O mediador tinha acabado de anunciar o acordo com a Facebook nos termos na mesa: 65 milhões de dólares. A sala estava silenciosa. Os advogados de Mark Zuckerberg aguardavam uma resposta. Poderiam ter terminado ali, com dois jovens pegando o dinheiro e seguindo com suas vidas. Em vez disso, Tyler virou-se para Cameron e juntos olharam para o outro lado da mesa. “Vamos optar pelas ações.” Foi um momento que definiria tudo o que viria depois. Não era uma decisão comum: o Facebook ainda era privado, suas ações poderiam teoricamente não valer nada, a empresa poderia falir amanhã. O dinheiro era tangível, seguro. As ações eram uma aposta total. Mas quando o Facebook abriu o capital em 2012, esses títulos, inicialmente avaliados em 45 milhões, transformaram-se em quase 500 milhões. Os irmãos Winklevoss não venceram a batalha contra Zuckerberg, mas venceram a guerra. E aquela disputa legal os transformaria em algo mais: observadores privilegiados de como as melhores ideias conquistam o mundo.
Quando algoritmos vêm antes do dinheiro: a visão esquecida dos Winklevoss
Cameron e Tyler eram gêmeos idênticos nascidos em 21 de agosto de 1981 em Greenwich, Connecticut. Uma única diferença: Cameron é canhoto, Tyler destro. Desde a infância demonstraram uma coordenação excepcional. Aos 13 anos, ensinavam a si mesmos HTML e construíam sites para empresas locais. Mais tarde, descobriram a competição de remo e a transformaram numa paixão obsessiva. No remo de oito, um atraso de milissegundos significa perder. Compreendiam o valor do timing perfeito e da colaboração sem atritos.
Em Harvard, a partir de 2000, continuaram essa dupla vida: atletas olímpicos durante o dia, pensadores inovadores à noite. Em dezembro de 2002, no terceiro ano, conceberam o HarvardConnection, posteriormente renomeado ConnectU. A ideia era elegante: uma rede social exclusiva para estudantes universitários de elite, começando por Harvard. Entendiam profundamente o que sua geração desejava—conexão digital sem awkwardness. Mas eles não eram programadores. Em setembro de 2003, apresentaram sua visão a um estudante do segundo ano especializado em informática: Mark Zuckerberg.
Ele ouviu atentamente, fez anotações, fez perguntas inteligentes sobre design e tecnologia. Pareceu genuinamente envolvido. Por semanas colaboraram, discutiram implementações, planejaram o futuro. Então, em 11 de janeiro de 2004, Zuckerberg registrou o domínio thefacebook.com. Quatro dias depois, não compareceu à próxima reunião. Em 4 de fevereiro de 2004, lançou o Facebook. Quando os Winklevoss leram no Crimson que seu programador tinha se tornado um concorrente, entenderam que tinham sido traídos.
O que se seguiu foi uma guerra legal de quatro anos que, paradoxalmente, os transformou em especialistas em plataformas de negócios. Observaram o Facebook conquistar os campi, depois as escolas secundárias, por fim o mundo inteiro. Viram o crescimento dos usuários, analisaram o modelo de monetização, compreenderam o efeito rede. Quando chegaram a um acordo em 2008, sua compreensão interna do Facebook superava a de qualquer pessoa fora da própria empresa. Aprenderam lendo seu inimigo.
De Greenwich ao Bitcoin: quando o valor oculto se torna óbvio
Depois de transformar seu insucesso em riqueza através das ações do Facebook, os irmãos Winklevoss tentaram se tornar investidores-anjo no Vale do Silício. Cada startup que contataram rejeitou-os. A razão era simples: o nome Winklevoss tinha se tornado radioativo graças a Zuckerberg. Seu dinheiro era veneno. Devastados pela rejeição sistemática, em 2012 fugiram para a liberdade: Ibiza.
Em um clube, encontraram um estrangeiro chamado David Azar, que empunhava uma nota de um dólar como se fosse uma relíquia. “Uma revolução”, disse. Naquela noite, na praia, explicou o conceito: uma moeda totalmente descentralizada, com limite fixo de 21 milhões de unidades. Ninguém podia criá-la do nada. Nenhuma autoridade central podia controlá-la. Era ouro para a era digital.
Os Winklevoss não conheciam o Bitcoin. Em 2012, quase ninguém o conhecia. Mas eles tinham uma particularidade: eram formados em economia por Harvard, que acabaram de assistir a uma startup de dormitório transformar-se em um monstro de bilhões de dólares. Compreendiam o valor da visão antecipada.
