O silêncio da Turquia sobre os abusos aos uigures em contraste irónico com a defesa de Gaza: Relatório

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(MENAFN- IANS) Telavive, 23 de fev (IANS) Enquanto a Turquia tem emergido como um dos defensores internacionais mais vocais sobre Gaza nos últimos anos, o seu silêncio em relação aos abusos dos uigures pelas autoridades chinesas é ensurdecedor – uma ironia marcante que não pode ser ignorada, destacou um relatório na segunda-feira.

Adicionou que na região de Xinjiang, na China, os uigures – o povo turco-muçulmano que o presidente turco Erdogan chamou uma vez de vítimas de “genocídio” – enfrentam detenções em massa, trabalho forçado, vigilância constante, restrições à prática religiosa, separação familiar e políticas destinadas a apagar a sua identidade cultural e linguística.

De acordo com o centro de estudos israelense ‘Moshe Dayan Centre for Middle Eastern and African Studies’ (MDC), apesar da situação grave dos uigures, os decisores turcos não levantam publicamente a questão uigure como fazem com o caso palestino. As organizações não governamentais turcas em grande parte ignoram a situação dos uigures, enquanto os meios de comunicação tradicionais não cobrem o tema, deixando as vozes uigures sem ouvir dentro da Turquia.

“A resposta para esta paradoxo reside no que Gaza oferece à Turquia, e a questão uigure não. Gaza é um palco onde a Turquia pode reivindicar influência regional e legitimidade de regime. Devido aos laços políticos com o Hamas que remontam a pelo menos 2006, a Turquia emergiu ao longo dos anos como um dos principais patrocinadores externos da organização. Este papel foi consolidado à medida que o Hamas enfrentou crescente isolamento após a guerra de Gaza de 2023 e à medida que a rede de proxy regional do Irã começou a enfraquecer”, detalhou o relatório.

“Ao proporcionar ao Hamas espaço para manobrar durante a guerra e atuar como facilitador de negociações para proteger os interesses do Hamas durante trocas de reféns e prisioneiros, enquanto acolhia membros libertados, a Turquia garantiu um assento à mesa para moldar a administração pós-guerra de Gaza”, mencionou.

O relatório destacou que, desde que estabeleceu laços de parceria estratégica com a China em 2010, Erdogan omitiu a questão uigure de suas declarações públicas, apesar de apresentar cada vez mais a Turquia como a “líder política e cultural” do mundo turco.

Citanto relatórios internacionais e investigações de direitos humanos, observou que os onze milhões de uigures em Xinjiang enfrentaram décadas de opressão sistemática por parte de Pequim.

O relatório acrescentou ainda: “Ao se posicionar como o ‘defensor dos oprimidos’ no caso de Gaza, o presidente Erdogan garantiu um peso geopolítico significativo e reforçou uma narrativa doméstica poderosa de liderança muçulmana. No entanto, este papel de guardião vacila na fronteira de Xinjiang, onde o custo do princípio entra em conflito com a necessidade de capital chinês. Se Ancara continuar a permitir que a sobrevivência económica dite a sua consciência, a sua reivindicação de liderança nos mundos turco e muçulmano permanecerá incompleta e insincera.”

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