De mineradoras a construtoras, a lógica de sobrevivência por trás do esvaziamento de BTC pela Bitdeer

Margem de lucro quase atingindo o limite vermelho, os mineiros começam a usar Bitcoin como combustível.

Autor: Liam ‘Akiba’ Wright

Tradução: Deep潮 TechFlow

Deep潮 Guia de leitura: Em termos de poder de hashing, a Bitdeer é a maior mineradora de Bitcoin dos EUA. Esta semana, ela esvaziou completamente seu tesouro de BTC — zerando 2017 moedas. Ao mesmo tempo, a empresa concluiu uma emissão de dívida conversível de US$ 325 milhões e uma emissão de ações. Isso não é um evento isolado: o preço do poder de hashing (hashprice) está se aproximando do ponto de equilíbrio de muitas mineradoras, e a mudança estrutural de “estoque de moedas” para “operações alimentadas por BTC” está ocorrendo silenciosamente.

O texto completo:

Calculando pelo poder de hashing, a maior mineradora de Bitcoin dos EUA, a Bitdeer, esvaziou completamente seu balanço de BTC nesta semana.

O saldo do tesouro de BTC da empresa atualmente é zero — vendeu 189,8 moedas recém-mineradas e retirou 943,1 moedas de suas reservas para vender junto.

Ter Bitcoin em mãos é como pressão na tubulação: uma parte sai como receita, outra fica no tesouro como reserva de valor e buffer, e o estado desse buffer reflete a avaliação da gestão sobre o cenário à frente.

Classificação de hashrate do Bitcoin

Fonte: bitcoinminingstock.io

O esvaziamento do buffer da Bitdeer levanta uma questão: por que essa mineradora precisa urgentemente de dinheiro? E como ela enxerga o próximo trimestre?

No setor de mineração, as contas chegam em moeda fiduciária — contas de energia, custódia, salários, componentes — enquanto as receitas chegam em Bitcoin. Portanto, toda política de tesouro é, essencialmente, uma declaração sobre timing, risco e capacidade de captação de capital.

Este boletim semanal tem também uma segunda camada de significado. Mesmo no final do ano, o balanço da Bitdeer mostrava uma posição considerável de BTC — na divulgação de 31 de dezembro de 2025, a empresa revelou “posse de Bitcoin: 2.017 moedas”.

De uma posição de quatro dígitos para uma atualização semanal que mostra zero, há toda uma história de ritmo, conversão de caixa, governança e a própria evolução contínua do negócio de mineração.

No geral, este boletim apresenta uma empresa que optou ativamente por uma certa previsibilidade — convertendo uma reserva que encolhe (em dólares) em liquidez operacional, ajustando sua exposição ao risco para se assemelhar mais a uma utility do que a uma conta de estoque de moedas. É aqui que entra o termo “capitulação”: descreve o que acontece quando o indicador de margem de lucro se aproxima do limite vermelho — o tesouro passa de reserva estratégica para combustível.

Com base em dados semanais, a Bitdeer vendeu aproximadamente 1.132,9 BTC (943,1 de reserva mais 189,8 de novas moedas mineradas). Usando a estimativa de $60.000 a $70.000 por BTC, isso representa cerca de US$ 68 milhões a US$ 79 milhões de liquidez — suficiente para impactar de forma significativa o ciclo de caixa da mineradora e sinalizar uma mudança de postura.

Número do tesouro, confrontado com calendário de captação

A venda de BTC desta semana ocorreu simultaneamente a uma ação de reorganização de mercado de capitais aparentemente deliberada. A Bitdeer anunciou a conclusão do aumento de escala na emissão de US$ 325 milhões, com taxa de 5,00%, vencimento em 2032, de títulos conversíveis prioritários, além de uma emissão direta de ações a US$ 7,94 por ação.

O uso esperado dos recursos inclui: hedge de opções (capped call), recompra de US$ 135 milhões em dívida conversível de 2029, além de financiamento para expansão de data centers, negócios de HPC e IA, pesquisa e desenvolvimento de ASIC e operações.

Essa sequência de operações mostra claramente para onde o dinheiro quer ir e qual risco a empresa está disposta a assumir ao longo do caminho.

Títulos conversíveis e opções de hedge são instrumentos financeiros que envolvem volatilidade — eles usam o potencial de valorização para garantir sobrevivência, mantendo a operação em funcionamento enquanto o fluxo de receita respira. Uma mineradora que, ao mesmo tempo em que esvazia seu balanço de BTC, realiza captação e reestruturação de dívidas, envia o sinal de que prefere canais de financiamento controlados e quer construir infraestrutura capaz de gerar ordens, poder de hashing e contratos de forma contínua.

Essa lógica se encaixa na narrativa maior de 2026 — cada vez mais, as mineradoras se posicionam como empresas de “energia para poder de hashing”, com Bitcoin como uma linha de receita, e IA e HPC como outros destinos de capital intensivo.

A previsão da VanEck para 2026 acredita que essa transformação no setor de mineração trará oportunidades e pressões, prevendo que, à medida que o balanço absorve custos crescentes, ocorrerá uma consolidação do setor.

Preço do poder de hashing define ritmo, curva futura define expectativas

Fracassos na mineração raramente terminam com um estrondo — eles são uma deriva, um aperto, uma série de pequenas decisões forçadas que, no final, levam a uma grande decisão. O indicador de margem de lucro do setor é o hashprice — o retorno por unidade de hashing — e os números recentes explicam por que o tesouro precisa se liquidar.