Em 2013, quando Wall Street ainda tentava entender o que eram criptomoedas, os irmãos Winklevoss investiram 11 milhões de dólares quando o preço do Bitcoin estava em torno de 100 dólares. Eram olímpicos, filhos de uma família rica, jovens com possibilidades infinitas—e ainda assim arriscaram milhões de dólares numa moeda digital que a maioria associava a traficantes de drogas e anarquistas. Seus amigos achavam que estavam loucos. Mas eles tinham visto uma ideia impossível tornar-se inevitável.
Sua lógica era cristalina: se o Bitcoin se tornasse uma nova forma de moeda global, os primeiros detentores obteriam retornos astronômicos. Se falhasse, poderiam perder. Quando, em 2017, o Bitcoin atingiu 20.000 dólares, aqueles 11 milhões multiplicaram-se para mais de 1 bilhão de dólares. Estavam entre os primeiros bilionários de Bitcoin no mundo. O modelo era claro: reconhecer oportunidades que outros ainda não viam.
Gemini e o poder da conformidade: construir infraestruturas ao invés de procurar atalhos
Mas os Winklevoss não eram acumuladores passivos. Em 2013, apresentaram à SEC uma proposta para o primeiro ETF de Bitcoin. Era uma proposta quase destinada ao fracasso—mas alguém tinha que fazer. A SEC recusou em março de 2017, citando manipulação de mercado. Recusou novamente em julho de 2018. Mas essas recusas estabeleceram as bases para outros. Em janeiro de 2024, o ETF de Bitcoin spot foi finalmente aprovado, simbolizando que a estrutura que os Winklevoss começaram a construir uma década antes finalmente começava a dar frutos.
Em 2014, o ecossistema Bitcoin vivia em caos. Charlie Shrem, CEO da BitInstant (uma plataforma na qual investiram), foi preso por lavagem de dinheiro relacionada à Silk Road. Mt. Gox, a principal exchange de Bitcoin, foi hackeada e perdeu 800.000 Bitcoins. As infraestruturas nas quais apostaram desmoronaram. Mas no caos viram uma oportunidade: a indústria cripto precisava de legitimidade.
Fundaram a Gemini em 2014. Enquanto outras plataformas de criptografia operavam em zonas cinzentas legais, a Gemini trabalhou diretamente com os reguladores do Estado de Nova York para construir uma estrutura de conformidade cristalina. Compreendiam que, para as criptomoedas se tornarem mainstream, era necessária uma infraestrutura de nível institucional. O Departamento de Serviços Financeiros de Nova York concedeu à Gemini uma licença fiduciária de propósito limitado, tornando-a uma das primeiras exchanges de Bitcoin legalmente autorizadas nos EUA.
Essa não foi uma vitória fácil. Em 2024, a Gemini enfrentou uma batalha legal relacionada ao seu programa Earn, com um acordo de liquidação de 2,18 bilhões de dólares. Mas a exchange sobreviveu e continuou operando. Até 2021, a Gemini foi avaliada em 710 milhões de dólares, com os Winklevoss possuindo pelo menos 75%. Hoje, a exchange gerencia mais de 10 bilhões de dólares em ativos totais e suporta mais de 80 criptomoedas.
Sua estratégia com os reguladores não era simplesmente cumprir as regras, mas educá-los. Não buscavam arbitragens regulatórias: integravam a conformidade desde o primeiro dia. Entendiam que a tecnologia sozinha não era suficiente; a aceitação regulatória determinaria o destino da indústria cripto.
A fortuna dos visionários: quando a antecipação vira riqueza
Através da Winklevoss Capital, os irmãos investiram em 23 projetos de criptografia, incluindo a rodada de financiamento do Filecoin em 2017 e Protocol Labs. Sua carteira abrange desenvolvedores de protocolos, infraestruturas blockchain, ferramentas de custódia, plataformas de análise, projetos DeFi e NFT. Construíram um ecossistema.
A Forbes avalia atualmente os dois irmãos com um patrimônio líquido de cerca de 900 milhões de dólares. Seus ativos cripto incluem cerca de 70.000 Bitcoins, atualmente avaliados em torno de 4,7 bilhões de dólares ao preço atual de 67.140 dólares, além de participações significativas em Ethereum, Filecoin e outros ativos digitais. O Bitcoin representa a maior parte de sua riqueza.
