O câmbio do yuan chinês em 2025 passou por uma mudança importante: após três anos consecutivos de depreciação, conseguiu superar com sucesso a barreira psicológica de 7.0 no final do ano, iniciando uma nova trajetória de valorização de médio a longo prazo na faixa de 6.9. Análise da tendência do yuan face ao dólar mostra que essa valorização não é uma flutuação de curto prazo, mas uma mudança profunda resultante de múltiplos fatores favoráveis que se sobrepõem. Para investidores, compreender a lógica central por trás dessa valorização é mais importante do que simplesmente perseguir altas ou baixas.
De três anos de depreciação a um novo ciclo de valorização — interpretação do cenário atual do câmbio do yuan
2025 representa um ponto de inflexão para o yuan. Após uma queda contínua de três anos de 2022 a 2024, a taxa de câmbio do dólar face ao yuan oscilou entre 6,95 e 7,35 ao longo do ano, com uma valorização de cerca de 4%, invertendo o ciclo de depreciação.
Mais especificamente, no primeiro semestre, o yuan enfrentou forte pressão. A incerteza nas políticas tarifárias globais e a força contínua do dólar index fizeram o yuan offshore cair para abaixo de 7,40. Nesse período, o dólar face ao yuan atingiu uma alta desde a “reforma cambial de 8.11” de 2015, alimentando expectativas de fraqueza do yuan.
O ponto de virada ocorreu na segunda metade do ano. Com o avanço das negociações comerciais sino-americanas, sinais de relaxamento nas relações bilaterais e a reversão do dólar index de forte para fraco, o câmbio começou a reverter sua tendência negativa. Em meados de dezembro, com o mercado antecipando cortes de juros pelo Federal Reserve e o sentimento se recuperando, o yuan rompeu com força a barreira de 7.05. No final de dezembro, essa tendência foi confirmada, com o dólar oficialmente caindo abaixo de 7.0, atingindo cerca de 6.9623.
Essa valorização não ocorreu isoladamente — em um contexto de fortalecimento geral do euro, libra e outras moedas principais não-americanas, o yuan frente ao dólar mostrou uma característica moderada e estável, ajudando a estabilizar o sentimento de mercado.
Quatro fatores centrais que impulsionam a tendência do yuan face ao dólar
Para entender o futuro do yuan, é necessário analisar as principais variáveis que influenciam a taxa de câmbio sob duas perspectivas: doméstica e internacional.
Transformação estrutural do dólar index
Em 2025, o dólar index passou por forte volatilidade. No primeiro semestre, caiu de 109 para cerca de 98, uma queda de quase 10%, a mais fraca performance de um primeiro semestre desde os anos 1970. Após novembro, embora as expectativas de cortes de juros pelo Fed tenham diminuído e a economia americana tenha apresentado desempenho melhor que o esperado, fazendo o dólar index subir novamente acima de 100, essa recuperação foi limitada.
Em 2026, com o Fed iniciando oficialmente um novo ciclo de afrouxamento monetário, o dólar index recuou para uma faixa de 98,2 a 98,8. Apesar das expectativas de resiliência da economia americana, a tendência global de desdolarização e a postura dovish do Fed compensaram o potencial de alta de curto prazo do dólar. Essa fraqueza estrutural do dólar cria um ambiente externo favorável para o yuan manter a “era de 6”.
Fragilidade do equilíbrio na relação comercial sino-americana
Embora as negociações comerciais tenham alcançado resultados parciais — como a redução de tarifas sobre produtos relacionados à fentanil de 20% para 10%, a suspensão de algumas tarifas recíprocas e a ampliação de compras agrícolas americanas — esse equilíbrio ainda é frágil.
A continuidade de melhorias substanciais na segunda metade de 2026 será o fator externo mais importante para determinar a tendência de longo prazo do dólar face ao yuan. Se o status quo persistir, o câmbio deve permanecer estável; se as tensões aumentarem, o mercado poderá pressionar para uma nova depreciação.
Mudança dovish na política do Federal Reserve
Em 2026, o mercado espera que o Fed mantenha 2 a 3 cortes de juros. Apesar de dados de inflação oscilantes, a atenção do Fed se voltou para evitar uma desaceleração brusca da economia, com foco na estabilidade do mercado de trabalho. Essa postura de afrouxamento preventivo reduz a atratividade dos títulos do Tesouro americano, diminui o diferencial de juros e favorece o fluxo de capitais para mercados emergentes, elevando a posição relativa do yuan.
