Irã enviou uma carta ao IMO em 24 de março, anunciando que navios que não tenham bandeira dos EUA ou de Israel e que não participem de ações militares podem passar com segurança pelo Estreito de Hormuz. As condições parecem razoáveis, mas os dados de 800 petroleiros retidos e de rotas vazias contam uma história diferente.
(Resumindo: o Bitcoin subiu para US$ 70.800, com 87.000 pessoas liquidando posições e perdas de US$ 230 milhões, enquanto o índice de “medo extremo” atingiu 46 dias consecutivos, a maior duração desde o colapso da FTX)
(Complemento de contexto: CEO do JPMorgan Chase afirmou que o conflito com o Irã pode promover estabilidade de longo prazo no Oriente Médio, mas, a curto prazo, é preciso evitar a fuga de investimentos estrangeiros)
O Ministério das Relações Exteriores do Irã, em 24 de março, enviou uma carta oficial à Organização Marítima Internacional (IMO), declarando que o Estreito de Hormuz será reaberto para “navios não hostis”, desde que atendam a três condições: não tenham participado ou apoiado ações militares contra o Irã, não tenham bandeira dos EUA ou de Israel, e cumpram integralmente as regulamentações de segurança divulgadas pelo Irã.
A intenção política dessa declaração, segundo o analista da Kpler, Dimitris Ampatzidis, é clara: o Irã está comunicando à IMO que não bloqueou oficialmente o estreito. Mas é aí que reside a precisão da linguagem diplomática: “não bloquear oficialmente” e “navios podem passar com segurança” são duas coisas completamente diferentes.
O The New York Times observa que ainda não está claro se essa declaração convencerá grandes companhias de navegação a retomar o trânsito. Essa incerteza tem seus motivos: as empresas de navegação não enfrentam apenas declarações diplomáticas, mas também a avaliação do risco de guerra pelos seguradores, que precificam o prêmio de risco, além da avaliação da segurança pessoal dos capitães e tripulantes.
Atualmente, os países dispostos a dar o primeiro passo são principalmente aqueles cujo interesse geopolítico difere do Ocidente. A Índia já conseguiu fazer passar dois petroleiros, tornando-se o exemplo mais convincente pós-guerra. Cinco países europeus, junto ao Japão, manifestaram disposição de “contribuir” para a segurança do estreito, mas ainda há uma longa distância até ações de escolta efetivas.
As três condições do Irã, na verdade, delineiam uma clara divisão geopolítica: os países asiáticos (China, Índia, Coreia…) têm seus petroleiros teoricamente aptos a cumprir as condições, enquanto navios ocidentais e europeus não.
Antes da guerra, mais de 100 navios passavam diariamente pelo Estreito de Hormuz, transportando cerca de 20 milhões de barris de petróleo, o que representa um quinto do consumo mundial de petróleo, com um volume de comércio anual de aproximadamente US$ 600 bilhões.
Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, esses números caíram drasticamente: até 17 de março, apenas 21 petroleiros conseguiram passar; nas duas primeiras semanas de março, cerca de 90 navios, incluindo não petrolíferos, passaram pelo estreito. Ao mesmo tempo, 17 navios no Oriente Médio foram atacados, resultando na morte de 7 tripulantes, enquanto cerca de 800 petroleiros permanecem retidos em ambos os lados do estreito, aguardando avaliação.
A situação das rotas alternativas também não é promissora: a capacidade total das linhas alternativas existentes é de apenas 6,85 milhões de barris por dia, menos da metade do fluxo normal pelo estreito. Apesar das mudanças de postura do Irã, a força persuasiva de uma possível reabertura ainda se limita a uma carta diplomática.