Em junho de 2025, a Gemini silenciosamente apresentou um pedido de IPO, sinalizando a intenção de se integrar completamente aos mercados financeiros tradicionais. Em fevereiro de 2025, os gêmeos tornaram-se coproprietários do Real Bedford, uma equipe da oitava divisão inglesa, investindo 450 milhões de dólares com a ambição de levá-la à Premier League. Em 2024, seu pai, Howard, doou 400 milhões de dólares em Bitcoin ao Grove City College, a primeira doação dessa instituição em Bitcoin, para fundar a Winklevoss School of Business. Os irmãos também doaram 10 milhões de dólares à Greenwich Country Day School, a maior doação de um ex-aluno na história da escola.
Declararam publicamente que, mesmo que o valor do Bitcoin atingisse o do ouro global, nunca venderiam seus Bitcoins. Não o veem como um veículo de investimento, mas como uma redefinição fundamental da própria moeda.
A lição do timing: oportunidades não aparecem duas vezes
Em 2024, doaram cada um 1 milhão de dólares em Bitcoin à campanha presidencial de Trump, posicionando-se como apoiadores de políticas favoráveis às criptomoedas. Criticaram abertamente a SEC sob a liderança de Gary Gensler por uma abordagem considerada excessivamente agressiva. Sua batalha regulatória não era separada de suas vidas pessoais—era o centro de seu desenvolvimento.
A história dos irmãos Winklevoss não é uma história de duas decisões. É uma história de reconhecimento sistemático. Viram uma plataforma social emergente e não a perseguiram; viram o resultado e seu valor. Viram uma moeda digital descentralizada quando quase ninguém a compreendia; viram o problema que resolvia e a inevitabilidade de sua adoção. Não eram os mais inteligentes na sala em nenhum desses momentos. Mas tinham algo mais raro: a capacidade de reconhecer o que os outros ainda não viam.
Dois irmãos que começaram como reclamantes derrotados contra o Facebook. Dois irmãos que fugiram para uma praia em Ibiza e emergiram como construtores de infraestruturas para a próxima era das finanças. A moral não era que venceram a guerra contra Zuckerberg—era que aprenderam como os outros conseguem. E, quando a próxima oportunidade chegou, souberam reconhecê-la.
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I Winklevoss: Como Dois Irmãos Transformaram Oportunidades Rejeitadas em Império Cripto
O mediador tinha acabado de anunciar o acordo com a Facebook nos termos na mesa: 65 milhões de dólares. A sala estava silenciosa. Os advogados de Mark Zuckerberg aguardavam uma resposta. Poderiam ter terminado ali, com dois jovens pegando o dinheiro e seguindo com suas vidas. Em vez disso, Tyler virou-se para Cameron e juntos olharam para o outro lado da mesa. “Vamos optar pelas ações.” Foi um momento que definiria tudo o que viria depois. Não era uma decisão comum: o Facebook ainda era privado, suas ações poderiam teoricamente não valer nada, a empresa poderia falir amanhã. O dinheiro era tangível, seguro. As ações eram uma aposta total. Mas quando o Facebook abriu o capital em 2012, esses títulos, inicialmente avaliados em 45 milhões, transformaram-se em quase 500 milhões. Os irmãos Winklevoss não venceram a batalha contra Zuckerberg, mas venceram a guerra. E aquela disputa legal os transformaria em algo mais: observadores privilegiados de como as melhores ideias conquistam o mundo.
Quando algoritmos vêm antes do dinheiro: a visão esquecida dos Winklevoss
Cameron e Tyler eram gêmeos idênticos nascidos em 21 de agosto de 1981 em Greenwich, Connecticut. Uma única diferença: Cameron é canhoto, Tyler destro. Desde a infância demonstraram uma coordenação excepcional. Aos 13 anos, ensinavam a si mesmos HTML e construíam sites para empresas locais. Mais tarde, descobriram a competição de remo e a transformaram numa paixão obsessiva. No remo de oito, um atraso de milissegundos significa perder. Compreendiam o valor do timing perfeito e da colaboração sem atritos.
Em Harvard, a partir de 2000, continuaram essa dupla vida: atletas olímpicos durante o dia, pensadores inovadores à noite. Em dezembro de 2002, no terceiro ano, conceberam o HarvardConnection, posteriormente renomeado ConnectU. A ideia era elegante: uma rede social exclusiva para estudantes universitários de elite, começando por Harvard. Entendiam profundamente o que sua geração desejava—conexão digital sem awkwardness. Mas eles não eram programadores. Em setembro de 2003, apresentaram sua visão a um estudante do segundo ano especializado em informática: Mark Zuckerberg.
