"Fraude de trilhões"? Este artigo que critica o Bitcoin comete 5 erros fatais

Recentemente, um artigo viralizou na comunidade - a tragédia do veterano OG Yang Haipo sobre a criptomoeda estar chegando ao fim.

O texto é logicamente rigoroso, com dados detalhados e uma análise completa, e pode-se até dizer — após ler, é difícil não ficar abalado.

Sua conclusão central é bem simples:

Bitcoin é um sistema sem fluxo de caixa, de consumo contínuo, que depende de novos fundos para se sustentar, e eventualmente irá colapsar.

Parece familiar? Se você está neste setor há bastante tempo, vai perceber — quem aposta contra o Bitcoin, quem diz que o Bitcoin é uma pirâmide de Ponzi, aparece em cada ciclo.

Em 2014, alguém disse isso; em 2018, alguém disse de novo; em 2022, também; agora é 2026, e ainda há quem diga o mesmo.

Mas toda vez, parece que o Bitcoin resiste à pressão, e cada recuperação é bastante forte.

Então, aqui, não vou “contrapor” de imediato, primeiro vamos desmontar e ver qual problema há nesta lógica aparentemente infalível.

Primeira arma: ele trata o Bitcoin e toda a indústria como se fosse uma empresa

Este é o problema mais oculto, mas também o mais fatal de todo o artigo. O autor usa uma análise bastante familiar: calcula-se a receita total do setor, os custos totais, além do fluxo de caixa e consumo, e conclui-se que: trata-se de um sistema de soma negativa sem receita!

Parece razoável, não é? Mas o problema é — o Bitcoin não é uma empresa, e toda a indústria de criptomoedas também não é uma.

O autor começa usando ouro como exemplo, dizendo que metade da demanda é de consumo físico, com custo de manutenção zero. Diz que o Bitcoin tem custos de mineração; será que o ouro não tem custos de extração? O ouro também não possui fluxo de caixa intrínseco, assim como a moeda soberana, que também não gera fluxo de caixa ou lucro.

Tanto a moeda soberana quanto o ouro são produtos de consenso, ou seja, de um sistema monetário. O ouro é um consenso que dura milênios; na antiguidade, as pessoas usavam conchas como meio de troca, e o sistema monetário é imposto pelo Estado. Um papel de 100 yuan não vale realmente 100 yuan, é uma imposição do Estado; e, quando a confiança na moeda soberana se perde, ela se desvaloriza rapidamente, como o dólar zimbabuano.

Portanto, o Bitcoin é um ativo de sistema de consenso. Uma empresa pode usar DCF para avaliá-lo, mas moeda e ativos de consenso devem ser avaliados por: consenso, escassez, liquidez e rede de confiança.

Assim, usar o “modelo de empresa” na arquitetura superior para negar o “sistema monetário” está errado — é como usar um termômetro para medir comprimento.

Segunda arma: “Sistema de soma negativa”? É uma falácia

No artigo, há uma fórmula bastante “explosiva”: fluxo líquido = consumo histórico + saldo de garantia. O consumo histórico é energia elétrica de mineração, o dinheiro ganho pelos operadores, a receita das exchanges, e a garantia é o saldo de stablecoins + emissão de tokens.

Ele faz várias estimativas e chega à conclusão de que o Bitcoin é um jogo de soma negativa, e muitos provavelmente se convenceram ao ler isso.

Mas há uma troca fatal: ele considera todos os custos como “consumo”.

Vamos olhar de outro ângulo: a mineração de ouro requer energia, máquinas, mão de obra; os profissionais de ouro precisam de salários; o armazenamento de ouro custa dinheiro; as transações também custam dinheiro. Se calcular assim, o ouro também seria um sistema de soma negativa.

O sistema fiduciário é igual: impressão de dinheiro, circulação, salários dos funcionários bancários. Também é um sistema de soma negativa.