O relatório mais recente do índice de hashpower da Luxor coloca o hashprice em dólares em US$ 34,05 por PH por dia, uma queda de cerca de 4% na semana, e aponta que, para muitas mineradoras, o hashprice atual já está próximo do ponto de equilíbrio, dependendo de sua estrutura de custos e tipo de hardware.

O mercado futuro projeta uma média de US$ 28,73 por PH por dia nos próximos seis meses — essa expectativa mais baixa funciona como uma força de gravidade, puxando todas as políticas de tesouro.

A dificuldade é o segundo ajuste — ela regula o denominador. Quando o clima, o downtime ou a limitação de energia fazem as máquinas ficarem offline, ela pode oscilar rapidamente.

O Bitcoin passou por uma redução recorde de dificuldade de 11,16%, para 125,86T, seguida de uma recuperação recorde para 144,40T. O próximo ajuste deve ocorrer no início de março, com tendência de queda. Para mineradoras que planejam seu capital e fluxo de caixa semanal ou mensalmente, esse padrão funciona como um chicote de resposta rápida.

O painel da própria Bitdeer também reflete essa situação — a rede de hash da Bitdeer é de cerca de 1.022 EH/s, com dificuldade de aproximadamente 144,4T, e um retorno de US$ 0,0289 por TH por dia. As mineradoras precisam sobreviver nesse espaço de números e decidir onde absorver a volatilidade: no tesouro, na dívida, ou em planos de crescimento.

Capitulação, primeiro na contabilidade, depois na consolidação

Quando traders falam de “capitulação”, imaginam uma cascata — uma limpeza repentina que zera os livros. No setor de mineração, a capitulação costuma acontecer na forma de entradas contábeis e condições de financiamento: venda de moedas, redução de reservas, precificação de títulos conversíveis, emissão de ações, fusões ou encerramentos de operadores mais fracos.

A operação da Bitdeer nesta semana segue essa narrativa de esvaziar o tesouro como ponte de financiamento — transformar BTC em dinheiro para sustentar construções maiores e reestruturar dívidas. Isso inclui: direcionar os fundos para hedge de opções, recompra de dívida conversível, além de financiar data centers, HPC, IA, pesquisa e desenvolvimento de ASIC e operações. Empresas que agem assim tratam o Bitcoin como estoque que pode ser convertido em concreto, chips e contratos.

O preço futuro do índice de hash da Luxor, de cerca de US$ 28,73 por PH por dia, indica que a pressão de lucro deve persistir, levando as mineradoras a três caminhos: vender BTC, vender ações ou vender a própria empresa.

A previsão da VanEck aponta que 2026 será uma fase de consolidação, com escolhas de financiamento — títulos conversíveis com efeito diluidor, vendas de tesouro em momentos de fraqueza de preço, e operadores capazes de gerenciar tanto mineração de Bitcoin quanto de IA, diferenciando-se de operadores que podem manter apenas uma dessas atividades.

Por que a Bitdeer esvaziou seu tesouro? Pode ser uma “sina” no setor. Este evento serve como estudo de caso e alerta: mineradoras podem manter sua exposição ao Bitcoin por meio de operações contínuas, com menos moedas físicas em mãos; ou podem se reposicionar como empresas de infraestrutura, transferindo o risco de preço do Bitcoin para outros gestores.

Se toda a indústria repetir essa estratégia, o número de mineradoras com BTC no balanço diminuirá, e a sensibilidade do fluxo de caixa a lucros de curto prazo aumentará.

O que observar a seguir

Primeiro, a continuidade das políticas. Uma liquidação pontual pode ser uma questão de timing, mas um padrão de meses indica uma nova doutrina de tesouro. O sinal mais útil virá das próximas semanas — com a mesma seção de “posse de BTC”, que também separa claramente os saldos dos clientes dos de empresas.

Segundo, o custo de capital. Os termos de títulos conversíveis e captação de ações mostram que a empresa está construindo espaço de sobrevivência, mas, quando o hashprice se estreita, esse espaço vira arma de competição. Em momentos de pressão, mineradoras com custos de captação mais baixos compram tempo, enquanto as de custos mais altos vendem moedas, ações ou ativos.

Terceiro, o cenário de margem de lucro. O índice de hash da Luxor coloca o hashprice próximo ao ponto de equilíbrio de muitas mineradoras, e a volatilidade na dificuldade mostra o quão rápido o denominador pode oscilar enquanto a rede ainda se ajusta. Mineradoras constroem sobre bases em movimento, e seu tesouro funciona como um amortecedor.

A leitura mais clara desta semana é de caráter programático: as mineradoras seguem incentivos que fluem através do hashprice, da dificuldade e das condições de financiamento.

A Bitdeer transformou reservas em dinheiro, e, nesta semana, também ajustou sua estrutura de capital e definiu prioridades de gastos — data centers, HPC, IA e ASIC.

Todo o setor pode digerir uma mineradora que esvazia seu tesouro, mas também deve encarar esse padrão: um ecossistema de mineração que vê o Bitcoin como throughput, não como estoque, e ajusta sua exposição no balanço de acordo com os custos de operação, está se formando lentamente.

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