Ele ouviu atentamente, fez anotações, fez perguntas inteligentes sobre design e tecnologia. Pareceu genuinamente envolvido. Por semanas colaboraram, discutiram implementações, planejaram o futuro. Então, em 11 de janeiro de 2004, Zuckerberg registrou o domínio thefacebook.com. Quatro dias depois, não compareceu à próxima reunião. Em 4 de fevereiro de 2004, lançou o Facebook. Quando os Winklevoss leram no Crimson que seu programador tinha se tornado um concorrente, entenderam que tinham sido traídos.
O que se seguiu foi uma guerra legal de quatro anos que, paradoxalmente, os transformou em especialistas em plataformas de negócios. Observaram o Facebook conquistar os campi, depois as escolas secundárias, por fim o mundo inteiro. Viram o crescimento dos usuários, analisaram o modelo de monetização, compreenderam o efeito rede. Quando chegaram a um acordo em 2008, sua compreensão interna do Facebook superava a de qualquer pessoa fora da própria empresa. Aprenderam lendo seu inimigo.
De Greenwich ao Bitcoin: quando o valor oculto se torna óbvio
Depois de transformar seu insucesso em riqueza através das ações do Facebook, os irmãos Winklevoss tentaram se tornar investidores-anjo no Vale do Silício. Cada startup que contataram rejeitou-os. A razão era simples: o nome Winklevoss tinha se tornado radioativo graças a Zuckerberg. Seu dinheiro era veneno. Devastados pela rejeição sistemática, em 2012 fugiram para a liberdade: Ibiza.
Em um clube, encontraram um estrangeiro chamado David Azar, que empunhava uma nota de um dólar como se fosse uma relíquia. “Uma revolução”, disse. Naquela noite, na praia, explicou o conceito: uma moeda totalmente descentralizada, com limite fixo de 21 milhões de unidades. Ninguém podia criá-la do nada. Nenhuma autoridade central podia controlá-la. Era ouro para a era digital.
Os Winklevoss não conheciam o Bitcoin. Em 2012, quase ninguém o conhecia. Mas eles tinham uma particularidade: eram formados em economia por Harvard, que acabaram de assistir a uma startup de dormitório transformar-se em um monstro de bilhões de dólares. Compreendiam o valor da visão antecipada.
Em 2013, quando Wall Street ainda tentava entender o que eram criptomoedas, os irmãos Winklevoss investiram 11 milhões de dólares quando o preço do Bitcoin estava em torno de 100 dólares. Eram olímpicos, filhos de uma família rica, jovens com possibilidades infinitas—e ainda assim arriscaram milhões de dólares numa moeda digital que a maioria associava a traficantes de drogas e anarquistas. Seus amigos achavam que estavam loucos. Mas eles tinham visto uma ideia impossível tornar-se inevitável.
Sua lógica era cristalina: se o Bitcoin se tornasse uma nova forma de moeda global, os primeiros detentores obteriam retornos astronômicos. Se falhasse, poderiam perder. Quando, em 2017, o Bitcoin atingiu 20.000 dólares, aqueles 11 milhões multiplicaram-se para mais de 1 bilhão de dólares. Estavam entre os primeiros bilionários de Bitcoin no mundo. O modelo era claro: reconhecer oportunidades que outros ainda não viam.
Gemini e o poder da conformidade: construir infraestruturas ao invés de procurar atalhos
Mas os Winklevoss não eram acumuladores passivos. Em 2013, apresentaram à SEC uma proposta para o primeiro ETF de Bitcoin. Era uma proposta quase destinada ao fracasso—mas alguém tinha que fazer. A SEC recusou em março de 2017, citando manipulação de mercado. Recusou novamente em julho de 2018. Mas essas recusas estabeleceram as bases para outros. Em janeiro de 2024, o ETF de Bitcoin spot foi finalmente aprovado, simbolizando que a estrutura que os Winklevoss começaram a construir uma década antes finalmente começava a dar frutos.
Em 2014, o ecossistema Bitcoin vivia em caos. Charlie Shrem, CEO da BitInstant (uma plataforma na qual investiram), foi preso por lavagem de dinheiro relacionada à Silk Road. Mt. Gox, a principal exchange de Bitcoin, foi hackeada e perdeu 800.000 Bitcoins. As infraestruturas nas quais apostaram desmoronaram. Mas no caos viram uma oportunidade: a indústria cripto precisava de legitimidade.