Coordenação entre política monetária e fiscal na China
O Banco Central da China continua adotando uma política monetária expansionista para apoiar a recuperação econômica, especialmente diante do enfraquecimento do mercado imobiliário e da demanda interna. Isso pode incluir cortes de juros ou de reservas obrigatórias para liberar liquidez. A curto prazo, isso tende a pressionar o yuan para baixo; porém, se essa política for combinada com estímulos fiscais mais robustos que estabilizem a economia, ela poderá, a longo prazo, aumentar a atratividade do yuan.
Como os principais bancos internacionais veem a tendência do yuan em 2026?
O consenso do mercado é que o yuan está em um ponto de inflexão, encerrando o ciclo de depreciação iniciado em 2022, e tem potencial para entrar em uma nova fase de valorização de médio a longo prazo.
Para 2026, três fatores de suporte podem impulsionar a valorização:
Resiliência contínua das exportações chinesas — apesar das incertezas externas, a posição da manufatura chinesa na cadeia global permanece forte
Refluxo de investimentos estrangeiros em ativos denominados em yuan — com o crescimento econômico sustentado, a demanda por ativos em yuan deve se recuperar
Manutenção de um dólar estruturalmente fraco — a tendência global de desdolarização e o afrouxamento contínuo do Fed sustentam essa perspectiva
Os principais bancos internacionais estão bastante otimistas quanto ao futuro do yuan. Deutsche Bank aponta que a valorização do yuan frente ao dólar sinaliza o início de um ciclo de alta de longo prazo, estimando que em 2026 possa chegar a 6.7. Goldman Sachs também projeta um cenário favorável, com uma meta de 6.85 para o câmbio em 2026.
Essas previsões refletem análises fundamentadas e o consenso do mercado internacional sobre a tendência de valorização do yuan.
Estrutura de decisão de investimento durante o ciclo de valorização do yuan
Análise de curto prazo
Espera-se que o yuan mantenha uma postura de força com oscilações ao longo de 2025. Após superar com sucesso a barreira psicológica de 7.0 no final de 2025, atualmente o câmbio está fortemente atrelado ao dólar index, com suporte na faixa de 6.9. Como já estabilizou abaixo de 7.0 no início de 2026, a probabilidade de recuar acima de 7.1 no curto prazo é baixa, e o mercado busca um novo equilíbrio entre 6.90 e 7.00.
Três variáveis-chave a monitorar de perto
Para acompanhar a evolução do yuan, é fundamental observar:
Potencial de queda do dólar index — se as expectativas de cortes de juros pelo Fed enfraquecerem ainda mais o dólar, isso fortalecerá o yuan
Sinais de política oficial — se o Banco Central ou o governo sinalizarem, por meio do fixo de referência ou intervenções, uma postura que evite uma valorização excessiva rápida
Política de crescimento interno — o grau de estímulo econômico em 2026, que influenciará a demanda doméstica e o nível de sustentação do câmbio
Revisão de cinco anos de dados cambiais: lições do passado para o futuro
Para entender o que esperar do yuan, é útil revisar sua evolução nos últimos cinco anos.
Reversão em V em 2020
No início de 2020, o dólar face ao yuan oscilava entre 6.9 e 7.0. Com a tensão sino-americana e a pandemia, o yuan chegou a atingir 7.18 em maio. Contudo, com o controle rápido da pandemia na China, recuperação econômica precoce, cortes de juros pelo Fed e políticas estáveis na China, o yuan se recuperou até cerca de 6.50 no final do ano, valorizando aproximadamente 6% no período.
Estabilidade relativa em 2021
A forte recuperação das exportações chinesas e a economia sólida sustentaram o yuan, com o dólar entre 6.35 e 6.58, média de cerca de 6.45, mantendo-se relativamente forte e refletindo otimismo na perspectiva econômica da China.
Queda acentuada em 2022
O dólar subiu de 6.35 para acima de 7.25, uma depreciação de cerca de 8%, a maior em anos. Isso foi impulsionado pelo aumento agressivo das taxas do Fed, além de políticas de controle da pandemia e crise imobiliária na China, que prejudicaram a confiança do mercado.
