Quando era criança, eu costumava regar as hortaliças com meu avô no quintal.


O velhinho, enquanto regava as plantas, ficava com a cabeça baixa e reclamava, sem saber exatamente do que.
Sempre achei estranho, porque claramente ninguém o tinha provocado, por que ele sempre tinha tanta raiva?
Depois, abandonei os estudos, trabalhei, casei e me divorciei.
Um dia, enquanto entregava comida por delivery, de repente comecei a xingar o ar à minha frente.
Enquanto xingava, de repente me lembrei do meu avô.
Naquele momento, só então entendi que o velhinho nunca estava xingando os outros.
Ele estava xingando aquele eu que se sentia injustiçado, mas não sabia como se rebelar.
(Do usuário de ciclos)
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