Fundaram a Gemini em 2014. Enquanto outras plataformas de criptografia operavam em zonas cinzentas legais, a Gemini trabalhou diretamente com os reguladores do Estado de Nova York para construir uma estrutura de conformidade cristalina. Compreendiam que, para as criptomoedas se tornarem mainstream, era necessária uma infraestrutura de nível institucional. O Departamento de Serviços Financeiros de Nova York concedeu à Gemini uma licença fiduciária de propósito limitado, tornando-a uma das primeiras exchanges de Bitcoin legalmente autorizadas nos EUA.
Essa não foi uma vitória fácil. Em 2024, a Gemini enfrentou uma batalha legal relacionada ao seu programa Earn, com um acordo de liquidação de 2,18 bilhões de dólares. Mas a exchange sobreviveu e continuou operando. Até 2021, a Gemini foi avaliada em 710 milhões de dólares, com os Winklevoss possuindo pelo menos 75%. Hoje, a exchange gerencia mais de 10 bilhões de dólares em ativos totais e suporta mais de 80 criptomoedas.
Sua estratégia com os reguladores não era simplesmente cumprir as regras, mas educá-los. Não buscavam arbitragens regulatórias: integravam a conformidade desde o primeiro dia. Entendiam que a tecnologia sozinha não era suficiente; a aceitação regulatória determinaria o destino da indústria cripto.
A fortuna dos visionários: quando a antecipação vira riqueza
Através da Winklevoss Capital, os irmãos investiram em 23 projetos de criptografia, incluindo a rodada de financiamento do Filecoin em 2017 e Protocol Labs. Sua carteira abrange desenvolvedores de protocolos, infraestruturas blockchain, ferramentas de custódia, plataformas de análise, projetos DeFi e NFT. Construíram um ecossistema.
A Forbes avalia atualmente os dois irmãos com um patrimônio líquido de cerca de 900 milhões de dólares. Seus ativos cripto incluem cerca de 70.000 Bitcoins, atualmente avaliados em torno de 4,7 bilhões de dólares ao preço atual de 67.140 dólares, além de participações significativas em Ethereum, Filecoin e outros ativos digitais. O Bitcoin representa a maior parte de sua riqueza.
Em junho de 2025, a Gemini silenciosamente apresentou um pedido de IPO, sinalizando a intenção de se integrar completamente aos mercados financeiros tradicionais. Em fevereiro de 2025, os gêmeos tornaram-se coproprietários do Real Bedford, uma equipe da oitava divisão inglesa, investindo 450 milhões de dólares com a ambição de levá-la à Premier League. Em 2024, seu pai, Howard, doou 400 milhões de dólares em Bitcoin ao Grove City College, a primeira doação dessa instituição em Bitcoin, para fundar a Winklevoss School of Business. Os irmãos também doaram 10 milhões de dólares à Greenwich Country Day School, a maior doação de um ex-aluno na história da escola.
Declararam publicamente que, mesmo que o valor do Bitcoin atingisse o do ouro global, nunca venderiam seus Bitcoins. Não o veem como um veículo de investimento, mas como uma redefinição fundamental da própria moeda.
A lição do timing: oportunidades não aparecem duas vezes
Em 2024, doaram cada um 1 milhão de dólares em Bitcoin à campanha presidencial de Trump, posicionando-se como apoiadores de políticas favoráveis às criptomoedas. Criticaram abertamente a SEC sob a liderança de Gary Gensler por uma abordagem considerada excessivamente agressiva. Sua batalha regulatória não era separada de suas vidas pessoais—era o centro de seu desenvolvimento.
A história dos irmãos Winklevoss não é uma história de duas decisões. É uma história de reconhecimento sistemático. Viram uma plataforma social emergente e não a perseguiram; viram o resultado e seu valor. Viram uma moeda digital descentralizada quando quase ninguém a compreendia; viram o problema que resolvia e a inevitabilidade de sua adoção. Não eram os mais inteligentes na sala em nenhum desses momentos. Mas tinham algo mais raro: a capacidade de reconhecer o que os outros ainda não viam.
Dois irmãos que começaram como reclamantes derrotados contra o Facebook. Dois irmãos que fugiram para uma praia em Ibiza e emergiram como construtores de infraestruturas para a próxima era das finanças. A moral não era que venceram a guerra contra Zuckerberg—era que aprenderam como os outros conseguem. E, quando a próxima oportunidade chegou, souberam reconhecê-la.