Oscilações em 2023
O dólar oscilou entre 6.83 e 7.35, com média de aproximadamente 7.0. A recuperação econômica pós-pandemia na China ficou aquém do esperado, a crise imobiliária persistiu, e as altas de juros nos EUA mantiveram o pressão sobre o yuan, levando a um cenário de incerteza.
Transformações em 2024
A fraqueza do dólar aliviou a pressão sobre o yuan, enquanto estímulos fiscais e suporte ao setor imobiliário na China aumentaram a confiança. No meio do ano, o dólar caiu para cerca de 7.3, e em agosto o yuan offshore rompeu 7.10, atingindo uma máxima de seis meses. A volatilidade aumentou, refletindo ajustes de política.
Quadro analítico essencial para investidores
Além de acompanhar as variações numéricas, investidores devem entender a lógica fundamental que impulsiona o câmbio do yuan. Quatro dimensões formam uma estrutura de análise completa:
Primeira dimensão: impacto da política monetária na oferta de moeda
As ações do Banco Central da China, como cortes de juros ou de reservas, afetam diretamente a oferta monetária. Reduções aumentam a oferta e tendem a depreciar o yuan; aumentos de juros ou reservas reduzem a liquidez e fortalecem o yuan. Exemplos históricos, como os seis cortes de juros e de reservas a partir de novembro de 2014, ilustram esse efeito.
Segunda dimensão: atratividade dos dados econômicos
Dados econômicos sólidos, como crescimento do PIB, PMI, inflação (CPI) e investimentos em ativos fixos, atraem capital estrangeiro, elevando a demanda por yuan e valorizando a moeda. Acompanhar esses indicadores ajuda a avaliar a força econômica e sua influência cambial.
Terceira dimensão: movimento do dólar e políticas internacionais
O câmbio do dólar é o principal determinante do dólar face ao yuan. Políticas do Fed, do BCE e de outros bancos centrais influenciam o dólar. Por exemplo, em 2017, a recuperação da economia da zona do euro e o sinal de aperto do BCE levaram à alta do euro e à queda do dólar, impactando também o yuan.
Quarta dimensão: orientação e sinalização das políticas oficiais
O yuan não é uma moeda totalmente livre. O Banco Popular da China ajusta o fixo de referência e introduz fatores contracíclicos para suavizar movimentos excessivos, influenciando o câmbio de curto prazo. Essas ações orientam o mercado, embora a tendência de longo prazo dependa do cenário macroeconômico.
Diferenças entre yuan offshore (CNH) e onshore (CNY)
É importante notar que o yuan offshore (CNH), negociado em Hong Kong, Singapura e outros mercados internacionais, apresenta maior volatilidade devido à maior liberdade de fluxo de capitais. Em 2025, apesar de oscilações, o CNH mostrou uma tendência de alta moderada, atingindo uma máxima de 6.95 em janeiro, após uma forte queda para 7.36 no início do ano, influenciada por tensões tarifárias e pelo dólar forte. Com a melhora nas negociações sino-americanas e expectativas de estímulo, o CNH se fortaleceu, atingindo uma alta de 14 meses.
Resumo e perspectivas
O yuan está em um momento de mudança crucial. Com a continuidade de uma política monetária expansionista na China, a análise do câmbio do yuan face ao dólar revela uma tendência de valorização clara. Baseando-se em ciclos históricos semelhantes, esse ciclo pode durar até uma década, com oscilações de curto prazo, mas uma direção geral de alta.
Para aproveitar essa valorização, investidores devem:
Estabelecer uma estrutura de monitoramento sistemático — acompanhar continuamente política monetária, dados econômicos, dólar index e sinais de política oficial, evitando se perder em oscilações de curto prazo.
Compreender as características cíclicas — reconhecer que a valorização do yuan não é linear, passando por ajustes e recuos, mas com tendência de alta sustentada.
Ajustar posições de acordo com o ciclo — aproveitar momentos de avaliação de mercado para ajustar posições, evitando seguir a euforia ou o pânico.
No mercado cambial, fatores macroeconômicos predominam. Dados públicos, alta liquidez e possibilidade de negociações bilaterais oferecem um ambiente relativamente justo para investidores bem informados. Com uma análise correta, é possível aumentar significativamente as chances de sucesso na valorização do yuan durante esse ciclo.
