Os arquivos Epstein revelam um aspecto fascinante e perturbador da história do Bitcoin. Os arquivos recentemente divulgados mostram conexões diretas entre o financista falecido e vários dos desenvolvedores mais influentes do protocolo Bitcoin.



O que realmente se destaca é o interesse precoce de Epstein pelo Bitcoin e pela moeda digital. Entre 2002 e 2017, ele doou 850.000 dólares ao MIT, dos quais 525.000 dólares foram especificamente destinados à Iniciativa de Moeda Digital do MIT Media Lab. Em 2015, parte desses fundos foi usada para financiar contribuidores do Bitcoin Core que se juntaram ao laboratório após a falência da Bitcoin Foundation.

Joichi Ito, que liderava o MIT Media Lab na época, mantinha uma correspondência regular com Epstein. Os e-mails mostram que Ito via o recrutamento de desenvolvedores de Bitcoin como uma grande vitória para a instituição. É interessante ver como os fundos de Epstein ajudaram a posicionar o MIT como um centro-chave para o trabalho com Bitcoin.

Jeremy Rubin, desenvolvedor reconhecido do Bitcoin Core, é particularmente bem documentado nesses arquivos. Em dezembro de 2015, ele entrou em contato diretamente com Epstein para solicitar financiamento para suas pesquisas. Epstein propôs várias possibilidades de acordo: um salário direto, um investimento em uma empresa ou financiamento de pesquisa. Os e-mails de 2018 mostram que Rubin até sugeriu oportunidades de investimento em criptomoedas, embora Epstein tenha recusado, citando preocupações éticas.

Três outros desenvolvedores principais do Bitcoin Core aparecem nos arquivos: Gavin Andresen, Wladimir van der Laan e Cory Fields. Todos eles ingressaram no MIT Media Lab em 2015, quando a Bitcoin Foundation entrou em colapso. Epstein até tentou se encontrar com Andresen em 2011, pouco depois que ele assumiu o controle do Bitcoin como mantenedor principal do código fonte.

Amir Taaki, um contribuinte influente do Bitcoin Core desde o início, também foi contatado. Epstein escreveu diretamente para ele em julho de 2011, expressando interesse pelo Bitcoin enquanto levantava preocupações. Taaki e seu parceiro Donald Norman decidiram cortar as comunicações após investigarem o passado de Epstein.

O que realmente impressiona é o alcance dessas tentativas de conexão. Epstein usava claramente seus recursos, sua rede e sua influência para estabelecer relações com figuras-chave do desenvolvimento do Bitcoin. Alguns desenvolvedores aceitaram o envolvimento, outros rejeitaram. Mas a intenção era clara: moldar o desenvolvimento de uma blockchain avaliada em 1,5 trilhão de dólares.

Os desenvolvedores de Bitcoin mencionam que sua inclusão nesses arquivos não significa necessariamente má conduta de sua parte. Todas as interações ocorreram após as condenações de Epstein em 2008. Rubin e Taaki também comentaram publicamente essas revelações, afirmando que a divulgação dos e-mails pode contribuir para uma melhor compreensão da corrupção sistêmica.

É um lembrete interessante de como até projetos descentralizados como o Bitcoin podem atrair a atenção de atores poderosos que buscam influenciar sua direção. Os arquivos Epstein oferecem uma visão sem precedentes dos bastidores dessa história.
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