Esta semana, o Federal Reserve voltará a estar no centro das atenções, e, honestamente, dentro do comitê já começará uma verdadeira luta. O consenso no mercado é claro — uma redução de 25 pontos base, mas aqui está o ponto: essa decisão parece mais um compromisso do que uma posição firme.



Alan Blinder, ex-vice-presidente do Fed, diz diretamente que a probabilidade de corte é maior do que a de manter a taxa inalterada. Mas o que é interessante — ele não descarta que seja exatamente esse tipo de corte “bico de pássaro”, onde a taxa cai, mas os sinais permanecem duros. Ou seja, provavelmente, Powell dará a entender ao mercado na coletiva: não esperem mais cortes consecutivos. É uma jogada clássica — redução, mas sem promessas.

Veja como as posições dentro do sistema diferem. O presidente do Federal Reserve de Boston, Collins, e o de Kansas City — ambos defendem que a inflação ainda está alta demais (2,8% de PCE básico em setembro, e a meta do Fed é 2%), e não há necessidade de pressa. Goolsbee, de Chicago, também expressa dúvidas. Por outro lado, Williams, de Nova York, há algumas semanas, indicou claramente apoio a um afrouxamento. E sabe o que é interessante? A ex-presidente do Fed de Cleveland, Mester, chamou atenção para o fato de que os vice-presidentes do Fed não dão sinais tão fortes sem o respaldo de cima. Isso significa que Powell provavelmente aprova esse passo.

E os dados? O mercado de trabalho mostra sinais mistos. Em setembro, foram criados 119.000 empregos, após uma queda de 4.000 em agosto. Oscilação para cima e para baixo. Mas o mais interessante — segundo os últimos relatórios, em novembro, os empregadores começaram a demitir mais, congelar contratações, reduzir horas. Algumas empresas já relatam que a inteligência artificial está substituindo posições iniciais. Mester acredita que a maior parte da fraqueza é causada por fatores de longo prazo que o Fed não controla — política migratória, mudanças na força de trabalho. Portanto, ela é cética quanto à eficácia de uma redução de taxa.

Por outro lado, Luke Tille, da Wilmington Trust, é mais otimista — prevê mais três cortes nas próximas reuniões, pois, na opinião dele, o mercado de trabalho continuará enfraquecendo. Ele estima que, em outubro, 154.000 funcionários públicos aceitaram aposentadorias antecipadas, o que pode elevar o desemprego em 0,1 ponto percentual. Além dos profissionais de saúde, o setor privado também mostra crescimento negativo no emprego. O quadro realmente parece fraco.

E o que o Bank of America projeta — uma posição interessante. Eles esperam mais duas reduções em junho e julho do próximo ano, mas não por razões econômicas, e sim por mudança na liderança do Fed. A lógica deles: se a taxa cair nesta semana, o Fed corre o risco de tornar a política excessivamente acomodatícia justamente quando os estímulos fiscais começarem a fazer efeito. Essa é uma perspectiva realmente interessante para as taxas internas e como elas se formarão no contexto de mudanças na liderança.

O Accenture projeta uma ou duas ações adicionais de afrouxamento no próximo ano, assumindo que o PCE básico ficará entre 2,5% e 2,7%, o PIB entre 1,5% e 1,8%, e o desemprego ao final do ano entre 4,4% e 4,6%. Essa é uma visão mais conservadora.

Nesta semana, vale ficar atento ao que os dirigentes dirão sobre o futuro. Na quinta-feira, o Fed divulgará a projeção trimestral de taxas para 2026. Este será um momento-chave — como eles veem o desenvolvimento das taxas internas, como planejam lidar com a inflação e a fraqueza do mercado de trabalho ao mesmo tempo. Em resumo, espere uma decisão de compromisso com sinais duros.
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