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Colapso de metais preciosos e a batalha de preenchimento do gap do CME do Bitcoin: os touros esperam uma recuperação de médio prazo
No início de fevereiro, uma notícia de nomeações no setor de recursos humanos desencadeou uma reação em cadeia nos mercados globais de ativos. Assim que foi divulgada a nomeação de Kevin Waugh para a presidência do Federal Reserve por Trump, o mercado entrou imediatamente em pânico com o que ficou conhecido como o “Impacto Waugh”. Este candidato considerado hawkish (de postura agressiva) gerou preocupações entre os investidores de que a era de expansão do balanço dos ativos estava chegando ao fim, enquanto o aumento dos riscos geopolíticos — com o líder supremo do Irã, Khamenei, emitindo alertas de “guerra regional” e os EUA implantando grupos de porta-aviões — levou essa ansiedade a níveis extremos. A reação coletiva do mercado foi uma rápida valorização do dólar, enquanto metais preciosos e commodities sofreram derrotas múltiplas.
Metais preciosos e commodities caem em uníssono, a lógica de refúgio se inverte novamente
A queda do ouro à vista foi a mais dramática. Este ativo, outrora considerado o refúgio supremo, caiu de uma máxima histórica de US$ 5.596, com uma queda diária de 9%, e acabou rompendo a barreira de US$ 4.450. Não foi apenas uma correção técnica, mas uma retração profunda de mais de US$ 1.100 — parte dos lucros de quase cinco anos de alta foram zerados em um único dia. Ainda mais chocante foi a prata à vista, que, com maior volatilidade, despencou mais de 14% no dia, rompendo a linha de US$ 73 e registrando a terceira maior queda entre ativos de commodities globais.
Na London Metal Exchange (LME), o ambiente também era severo. O cobre caiu mais de 5%, enquanto o níquel na LME despencou 6%, para US$ 16.496,20 por tonelada. No mercado doméstico, o mercado de lítio atingiu o limite de baixa, com preços caindo para R$ 132.440 por tonelada. O petróleo WTI, sob forte impacto do dólar forte, também não escapou, caindo para cerca de US$ 62. Frente a tamanha volatilidade, a Bolsa de Futuros da Tailândia foi forçada a tomar medidas — limitando a variação diária dos contratos futuros de prata a ±30% do último preço de liquidação e suspendendo as negociações de futuros de ouro.
Porém, essa queda extrema também carregava sementes de uma possível recuperação. Michael Brown, estrategista da Pepperstone, apontou que o movimento de queda nos metais apresenta características clássicas de excesso — “queda forte e rápida”, o que frequentemente indica uma “reação de gato morto” (rebound falso). Do ponto de vista dos fundamentos de longo prazo, o otimismo com metais preciosos permanece intacto: bancos centrais continuam comprando, a demanda de varejo é robusta, e, diante do aumento dos riscos geopolíticos, metais preciosos continuam sendo uma opção de refúgio mais segura do que o dólar ou os títulos do Tesouro dos EUA. A questão central é: o mercado já eliminou completamente a bolha e as posições especulativas, permitindo que os fundamentos retomem o controle do movimento de preços?
Bitcoin atinge suporte crítico, batalha pelo fundo se intensifica
Em sintonia com o colapso dos metais, o Bitcoin caiu de forma mais direta e agressiva. O “ouro digital” que já foi símbolo de reserva de valor, rompeu a marca de US$ 75.000, atingindo um mínimo de US$ 74.612, o menor em 10 meses. Isso significa que o Bitcoin caiu pelo quinto mês consecutivo e que está a apenas cerca de US$ 100 de uma importante linha de suporte psicológico de US$ 74.501 — o mercado está dançando na ponta da faca.
Para os investidores de longo prazo, esse preço representa uma pressão significativa. Strategy, de Michael Saylor, detém aproximadamente 712.647 bitcoins com um preço médio de compra de cerca de US$ 76.000, e, com o preço atual, já enfrenta uma perda não realizada superior a US$ 900 milhões. Isso não é apenas uma estatística fria, mas um teste severo na confiança de suas posições.