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Análise da tendência do RMB face ao dólar americano e oportunidades de investimento até 2026
O câmbio do yuan chinês em 2025 passou por uma mudança importante: após três anos consecutivos de depreciação, conseguiu superar com sucesso a barreira psicológica de 7.0 no final do ano, iniciando uma nova trajetória de valorização de médio a longo prazo na faixa de 6.9. Análise da tendência do yuan face ao dólar mostra que essa valorização não é uma flutuação de curto prazo, mas uma mudança profunda resultante de múltiplos fatores favoráveis que se sobrepõem. Para investidores, compreender a lógica central por trás dessa valorização é mais importante do que simplesmente perseguir altas ou baixas.
De três anos de depreciação a um novo ciclo de valorização — interpretação do cenário atual do câmbio do yuan
2025 representa um ponto de inflexão para o yuan. Após uma queda contínua de três anos de 2022 a 2024, a taxa de câmbio do dólar face ao yuan oscilou entre 6,95 e 7,35 ao longo do ano, com uma valorização de cerca de 4%, invertendo o ciclo de depreciação.
Mais especificamente, no primeiro semestre, o yuan enfrentou forte pressão. A incerteza nas políticas tarifárias globais e a força contínua do dólar index fizeram o yuan offshore cair para abaixo de 7,40. Nesse período, o dólar face ao yuan atingiu uma alta desde a “reforma cambial de 8.11” de 2015, alimentando expectativas de fraqueza do yuan.
O ponto de virada ocorreu na segunda metade do ano. Com o avanço das negociações comerciais sino-americanas, sinais de relaxamento nas relações bilaterais e a reversão do dólar index de forte para fraco, o câmbio começou a reverter sua tendência negativa. Em meados de dezembro, com o mercado antecipando cortes de juros pelo Federal Reserve e o sentimento se recuperando, o yuan rompeu com força a barreira de 7.05. No final de dezembro, essa tendência foi confirmada, com o dólar oficialmente caindo abaixo de 7.0, atingindo cerca de 6.9623.
Essa valorização não ocorreu isoladamente — em um contexto de fortalecimento geral do euro, libra e outras moedas principais não-americanas, o yuan frente ao dólar mostrou uma característica moderada e estável, ajudando a estabilizar o sentimento de mercado.
Quatro fatores centrais que impulsionam a tendência do yuan face ao dólar
Para entender o futuro do yuan, é necessário analisar as principais variáveis que influenciam a taxa de câmbio sob duas perspectivas: doméstica e internacional.
Transformação estrutural do dólar index
Em 2025, o dólar index passou por forte volatilidade. No primeiro semestre, caiu de 109 para cerca de 98, uma queda de quase 10%, a mais fraca performance de um primeiro semestre desde os anos 1970. Após novembro, embora as expectativas de cortes de juros pelo Fed tenham diminuído e a economia americana tenha apresentado desempenho melhor que o esperado, fazendo o dólar index subir novamente acima de 100, essa recuperação foi limitada.
Em 2026, com o Fed iniciando oficialmente um novo ciclo de afrouxamento monetário, o dólar index recuou para uma faixa de 98,2 a 98,8. Apesar das expectativas de resiliência da economia americana, a tendência global de desdolarização e a postura dovish do Fed compensaram o potencial de alta de curto prazo do dólar. Essa fraqueza estrutural do dólar cria um ambiente externo favorável para o yuan manter a “era de 6”.
Fragilidade do equilíbrio na relação comercial sino-americana
Embora as negociações comerciais tenham alcançado resultados parciais — como a redução de tarifas sobre produtos relacionados à fentanil de 20% para 10%, a suspensão de algumas tarifas recíprocas e a ampliação de compras agrícolas americanas — esse equilíbrio ainda é frágil.
A continuidade de melhorias substanciais na segunda metade de 2026 será o fator externo mais importante para determinar a tendência de longo prazo do dólar face ao yuan. Se o status quo persistir, o câmbio deve permanecer estável; se as tensões aumentarem, o mercado poderá pressionar para uma nova depreciação.
Mudança dovish na política do Federal Reserve
Em 2026, o mercado espera que o Fed mantenha 2 a 3 cortes de juros. Apesar de dados de inflação oscilantes, a atenção do Fed se voltou para evitar uma desaceleração brusca da economia, com foco na estabilidade do mercado de trabalho. Essa postura de afrouxamento preventivo reduz a atratividade dos títulos do Tesouro americano, diminui o diferencial de juros e favorece o fluxo de capitais para mercados emergentes, elevando a posição relativa do yuan.
