Desempenho dos índices das ações europeias em 2024: uma reflexão de dois anos desde as expectativas até à prática

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Entrando em 2026, ao olhar para o mercado de capitais europeu de 2024, percebemos que aquele ano cheio de expectativas e esperança já faz parte da história. Como se confirmaram as previsões otimistas dos analistas sobre o índice de ações europeu? Este artigo revisita, com uma perspectiva de dois anos depois, a lógica de desempenho e o valor de investimento do índice de ações europeu.

No início de 2024, o desempenho dos principais mercados de ações europeus realmente não decepcionou. O índice DAX da Alemanha subiu quase 10% no ano, o CAC 40 da França aumentou 8,29%, enquanto o STOXX 600, que cobre 90% do valor de mercado das empresas listadas na Europa, avançou quase 7%. Por trás desses números, está a reavaliação global do capital em relação ao índice de ações europeu.

Por que o índice de ações europeu atrai capital global? O clima de mercado no início de 2024

Por que o ambiente de mercado na época foi tão favorável ao índice de ações europeu? A resposta está na combinação de três fatores principais.

Primeiro, o atrativo valor de avaliação. Em comparação com o índice S&P 500 dos EUA, com um índice de preço-lucro (P/L) prospectivo de cerca de 19 vezes, as ações europeias tinham um P/L de apenas 14 vezes, tornando o índice europeu relativamente mais valioso. Em segundo lugar, a contínua melhora na inflação na Europa abriu caminho para a política de redução de juros do Banco Central Europeu (BCE). Dados divulgados em fevereiro de 2024 mostraram que a inflação na zona do euro caiu para 2,6%, diminuindo por três meses consecutivos e ficando abaixo do limite de 3%. Terceiro, a expectativa de queda nas taxas de juros estimulou diretamente o fluxo de capital. Estatísticas indicam que, no quarto trimestre de 2023, fundos focados no índice europeu atraíram até 45,7 bilhões de euros, com crescimento anualizado superior a 45%. Uma pesquisa do banco americano também mostrou que, em fevereiro de 2024, investidores profissionais tiveram uma compra líquida de ações europeias.

Esses três fatores positivos formaram o principal impulso para a alta do índice de ações europeu naquele ano.

Trinta anos de altos e baixos: ciclos históricos do índice europeu e regras de mercado

Para entender a lógica de funcionamento do índice europeu, é preciso ampliar o olhar para uma escala temporal mais longa. Como um indicador que representa 600 empresas líderes na Europa, o STOXX 600 traça uma trajetória de oscilações ao longo de 30 anos, marcada pelos ciclos econômicos globais.

No final dos anos 90, o mercado europeu entrou numa longa fase de declínio. A crise financeira asiática e a subsequente crise na Rússia aconteceram em rápida sucessão, levando o índice europeu a cair. Logo depois, veio a bolha da internet e sua explosão. Na véspera do milênio, as avaliações de empresas de tecnologia emergentes atingiram níveis insustentáveis, e entre 2000 e 2001 houve uma forte correção.

No início do século XXI, o impacto do 11 de setembro abalou temporariamente os mercados globais, mas o mercado europeu logo entrou numa fase de recuperação e prosperidade que durou vários anos. O crescimento do comércio internacional, a entrada de economias emergentes e as políticas de juros baixos dos bancos centrais fizeram o índice europeu subir continuamente até 2008.

Porém, a crise financeira global de 2008 mudou tudo. A falência do Lehman Brothers, o aperto de crédito e a recessão severa fizeram o índice europeu experimentar uma das suas quedas mais profundas. A crise da dívida soberana na Europa, com problemas na Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália, agravou ainda mais a situação, gerando preocupações sobre a estabilidade da zona do euro.

A virada veio com a implementação de políticas de flexibilização quantitativa (quantitative easing). A cooperação entre o BCE e outros bancos centrais estabilizou o mercado, e o índice europeu começou uma recuperação de longo prazo a partir de 2009. Apesar do impacto breve da pandemia de COVID-19 em 2020, a rápida intervenção do BCE e dos governos (com ampliação de compras de ativos e suporte fiscal) permitiu uma rápida recuperação do mercado.

Essas oscilações de 30 anos ensinaram uma lição importante: o timing e a grau de intervenção das políticas muitas vezes determinam o rumo de longo prazo do índice europeu.

Diversificação setorial: desempenho de setores industriais, tecnológicos e de consumo a longo prazo

De 2023 a 2024, o desempenho setorial do mercado europeu mostrou uma clara diferenciação. Tecnologia da informação, consumo discricionário e industrial foram os três setores com melhor desempenho.

