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Acabei de perceber algo interessante na última declaração 13F da Berkshire Hathaway. Com Warren Buffett oficialmente entregando as rédeas a Greg Abel no final de 2025, o mundo dos investimentos está de olho para ver o que acontecerá com aquele portfólio massivo de $318 bilhões. E, honestamente, a concentração é bastante marcante.
Então, aqui está o que se destaca: quase 61% de tudo que a Berkshire investiu está em apenas cinco ações. A Apple sozinha representa 19,5% do portfólio, American Express 15,3%, Coca-Cola 10,1%, Bank of America 8,2% e Chevron completa com 7,6%. São muitos ovos em cinco cestas.
Agora, a parte interessante é quais participações Abel provavelmente deixará intocadas. Coca-Cola e American Express são o que Warren Buffett chamou de "posições indefinidas" na carta aos acionistas de 2023. Essas não são apenas posições—são investimentos legados. Coca-Cola está na carteira desde 1988, AmEx desde 1991. E o retorno sobre o custo é absolutamente insano. Estamos falando de um rendimento anual de 63% na Coca-Cola e 39% na American Express em relação ao custo original. Por que alguém venderia isso?
Mas aqui é onde fica interessante. Apple e Bank of America? Essas podem ser histórias diferentes. Quando Warren Buffett comprou Apple pela primeira vez em 2016, foi uma pechincha. Agora? O índice P/E quase triplicou. Com 34x lucros, está parecendo bastante caro pelos padrões de investimento em valor. O mesmo acontece com Bank of America—Buffett comprou ações preferenciais em 2011, quando as ações ordinárias estavam sendo negociadas com um desconto de 62% em relação ao valor patrimonial. Hoje, estão sendo negociadas com um prêmio de 31%. Isso é uma mudança enorme na avaliação.
A questão que todo mundo está fazendo é se Greg Abel, que claramente entende de investimento em valor tanto quanto seu predecessor, começará a reduzir essas posições. Dado seu background na gestão da MidAmerican Energy, não ficaria surpreso se ele, na verdade, aumentasse a exposição à Chevron. A dinâmica do setor de energia é algo que ele conhece intimamente, e o modelo integrado da Chevron—com oleodutos, refinarias e usinas químicas que fazem hedge contra oscilações no preço do petróleo—provavelmente atrai essa mentalidade focada em valor.
O que fica claro é que, embora Abel possa ajustar o portfólio, a filosofia central não mudará. Warren Buffett construiu a Berkshire com foco em encontrar valor genuíno e manter negócios de qualidade a longo prazo. Isso não vai mudar. Mas as apostas específicas? Essas podem certamente parecer diferentes nos próximos anos.