uma regra rápida para seguradoras (e, novamente, para ações financeiras em geral) é que elas valem a pena se o P/B estiver em torno de 1, e podem estar caras se estiverem acima de 2.
Para uma seguradora, o valor contabilístico é uma medida sólida da maior parte do seu balanço, que inclui obrigações, ações e outros títulos que podem ser confiáveis pelo seu valor, dado um mercado ativo para eles.
O ROE mede o nível de lucro que uma seguradora está a gerar como uma percentagem do património dos acionistas ou valor contabilístico. Um ROE de cerca de 10% sugere que a empresa cobre o seu custo de capital e gera um retorno suficiente para os acionistas. Quanto mais alto, melhor, e uma taxa na casa dos 15% é ideal para uma seguradora bem gerida.
Outro indicador importante é o resultado abrangente de investimentos (OCI). Esta métrica mostra as implicações de uma carteira de investimentos nos lucros. O OCI pode ser encontrado no balanço, mas também aparece na sua própria demonstração financeira. Dá uma indicação mais clara dos ganhos não realizados em investimentos e das alterações no património ou valor contabilístico, que são importantes de medir.
Várias métricas de avaliação são mais específicas do setor de seguros. A razão combinada (Combined Ratio) mede as perdas e despesas incorridas como uma percentagem dos prémios ganhos. Uma razão acima de 100% indica que a seguradora está a perder dinheiro na sua operação de seguros. Abaixo de 100% sugere lucro operacional.
No Reino Unido, as seguradoras frequentemente usam uma equivalência de prémio anual (APE) para medir e comparar vendas de apólices com prémios diferentes. APE compara prémios recorrentes de apólices existentes com prémios únicos de apólices novas.
Um relatório de banca de investimento recomendou focar no potencial de crescimento dos prémios, na possibilidade de introduzir novos produtos, na previsão da razão combinada do negócio e no pagamento esperado de reservas futuras e rendimentos de investimento associados ao novo negócio gerado pela seguradora (devido à diferença de timing entre prémios e sinistros futuros). Assim, o cenário de liquidação e a ênfase no valor contabilístico são os mais valiosos. Além disso, abordagens comparáveis que relacionam uma empresa às suas congéneres (como níveis e tendências de ROE) e transações de compra são úteis na avaliação de uma seguradora.
O fluxo de caixa descontado (DCF) pode ser usado para avaliar uma seguradora, mas é menos útil devido à dificuldade de estimar o fluxo de caixa. Isso deve-se à influência da carteira de investimentos e dos fluxos de caixa resultantes na demonstração de fluxos de caixa, dificultando a avaliação do fluxo gerado pelas operações de seguros. Outro fator mencionado acima é que esses fluxos levam muitos anos a serem gerados.
Exemplo do Mundo Real: Avaliação da MetLife e Outras Seguradoras
A seguir, um exemplo para ilustrar melhor a discussão acima. A seguradora de vida MetLife (MET) é uma das maiores do setor.
O ROE da MetLife tem, nos últimos dez anos, uma média de apenas 6,84%, sendo que 2017 foi um ano difícil, do qual se recuperaram. Este valor ficou abaixo da média do setor de 9,43% nesse período, mas a previsão é que o ROE da MetLife atinja entre 12% e 14% num futuro próximo. O ROE médio de dez anos da China Life é atualmente 10,78%, e o da Prudential é 0,57%. A MetLife está atualmente a negociar a um P/B de 0,5, abaixo da média do setor de 0,91. O P/B da China Life é 1,32, e o da Prudential é 1,68.
Com base nisso, a MetLife parece uma aposta razoável. O seu ROE está a voltar a valores de dois dígitos e está acima da média do setor. O seu P/B também está abaixo de 1, o que geralmente é um bom ponto de entrada para investidores, com base nas tendências históricas do P/B. A MetLife tem um ROE mais alto que a Prudential, mas inferior ao da China Life, e ambos os P/B são muito superiores. Aqui, torna-se importante aprofundar a análise às demonstrações financeiras de cada empresa. O OCI é importante na análise de carteiras de investimento, e será necessário analisar as tendências de crescimento para decidir se pagar um múltiplo de P/B mais elevado é justificado. Se essas empresas crescerem mais rápido que o setor, podem valer a pena pagar um prémio.
A Conclusão
Como em qualquer exercício de avaliação, há tanto arte quanto ciência na obtenção de uma estimativa de valor razoável. Os números históricos são fáceis de calcular e medir, mas a avaliação consiste em fazer uma estimativa razoável do que o futuro reserva. No setor de seguros, previsões precisas de métricas como o ROE são importantes, e pagar um P/B baixo pode ajudar a aumentar as probabilidades a favor dos investidores.