Tensões geopolíticas e o mercado de criptomoedas: por que as preocupações com a crise do Estreito de Hormuz estão a ser superavaliadas

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Geração do resumo em andamento

X(antigo Twitter) tem vindo a ser palco de preocupações crescentes entre investidores em criptomoedas acerca de uma possível queda do mercado devido à deterioração da situação no Médio Oriente. No entanto, é provável que a ansiedade dos participantes do mercado esteja a ser exagerada em relação à realidade.

Recentemente, Israel e os Estados Unidos realizaram ataques aéreos contra o Irão. Isto elevou rapidamente a tensão na região, levantando a hipótese de um conflito total. Esta instabilidade acabou por afetar o mercado de criptoativos, que tradicionalmente funciona como refúgio durante períodos de incerteza. O Bitcoin (BTC) caiu de cerca de 65.600 dólares para 63.000 dólares, recuperando depois para perto de 65.000 dólares. Por outro lado, os futuros ligados ao petróleo da Hyperliquid subiram mais de 5%.

Contudo, a agitação do mercado na altura parece ter sido mais influenciada por fatores psicológicos do que por impactos económicos reais.

Fundamentos e preocupações do mercado sobre o bloqueio do Estreito de Hormuz

O Estreito de Hormuz situa-se ao norte do Irão e ao sul de Omã, com uma largura máxima de apenas 21 milhas. Segundo dados da Agência de Informação de Energia dos EUA (EIA), em 2024, cerca de 20 milhões de barris de petróleo atravessaram diariamente este estreito, representando aproximadamente 20% do fluxo mundial de petróleo.

Se o Estreito de Hormuz fosse efetivamente bloqueado, os preços do petróleo poderiam disparar de 120 para cerca de 150 dólares por barril, provocando um choque inflacionário global. Uma conta no Twitter relacionada com criptomoedas, “Crypto Diet”, partilhou essa opinião, alertando que um conflito direto entre os EUA e o Irão não seria apenas uma preocupação geopolítica, mas um evento de impacto económico mundial. Muitos especialistas concordam com esta visão.

A estratega geopolítica Verina Chakarova também advertiu que, mesmo antes do início de qualquer ataque, os preços do petróleo já estavam em níveis não vistos há seis meses. Ela destacou a influência significativa do Irão, um membro fundador da OPEP, e o risco de o estreito, uma rota logística crucial, estar sob ameaça direta. Além disso, várias empresas comerciais estão a considerar suspender temporariamente o transporte de petróleo e combustíveis através do estreito.

Será que um colapso total é realmente provável? Análise fria

Por outro lado, muitos especialistas afirmam que um bloqueio completo do estreito é pouco provável. Daniel Racahel, economista-chefe da Trésis, descreve a hipótese de o Irão fechar o estreito como “como atirar no próprio pé”.

Atualmente, o Irão produz cerca de 3,3 milhões de barris de petróleo por dia, mas exporta aproximadamente metade disso, principalmente para a China, seu aliado. Assim, bloquear o estreito prejudicaria gravemente a própria economia iraniana.

Importa também notar que os países membros da OPEP podem compensar rapidamente qualquer perturbação na oferta. Além disso, os EUA continuam a ser o maior produtor mundial de petróleo. Mesmo que os preços subam, o aumento e a duração do mesmo seriam limitados e temporários.

Restrições geográficas: o controlo do Irão sobre o estreito é tecnicamente difícil

Outro fator frequentemente ignorado é a questão geográfica. O Estreito de Hormuz divide-se quase ao meio entre o Irão e Omã, sendo que a maior parte da navegação de grandes petroleiros ocorre em águas sob jurisdição de Omã.

As águas iranianas são mais rasas, enquanto as de Omã são mais profundas e adequadas para a navegação de grandes navios-tanque. Assim, mesmo que o Irão bloqueasse unilateralmente a sua parte, a continuidade do transporte através das rotas de Omã é altamente provável.

O especialista em energia Anas Alhaj afirmou no X que “a maioria das rotas de navegação está do lado de Omã, não do Irão. O Estreito de Hormuz nunca foi completamente bloqueado, apesar de todas as guerras passadas. É demasiado largo e a vigilância é demasiado rigorosa.”

Cenário de guerra total: uma preocupação maior do que o bloqueio

De uma perspetiva global, a probabilidade de o Irão bloquear deliberadamente o estreito para interromper o fornecimento mundial de petróleo é muito baixa.

No entanto, se ocorrer uma guerra total no Médio Oriente, a situação muda de figura. Nesse caso, o mercado entraria numa fase de forte aversão ao risco, afetando também as criptomoedas. O Bitcoin poderia até mesmo cair abaixo dos 60.000 dólares.

De facto, o gráfico do Bitcoin sugere padrões históricos que indicam uma possível intensificação do mercado baixista. Se uma guerra de grande escala no Médio Oriente se concretizar, é quase certo que todos os ativos de risco, incluindo as criptomoedas, sofrerão vendas massivas. Atualmente, o BTC está a ser negociado a cerca de 67.340 dólares, com uma queda de 1,40% nas últimas 24 horas.

Perspetivas para os investidores

Em suma, a maioria dos especialistas considera que o cenário de bloqueio total do Estreito de Hormuz, defendido por alguns na comunidade de criptomoedas, está a ser exagerado. O impacto económico de uma interrupção no fornecimento de petróleo é uma preocupação, mas o que realmente pode afetar o mercado de criptomoedas é uma guerra total, que deterioraria a perceção do risco global.

Os investidores devem manter a calma, distinguindo entre cenários improváveis e os riscos reais, evitando serem levados por uma ansiedade infundada.

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