O euro face recentemente a quebra do nível de 1,17 dólares, atingindo uma nova máxima no ano. Por trás desta mudança não está apenas a variação numérica da taxa de câmbio, mas também um reflexo profundo do fluxo de capitais global e das jogadas geopolíticas. Com o aumento das tensões comerciais entre EUA e Europa, o mercado começou a reavaliar a posição do dólar como reserva internacional, tornando as previsões para o euro particularmente complexas.
Aumento das tensões geopolíticas, renascimento da guerra tarifária entre EUA e Europa
Em meados de janeiro, a disputa em torno da ilha de Groenlândia elevou as relações EUA-Europa a um ponto de tensão. O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou impor tarifas sobre produtos europeus, enquanto a Europa se prepara para medidas de retaliação, alimentando um sentimento de protecionismo comercial. Ao mesmo tempo, o índice do dólar caiu significativamente 0,7%, refletindo a preocupação do mercado com a incerteza das políticas americanas.
Este risco geopolítico não só impacta as perspectivas econômicas da Europa, mas também desencadeia uma reavaliação dos investidores sobre a alocação de ativos. O padrão estável da economia euro-americana começou a mostrar fissuras, levando os participantes do mercado a buscar alternativas ao dólar.
Turbulência no mercado de títulos japonês e reação em cadeia nos mercados financeiros globais
O Japão se prepara para uma eleição geral, e a proposta do primeiro-ministro Fumio Kishida de reduzir o imposto sobre o consumo de alimentos gerou pânico no mercado de títulos. A rentabilidade dos títulos japoneses de 40 anos disparou para 4,24%, atingindo um recorde de 40 anos, um indicador claro do grau de preocupação com as finanças públicas do país.
Mais preocupante ainda é a rápida transmissão dessa volatilidade para os mercados globais. Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA também subiram, reforçando as expectativas de aperto na liquidez global. Nesse contexto, investidores europeus começaram a reavaliar suas posições de ativos, tornando as previsões para o euro ainda mais incertas.
Venda de ativos denominados em dólares na Europa, renascimento do movimento de “desdolarização”
George Saravelos, chefe de pesquisa cambial do Deutsche Bank, destacou que os países europeus detêm cerca de 8 trilhões de dólares em títulos e ações dos EUA, quase o dobro do total de outros países. Diante do atual cenário geopolítico, a Europa pode considerar vender parte desses ativos como resposta.
“Os desenvolvimentos recentes podem impulsionar ainda mais o reequilíbrio dos ativos em dólares na Europa”, acrescentou Saravelos. Isso sugere que, no futuro, a Europa poderá reduzir sua exposição a ativos denominados em dólares, migrando para outras moedas ou classes de ativos, o que pressionará continuamente o câmbio do dólar e impulsionará o euro.
Analistas do Crédit Agricole acreditam que as ameaças tarifárias de Trump reacenderam o sentimento de “venda dos EUA” no mercado, mas os operadores não podem ignorar uma variável-chave: a “TACO trade” (ou seja, a possibilidade de Trump recuar na última hora). Se Trump acabar usando as tarifas como ferramenta de negociação e não como uma intenção real, o dólar pode se recuperar, exercendo pressão de baixa sobre o euro.
Aumento da volatilidade do euro e alertas de risco
O Morgan Stanley alertou anteriormente que o euro pode enfrentar oscilações de 10% ou mais. Os analistas apontam que os participantes do mercado subestimaram o risco de cenários extremos atuais, e o euro pode facilmente oscilar 10% ou mais em qualquer direção, com base nos níveis atuais.
Isso significa que, independentemente de uma venda real de ativos europeus ou de uma “TACO trade” verdadeira, as previsões para o euro permanecem altamente incertas. Os investidores devem monitorar de perto o desenvolvimento das relações entre Europa e EUA, as políticas japonesas e as mudanças na liquidez global para encontrar oportunidades em meio à volatilidade cambial.
Nas próximas semanas, cada movimento do euro poderá ser um sinal de que o mercado está reavaliando os ativos globais.