Mas a realidade é que esses sistemas não colapsaram; pelo contrário, formam a estrutura fundamental do mundo.

Então, onde está o problema? O problema é que custo ≠ consumo! É justamente por causa desses custos, pelo esforço de quem trabalha, que eles têm valor.

Por exemplo, o custo do fiat é a impressão de dinheiro, a circulação bancária, a força militar do Estado — esses custos fazem o dinheiro manter seu valor, pois o processo de transformar custos em “ativos de confiança”.

Já o consumo de energia na mineração de Bitcoin é, na essência, transformar eletricidade em segurança imutável — ou seja, criar crédito. Da mesma forma, a IA também está transformando energia em tokens, que também têm valor.

Terceira arma: “Sem receita externa”? Já está ultrapassado

Há uma avaliação crucial no artigo: o mundo cripto não tem fluxo de caixa externo!

Hoje, o volume de stablecoins na indústria de criptomoedas está crescendo continuamente, e com a aprovação de leis sobre stablecoins, espera-se que cada vez mais tokens sejam colocados na cadeia. Estimativas iniciais apontam para um valor na casa de trilhões de dólares; atualmente, passa de 300 bilhões, mais que o dobro de 2021.

Além disso, há entrada de ETFs e empresas de DAT, e o número só aumenta: além de ETFs de BTC, também há de ETH, SOL, SUI, e até DOGE.

E Trump anunciou o plano 401k, permitindo que os fundos de aposentadoria dos EUA participem parcialmente de criptomoedas. Esses fundos vêm do setor financeiro tradicional, então o fluxo externo de dinheiro está crescendo — e não lentamente! Ele também menciona isso no texto, mas sua opinião é que, no futuro, não será mais possível obter esse fluxo. Só nos resta esperar e ver! Afinal, isso é uma opinião pessoal, não uma verdade absoluta.

Quarta arma: “Compradores acabaram”? Já foi provado o contrário várias vezes

Depois, há outro ponto: dizem que não há mais novos compradores, seja de investidores de varejo, ETFs ou DATs, e que essa será a última injeção de sangue!

Na verdade, toda rodada tem esse tipo de afirmação — que não haverá mais novos “cebolas” para comprar. O autor tem uma hipótese oculta: o mercado cresce de forma linear!

Ninguém consegue prever quem será o próximo a entrar, pois o setor está em desenvolvimento. Quem imaginaria, por exemplo, que em 2016 surgiria o DeFi? Na época, todos achavam que as blockchains públicas estavam saturadas, sem novas histórias. Em 2019, veio o NFT; em 2022, ETFs de novo, e assim por diante.

Quinta arma: o esquema de alta relação preço/vendas

No final, o artigo afirma que a relação preço/vendas do cripto é muito maior que a tradicional. Como o Bitcoin foi comparado a uma empresa, a comparação com o dólar também é válida — o mercado de dólares é de dezenas de trilhões, então essa comparação é justa, sem críticas aqui.

Por fim, acho que o maior problema do artigo não são os dados apresentados, mas uma “interpretação” fundamental: que o preço é o resultado. No sistema monetário, o preço é definido pelo consenso: se o Estado diz que uma nota vale 100, ela vale 100; se as pessoas acreditam que o ouro vale 4 mil, ele vale 4 mil.

Da mesma forma, posso dizer ao meu amigo que uma pedra de coração vale 10 mil, e ela valerá.

Este artigo parece negar o Bitcoin, mas, se colocarmos no contexto do ouro e do fiat, ele também nega o ouro, o fiat e até o sistema de crédito humano.

Algumas coisas, ao serem comparadas, revelam problemas. O Bitcoin só zerará se todos deixarem de acreditar nele. Enquanto duas pessoas acreditarem no valor, ele não zerará!

Se você achou este artigo valioso, compartilhe com alguém que foi assustado com “Bitcoin vai zerar”. Algumas lógicas, se não forem analisadas cuidadosamente, podem enganar de verdade.

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