Coordenação entre política monetária e fiscal na China
O Banco Central da China continua adotando uma política monetária expansionista para apoiar a recuperação econômica, especialmente diante do enfraquecimento do mercado imobiliário e da demanda interna. Isso pode incluir cortes de juros ou de reservas obrigatórias para liberar liquidez. A curto prazo, isso tende a pressionar o yuan para baixo; porém, se essa política for combinada com estímulos fiscais mais robustos que estabilizem a economia, ela poderá, a longo prazo, aumentar a atratividade do yuan.
Como os principais bancos internacionais veem a tendência do yuan em 2026?
O consenso do mercado é que o yuan está em um ponto de inflexão, encerrando o ciclo de depreciação iniciado em 2022, e tem potencial para entrar em uma nova fase de valorização de médio a longo prazo.
Para 2026, três fatores de suporte podem impulsionar a valorização:
Resiliência contínua das exportações chinesas — apesar das incertezas externas, a posição da manufatura chinesa na cadeia global permanece forte
Refluxo de investimentos estrangeiros em ativos denominados em yuan — com o crescimento econômico sustentado, a demanda por ativos em yuan deve se recuperar
Manutenção de um dólar estruturalmente fraco — a tendência global de desdolarização e o afrouxamento contínuo do Fed sustentam essa perspectiva
Os principais bancos internacionais estão bastante otimistas quanto ao futuro do yuan. Deutsche Bank aponta que a valorização do yuan frente ao dólar sinaliza o início de um ciclo de alta de longo prazo, estimando que em 2026 possa chegar a 6.7. Goldman Sachs também projeta um cenário favorável, com uma meta de 6.85 para o câmbio em 2026.
Essas previsões refletem análises fundamentadas e o consenso do mercado internacional sobre a tendência de valorização do yuan.
Estrutura de decisão de investimento durante o ciclo de valorização do yuan
Análise de curto prazo
Espera-se que o yuan mantenha uma postura de força com oscilações ao longo de 2025. Após superar com sucesso a barreira psicológica de 7.0 no final de 2025, atualmente o câmbio está fortemente atrelado ao dólar index, com suporte na faixa de 6.9. Como já estabilizou abaixo de 7.0 no início de 2026, a probabilidade de recuar acima de 7.1 no curto prazo é baixa, e o mercado busca um novo equilíbrio entre 6.90 e 7.00.
Três variáveis-chave a monitorar de perto
Para acompanhar a evolução do yuan, é fundamental observar:
Potencial de queda do dólar index — se as expectativas de cortes de juros pelo Fed enfraquecerem ainda mais o dólar, isso fortalecerá o yuan
Sinais de política oficial — se o Banco Central ou o governo sinalizarem, por meio do fixo de referência ou intervenções, uma postura que evite uma valorização excessiva rápida
Política de crescimento interno — o grau de estímulo econômico em 2026, que influenciará a demanda doméstica e o nível de sustentação do câmbio
Revisão de cinco anos de dados cambiais: lições do passado para o futuro
Para entender o que esperar do yuan, é útil revisar sua evolução nos últimos cinco anos.
Reversão em V em 2020
No início de 2020, o dólar face ao yuan oscilava entre 6.9 e 7.0. Com a tensão sino-americana e a pandemia, o yuan chegou a atingir 7.18 em maio. Contudo, com o controle rápido da pandemia na China, recuperação econômica precoce, cortes de juros pelo Fed e políticas estáveis na China, o yuan se recuperou até cerca de 6.50 no final do ano, valorizando aproximadamente 6% no período.
Estabilidade relativa em 2021
A forte recuperação das exportações chinesas e a economia sólida sustentaram o yuan, com o dólar entre 6.35 e 6.58, média de cerca de 6.45, mantendo-se relativamente forte e refletindo otimismo na perspectiva econômica da China.
Queda acentuada em 2022
O dólar subiu de 6.35 para acima de 7.25, uma depreciação de cerca de 8%, a maior em anos. Isso foi impulsionado pelo aumento agressivo das taxas do Fed, além de políticas de controle da pandemia e crise imobiliária na China, que prejudicaram a confiança do mercado.
