WSJ:O bloqueio do Estreito de Hormuz é a "maior crise petrolífera de sempre" - produção diária de 9 milhões de barris evaporou, a escassez de energia impacta a economia global

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Uma semana após o início da guerra entre EUA e Irã, o Estreito de Hormuz está quase totalmente bloqueado, forçando o Iraque a reduzir a produção em mais de dois terços. A ADNOC, companhia petrolífera de Abu Dhabi, também anunciou cortes na produção, fazendo o preço do petróleo nos EUA ultrapassar os 100 dólares por barril. O The Wall Street Journal analisa que esta é a crise de abastecimento de energia mais grave desde os anos 1970. Se o bloqueio persistir até ao final do mês, a produção diária no Golfo Pérsico pode diminuir cerca de 9 milhões de barris — quase 10% da procura global.
(Resumindo: após uma subida de 9% no preço do petróleo, Trump interveio! Marinha protege o Estreito de Hormuz + Risco de guerra com DFC, o BTC sobe acima de 71 mil dólares)
(Complemento: Se não passar pelo Estreito de Hormuz, o petróleo realmente não sai? Existem alternativas?)

Índice deste artigo

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  • Tanques de armazenamento quase cheios, países produtores forçados a parar a produção um a um
  • Alumínio e fertilizantes em crise total: “Maior interrupção de fornecimento da história”
  • EUA têm margem de manobra, mas Europa e Ásia podem ser as primeiras a sofrer

Uma semana após o início da guerra de Trump contra o Irã, um desastre que alguns analistas de petróleo consideram “impossível de acontecer” está a acontecer. O Estreito de Hormuz — passagem obrigatória para cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito mundial, com o ponto mais estreito apenas 21 milhas — viu o fluxo de petroleiros quase parar. O problema não é só a subida dos preços do petróleo, mas também o esgotamento físico das instalações de armazenamento dos países produtores, que estão a ser obrigados a fechar poços um a um.

No dia 28 de fevereiro, enquanto a coalizão EUA-Israel bombardeava o Irã, o presidente do DNO, uma companhia norueguesa de energia, Bijan Mossavar-Rahmani, estava a voar de Nova Iorque para Oslo. No avião, ordenou o encerramento de todas as suas plataformas no Iraque — as primeiras a serem fechadas nesta guerra. Quase ao mesmo tempo, uma gravação suspeita de um oficial da marinha iraniana alertando navios a não entrarem no estreito circulava freneticamente nos grupos de WhatsApp do setor energético.

Tanques de armazenamento quase cheios, países produtores forçados a parar a produção um a um

Os petroleiros não podem passar pelo estreito, mas as plataformas de petróleo não podem parar de repente. As consequências aparecem rapidamente: as instalações de armazenamento do Iraque encheram-se primeiro, sendo o segundo maior produtor da OPEP, forçado a cortar mais de dois terços da sua produção. o Kuwait seguiu-se, com os tanques terrestres também a atingir o limite.

No sábado, a ADNOC, companhia petrolífera de Abu Dhabi, sinalizou que está a reduzir a produção para evitar transbordamentos. O analista do JPMorgan, Natasha Kaneva, disse ao The Wall Street Journal:

“Nunca na história do estreito ele foi fechado. Para mim, isto não é só o pior cenário — é um cenário inimaginável.”

Kaneva estima que, se o estreito permanecer fechado até sexta-feira, a produção diária no Golfo Pérsico pode diminuir mais de 4 milhões de barris; se o bloqueio continuar até ao final de março, a redução pode chegar a cerca de 9 milhões de barris — quase 10% da procura mundial.

Alumínio e fertilizantes em crise total: “Maior interrupção de fornecimento da história”

O impacto vai muito além do petróleo. Grande parte dos fertilizantes também depende do transporte pelo Estreito de Hormuz, abastecendo a agricultura em todos os continentes. Os preços do alumínio dispararam para níveis máximos de anos, com várias refinarias no Médio Oriente a declarar força maior — mecanismo legal que isenta os fornecedores de entregas impossíveis. A Norsk Hydro, na Noruega, já reduziu a sua capacidade no Qatar e avisa que a recuperação total pode levar de seis a doze meses.

Historiador de energia Daniel Yergin, em reportagem do The Wall Street Journal, afirma:

“Estamos a testemunhar a maior interrupção na história do mundo, em termos de produção diária. Se durar várias semanas, terá efeitos duradouros na economia global.”

No domingo, o preço do petróleo nos EUA ultrapassou os 100 dólares por barril, pela primeira vez desde o início do conflito Rússia-Ucrânia. A maioria dos poucos navios que saem do estreito transporta petróleo iraniano. Os traders alertam que, se o estreito não reabrir em poucos dias — seja com a proteção da marinha americana ou por decisão dos armadores, que já consideram o risco menor — o mercado de petróleo pode subir ainda mais.

EUA têm margem de manobra, mas Europa e Ásia podem ser as primeiras a sofrer

O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou no programa Fox News: “O petróleo vai passar pelo Estreito de Hormuz em breve.” Ele atribuiu a subida dos preços ao “medo de uma crise prolongada e desconhecida — mas a realidade não será assim.”

Em comparação com os anos 1970, os EUA têm mais margem de manobra: a proporção de petróleo no PIB diminuiu bastante, e o país já é um dos maiores exportadores de energia. Contudo, a situação na Europa e na Ásia é completamente diferente. Décadas de esforços militares e alianças custaram bilhões de dólares para garantir a passagem, e o bloqueio atual está a afetar os preços da gasolina e do gasóleo, as taxas de juro hipotecárias e os custos de empréstimos dos governos.

Para Trump, esta crise energética ameaça a sua agenda económica. Mas, para as economias altamente dependentes do petróleo do Golfo Pérsico, pode ser apenas o começo de uma longa série de impactos.

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