Analistas de mercado estão formando um consenso sobre o fundo. Ardi, Greeny e ERROR indicam que a faixa entre US$ 70.000 e US$ 75.000 constitui um suporte crucial, cuja perda poderia ser altamente destrutiva. Outros analistas alertam que, se o Bitcoin não conseguir segurar os US$ 70.000, o próximo suporte pode estar em US$ 69.000 ou até US$ 54.000. Caroline Mauron, cofundadora da Orbit Markets, destacou a importância psicológica dessa faixa — uma queda adicional abaixo de US$ 70.000 poderia prejudicar gravemente a confiança de longo prazo no mercado.
Na batalha pelo fundo, a visão de baixa ainda predomina. Astronomer acredita que a “última linha de defesa” em US$ 74.300 é uma armadilha, recomendando manter posições vendidas ou neutras. O analista técnico Doctor Profit é ainda mais pessimista — a quebra da média móvel de 100 semanas confirmou o início de um mercado bear (de baixa), com um possível fundo de ciclo entre US$ 54.000 e US$ 44.000. Ali Charts prevê uma possível queda para US$ 42.256 se o suporte principal for perdido. Rekt Capital, por sua vez, cita padrões históricos de cruzamentos de médias móveis de 21 e 50 semanas, que indicam sinais de bear market (mercado em baixa) no passado.
Ethereum quebra US$ 2.200, sinais técnicos apontam para fundo
O Ethereum também enfrenta testes severos. Sua principal criptomoeda caiu abaixo de US$ 2.200 durante a forte correção do mercado. Ali Charts aponta que a faixa de US$ 2.100 a US$ 2.250 foi uma resistência importante nos últimos dois anos, mas que, na tentativa de uma correção profunda em torno de US$ 1.800, muitos investidores planejam “vender a casa para comprar na baixa” — uma expressão que já indica que o fundo pode estar abaixo do preço atual. CJ analisa que o suporte de US$ 2.100 não é tão sólido quanto parece, prevendo que o mercado continuará a cair até a faixa de US$ 1.800 a US$ 2.000 para formar um fundo mais firme.
Por outro lado, há sinais técnicos positivos. Michaël van de Poppe observa que o RSI diário do Ethereum e de muitas altcoins caiu abaixo de 30, um clássico sinal de fundo na análise técnica. Além disso, sua análise histórica sugere que, apesar da queda de 31% até agora, o Ethereum pode, posteriormente, registrar uma alta de mais de 300% em relação ao Bitcoin, oferecendo esperança para investidores de fundo.
No setor de altcoins, a maioria também recuou significativamente, com quedas diárias entre 4% e 6% em projetos como SOL, BNB e XRP. O setor SocialFi, por sua vez, mostrou-se relativamente resistente, atuando como um refúgio em meio à turbulência.
Fluxo acelerado de capitais, ETFs de Bitcoin e Ethereum atingem recordes de saída líquida
A ação institucional reflete a verdadeira postura do mercado. Até 30 de janeiro, os ETFs de Bitcoin tiveram uma saída líquida de US$ 1,49 bilhão nesta semana, o segundo maior fluxo negativo semanal da história. Isso indica uma retirada coletiva de recursos por parte das instituições em meio ao pânico. Os ETFs de Ethereum também sofreram, com uma saída de US$ 327 milhões nesta semana. Outros ETFs principais também apresentaram saídas: US$ 52,26 milhões de XRP e US$ 2,45 milhões de SOL.
Esses números mostram que, quando o mercado entra em pânico extremo, os investidores institucionais tendem a reagir de forma semelhante — saindo primeiro, pensando depois. Contudo, a história também revela que grandes fluxos de saída muitas vezes indicam que o mercado já está extremamente descontado, e que uma recuperação pode estar se formando nas sombras.