O setor industrial inclui aviação, manufatura e construção. Airbus se beneficiou de problemas frequentes na Boeing, com suas ações disparando, mas seu P/L atingiu quase 35,60 vezes, o mais alto dos últimos cinco anos, o que exige resultados sólidos para sustentar essa avaliação. Tecnicamente, o suporte está em torno de 136 euros, e o RSI acima de 70 indica crescente pressão de correção.

O setor de tecnologia da informação subiu 19% no último ano, liderado pela SAP. A gigante alemã de software rompeu a tendência de alta de médio a longo prazo, sinalizando potencial de fortalecimento. Contudo, seu P/L de 56,39 é elevado, com apenas um trimestre nos últimos 10 anos tendo ultrapassado esse nível, o que justifica uma possível correção. O RSI e o preço apresentam divergência negativa, indicando risco de ajuste de curto prazo.

O setor de consumo discricionário continua sendo uma peça-chave na economia europeia. Pandora, marca dinamarquesa de joias, cresceu mais de 90% em 2023. Apesar de dificuldades no mercado chinês, a receita global cresceu 6% na comparação anual, com crescimento orgânico de 8%, superando as expectativas do mercado. No entanto, o ritmo de alta muito forte sugere uma possível correção no curto prazo.

Três caminhos para investir em ações europeias: de corretoras a ETFs e derivativos

Para investidores interessados em ações europeias, há diversas opções de investimento.

Compra direta via corretoras é a forma mais tradicional. Plataformas de corretagem oferecem ordens de mercado, limite, stop-loss, entre outras, além de garantir propriedade e direito de voto. A desvantagem é o custo de corretagem e taxas de plataforma, que podem ser elevados para múltiplas ações, além de menor alavancagem oferecida por muitas corretoras.

Investimento via ETFs é ideal para quem deseja exposição ao índice com custos baixos. ETFs de grande porte incluem Vanguard FTSE Europe (VGK, US$ 14,8 bilhões, taxa de 0,09%), iShares MSCI EMU (EZU, US$ 5,57 bilhões, taxa de 0,49%) e iShares Core MSCI Europe (IEUR, US$ 4,2 bilhões, taxa de 0,09%).

Derivativos via CFD oferecem maior eficiência de capital. Com margem, o investidor pode ampliar ganhos ao pagar uma porcentagem do valor do contrato. Além disso, permitem posições longas e curtas, possibilitando lucrar tanto em alta quanto em baixa. Corretoras reguladas como Mitrade, sob supervisão da ASIC australiana, oferecem CFDs sem comissão, com spreads baixos e alavancagem até 1:200, além de funções de stop loss e take profit.

Riscos e oportunidades: lições do mercado de 2024 a 2026

As expectativas otimistas de 2024 não se concretizaram totalmente, mas também não desapareceram. Os fatores que sustentam a alta do índice europeu — alívio da inflação, potencial de crescimento de lucros e avaliação atrativa — ainda estão presentes. Citibank projeta crescimento de lucros por ação de 3% em 2024, enquanto Goldman Sachs prevê 7%.

Por outro lado, há riscos reais. Os governos europeus estão reduzindo subsídios energéticos e normalizando o fluxo de capital após a pandemia, o que pode frear setores como energia, logística e industrial. A previsão de crescimento do PIB na zona do euro foi revisada de 1% para 0,5%, refletindo fraqueza macroeconômica. O conflito Rússia-Ucrânia persiste pelo terceiro ano, mantendo riscos geopolíticos.

Ao chegar a 2026, podemos concluir que a lógica de investimento no índice europeu depende do equilíbrio entre riscos e oportunidades. Como os riscos são relativamente controláveis e previsíveis, e com o suporte de políticas do BCE e avaliação atrativa, as oportunidades de investimento representadas pelo índice europeu continuam a ser uma pauta de atenção para investidores.

Conclusão: por que a lógica de investimento no índice europeu permanece atual

O mercado de ações europeu é composto por várias bolsas nacionais, cada uma com seus horários de negociação e regras de fechamento. Como uma comunidade com maior liberdade econômica, o índice europeu passou por inúmeras fusões, aquisições e integrações ao longo do desenvolvimento. Nesse sentido, uma visão global do índice, sem foco excessivo em mercados específicos, é a abordagem correta para entender suas dinâmicas.

Atualmente, a atratividade do índice europeu reside em seus valuations relativamente baixos, ambiente político estável e potencial de recuperação do prêmio em relação às ações americanas. Para quem deseja investir na Europa, é fundamental considerar uma análise macroeconômica, o ciclo setorial e os fundamentos de ações individuais. A experiência dos últimos dois anos mostra que acompanhar com paciência a evolução do índice europeu e entrar no momento certo continua sendo uma estratégia racional para construir uma carteira internacionalizada.

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