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A vaga de "desdolarização" impulsiona a tendência do euro, como pode ser mitigado o risco de volatilidade cambial?
O euro face recentemente a quebra do nível de 1,17 dólares, atingindo uma nova máxima no ano. Por trás desta mudança não está apenas a variação numérica da taxa de câmbio, mas também um reflexo profundo do fluxo de capitais global e das jogadas geopolíticas. Com o aumento das tensões comerciais entre EUA e Europa, o mercado começou a reavaliar a posição do dólar como reserva internacional, tornando as previsões para o euro particularmente complexas.
Aumento das tensões geopolíticas, renascimento da guerra tarifária entre EUA e Europa
Em meados de janeiro, a disputa em torno da ilha de Groenlândia elevou as relações EUA-Europa a um ponto de tensão. O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou impor tarifas sobre produtos europeus, enquanto a Europa se prepara para medidas de retaliação, alimentando um sentimento de protecionismo comercial. Ao mesmo tempo, o índice do dólar caiu significativamente 0,7%, refletindo a preocupação do mercado com a incerteza das políticas americanas.
Este risco geopolítico não só impacta as perspectivas econômicas da Europa, mas também desencadeia uma reavaliação dos investidores sobre a alocação de ativos. O padrão estável da economia euro-americana começou a mostrar fissuras, levando os participantes do mercado a buscar alternativas ao dólar.
Turbulência no mercado de títulos japonês e reação em cadeia nos mercados financeiros globais
O Japão se prepara para uma eleição geral, e a proposta do primeiro-ministro Fumio Kishida de reduzir o imposto sobre o consumo de alimentos gerou pânico no mercado de títulos. A rentabilidade dos títulos japoneses de 40 anos disparou para 4,24%, atingindo um recorde de 40 anos, um indicador claro do grau de preocupação com as finanças públicas do país.
Mais preocupante ainda é a rápida transmissão dessa volatilidade para os mercados globais. Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA também subiram, reforçando as expectativas de aperto na liquidez global. Nesse contexto, investidores europeus começaram a reavaliar suas posições de ativos, tornando as previsões para o euro ainda mais incertas.
Venda de ativos denominados em dólares na Europa, renascimento do movimento de “desdolarização”
George Saravelos, chefe de pesquisa cambial do Deutsche Bank, destacou que os países europeus detêm cerca de 8 trilhões de dólares em títulos e ações dos EUA, quase o dobro do total de outros países. Diante do atual cenário geopolítico, a Europa pode considerar vender parte desses ativos como resposta.
“Os desenvolvimentos recentes podem impulsionar ainda mais o reequilíbrio dos ativos em dólares na Europa”, acrescentou Saravelos. Isso sugere que, no futuro, a Europa poderá reduzir sua exposição a ativos denominados em dólares, migrando para outras moedas ou classes de ativos, o que pressionará continuamente o câmbio do dólar e impulsionará o euro.
Analistas do Crédit Agricole acreditam que as ameaças tarifárias de Trump reacenderam o sentimento de “venda dos EUA” no mercado, mas os operadores não podem ignorar uma variável-chave: a “TACO trade” (ou seja, a possibilidade de Trump recuar na última hora). Se Trump acabar usando as tarifas como ferramenta de negociação e não como uma intenção real, o dólar pode se recuperar, exercendo pressão de baixa sobre o euro.
Aumento da volatilidade do euro e alertas de risco
O Morgan Stanley alertou anteriormente que o euro pode enfrentar oscilações de 10% ou mais. Os analistas apontam que os participantes do mercado subestimaram o risco de cenários extremos atuais, e o euro pode facilmente oscilar 10% ou mais em qualquer direção, com base nos níveis atuais.
Isso significa que, independentemente de uma venda real de ativos europeus ou de uma “TACO trade” verdadeira, as previsões para o euro permanecem altamente incertas. Os investidores devem monitorar de perto o desenvolvimento das relações entre Europa e EUA, as políticas japonesas e as mudanças na liquidez global para encontrar oportunidades em meio à volatilidade cambial.
Nas próximas semanas, cada movimento do euro poderá ser um sinal de que o mercado está reavaliando os ativos globais.