Ondas de liquidação e índices de medo e ganância atingem máximos, consenso de fundo surge
O índice de medo e ganância caiu para 14, na zona de “extremo medo”. Este indicador de sentimento de mercado atingiu níveis históricos. Ainda mais, os dados de liquidação (liquidation) mostram que, em 2 de fevereiro, um total de 160.112 traders foram liquidados globalmente em um único dia, totalizando US$ 648 milhões, sendo US$ 216 milhões de Bitcoin, US$ 221 milhões de Ethereum e US$ 29,5 milhões de Solana.
Essas liquidações em massa representam uma espécie de “limpeza” do mercado. Posições altamente alavancadas são eliminadas em meio à volatilidade, criando espaço para uma possível recuperação de fundo. Segundo padrões históricos, quando o índice de medo atinge esses níveis e o volume de liquidações é tão elevado, o fundo geralmente já está próximo.
Analistas focam na perspectiva de recuperação, US$ 84.000 como ponto-chave de observação
Embora a maioria seja pessimista, alguns analistas mantêm uma postura mais otimista de curto prazo. O trader Killa prevê que, nas próximas semanas, será necessário preencher a lacuna de US$ 84.000 nos contratos futuros de CME — um ponto de referência importante para os touros. AlphaBTC espera uma recuperação em fevereiro até a faixa de US$ 87.000 a US$ 88.000, seguida de uma nova queda profunda no final do mês, formando um padrão de “V” de recuperação rápida e posterior nova baixa, algo comum na história.
Raoul Pal, macroeconomista, relaciona a queda do Bitcoin ao movimento de ações SaaS, atribuindo a uma questão de liquidez macroeconômica, e não a problemas internos do mercado cripto. Essa mudança de perspectiva macro sugere que, se a liquidez global se recuperar, o Bitcoin, por ser sensível a liquidez, pode liderar a recuperação. Jim Cramer, apresentador da CNBC, foi mais direto, afirmando que há uma forte entrada de compradores e que o preço pode subir para US$ 82.000.
Crypto Chase oferece uma visão de trade — o Bitcoin pode experimentar uma forte recuperação na faixa de US$ 60.000 a US$ 65.000, formando uma zona de suporte potencial.
Grandes desbloqueios e vencimentos de opções, variáveis de mercado a serem observadas
Além dos sinais técnicos e de sentimento, o mercado deve acompanhar eventos importantes. Tokens como HYPE, BERA e XDC terão grandes desbloqueios, com HYPE representando cerca de US$ 305 milhões em oferta adicional, o que pode pressionar o mercado a curto prazo.
O mercado de opções também é crucial. Com US$ 9,5 bilhões em opções de Bitcoin e Ethereum prestes a vencer, o preço de maior dor para o Bitcoin é US$ 90.000 — um nível que se tornou alvo de disputa entre traders de opções. Antes do vencimento, a volatilidade de preços tende a aumentar, tornando-se um foco de atenção de curto prazo.
A notícia de que o governo dos EUA convocou bancos e empresas de criptomoedas para reuniões indica possíveis mudanças no quadro regulatório, o que pode impactar a confiança de longo prazo. A Strategy divulgou seus relatórios do Q4 de 2025 e realizará uma videoconferência, além de gerenciar uma carteira de mais de 71.2 mil bitcoins, estratégias que também podem influenciar o ritmo do mercado.
Consenso de fundo e mecanismos de recuperação
Diversos sinais indicam que o fundo está se formando: o índice de medo e ganância atingiu níveis extremos, há liquidações em massa, fluxo de capitais continua saindo, sinais técnicos apontam para fundo (RSI<30), e analistas estão formando um consenso na faixa de US$ 54.000 a US$ 75.000. Esses fenômenos, ocorrendo de forma conjunta, geralmente indicam que o mercado entrou em uma fase de extremo desconto.
A expectativa de preencher a lacuna dos US$ 84.000 nos contratos futuros (CME), a recuperação da liquidez macroeconômica, a volatilidade antes do vencimento de opções e a reavaliação dos fundamentos após desbloqueios de tokens podem atuar como gatilhos para uma recuperação. Para os investidores, o mais importante atualmente não é precisar o fundo exato, mas reconhecer que as características de fundo já estão presentes e estar preparado para uma possível reação de alta.