Oscilações em 2023
O dólar oscilou entre 6.83 e 7.35, com média de aproximadamente 7.0. A recuperação econômica pós-pandemia na China ficou aquém do esperado, a crise imobiliária persistiu, e as altas de juros nos EUA mantiveram o pressão sobre o yuan, levando a um cenário de incerteza.
Transformações em 2024
A fraqueza do dólar aliviou a pressão sobre o yuan, enquanto estímulos fiscais e suporte ao setor imobiliário na China aumentaram a confiança. No meio do ano, o dólar caiu para cerca de 7.3, e em agosto o yuan offshore rompeu 7.10, atingindo uma máxima de seis meses. A volatilidade aumentou, refletindo ajustes de política.
Quadro analítico essencial para investidores
Além de acompanhar as variações numéricas, investidores devem entender a lógica fundamental que impulsiona o câmbio do yuan. Quatro dimensões formam uma estrutura de análise completa:
Primeira dimensão: impacto da política monetária na oferta de moeda
As ações do Banco Central da China, como cortes de juros ou de reservas, afetam diretamente a oferta monetária. Reduções aumentam a oferta e tendem a depreciar o yuan; aumentos de juros ou reservas reduzem a liquidez e fortalecem o yuan. Exemplos históricos, como os seis cortes de juros e de reservas a partir de novembro de 2014, ilustram esse efeito.
Segunda dimensão: atratividade dos dados econômicos
Dados econômicos sólidos, como crescimento do PIB, PMI, inflação (CPI) e investimentos em ativos fixos, atraem capital estrangeiro, elevando a demanda por yuan e valorizando a moeda. Acompanhar esses indicadores ajuda a avaliar a força econômica e sua influência cambial.
Terceira dimensão: movimento do dólar e políticas internacionais
O câmbio do dólar é o principal determinante do dólar face ao yuan. Políticas do Fed, do BCE e de outros bancos centrais influenciam o dólar. Por exemplo, em 2017, a recuperação da economia da zona do euro e o sinal de aperto do BCE levaram à alta do euro e à queda do dólar, impactando também o yuan.
Quarta dimensão: orientação e sinalização das políticas oficiais
O yuan não é uma moeda totalmente livre. O Banco Popular da China ajusta o fixo de referência e introduz fatores contracíclicos para suavizar movimentos excessivos, influenciando o câmbio de curto prazo. Essas ações orientam o mercado, embora a tendência de longo prazo dependa do cenário macroeconômico.
Diferenças entre yuan offshore (CNH) e onshore (CNY)
É importante notar que o yuan offshore (CNH), negociado em Hong Kong, Singapura e outros mercados internacionais, apresenta maior volatilidade devido à maior liberdade de fluxo de capitais. Em 2025, apesar de oscilações, o CNH mostrou uma tendência de alta moderada, atingindo uma máxima de 6.95 em janeiro, após uma forte queda para 7.36 no início do ano, influenciada por tensões tarifárias e pelo dólar forte. Com a melhora nas negociações sino-americanas e expectativas de estímulo, o CNH se fortaleceu, atingindo uma alta de 14 meses.
Resumo e perspectivas
O yuan está em um momento de mudança crucial. Com a continuidade de uma política monetária expansionista na China, a análise do câmbio do yuan face ao dólar revela uma tendência de valorização clara. Baseando-se em ciclos históricos semelhantes, esse ciclo pode durar até uma década, com oscilações de curto prazo, mas uma direção geral de alta.
Para aproveitar essa valorização, investidores devem:
Estabelecer uma estrutura de monitoramento sistemático — acompanhar continuamente política monetária, dados econômicos, dólar index e sinais de política oficial, evitando se perder em oscilações de curto prazo.
Compreender as características cíclicas — reconhecer que a valorização do yuan não é linear, passando por ajustes e recuos, mas com tendência de alta sustentada.
Ajustar posições de acordo com o ciclo — aproveitar momentos de avaliação de mercado para ajustar posições, evitando seguir a euforia ou o pânico.
No mercado cambial, fatores macroeconômicos predominam. Dados públicos, alta liquidez e possibilidade de negociações bilaterais oferecem um ambiente relativamente justo para investidores bem informados. Com uma análise correta, é possível aumentar significativamente as chances de sucesso na valorização do yuan durante esse ciclo.