X mais uma vez realizou uma reforma profunda em seu segmento de criptomoedas, promovendo mudanças abrangentes.
Para a maioria dos usuários, isso pode significar apenas menos respostas confusas em sua timeline ou quedas repentinas de preço em determinados tokens. Mas para os projetos InfoFi que dependem do X para manter suas operações, essa decisão é devastadora. Sem qualquer aviso, o X cortou abruptamente o acesso à API de vários projetos renomados de fluxo de informações Web3, como Kaito e Cookie. Isso ocorreu mesmo com esses projetos pagando milhões de dólares por ano ao X em taxas de API e sendo considerados entre os mais inovadores do ecossistema Twitter.
Para enxergar o quadro completo, observe a recente inclusão de etiquetas inteligentes para criptomoedas e tickers de ações no X. Surge então a dúvida: qual é o verdadeiro plano de Musk?
Talvez ele esteja preparando o terreno para pavimentar a pista dourada do seu Everything App.
Uma pessoa é peça-chave na reestruturação das criptomoedas no X.
Nikita Bier é uma figura reconhecida nos círculos de produto do Vale do Silício. Quem conhece sua trajetória sabe que essa não é uma movimentação impulsiva de um executivo conservador. Ao contrário, Bier é referência em crescimento viral. Ele fundou tbh e Gas—dois aplicativos sociais que se tornaram fenômenos entre adolescentes americanos, sendo o primeiro adquirido pelo Facebook e o segundo pelo Discord. Sua especialidade é potencializar a natureza humana para gerar tráfego em larga escala.
Como especialista em crescimento viral, Bier entende como ninguém quais tipos de tráfego são prejudiciais.
Ao assumir o cargo de líder de crescimento de produto no X, Bier rapidamente mirou nos projetos InfoFi. Apesar do aspecto vibrante, esses projetos eram baseados em uma lógica que divergia da do X: mineração de respostas.
Com Kaito ou Cookie, cada resposta ou curtida em um tweet gerava pontos de token do projeto para os usuários. Esse mecanismo externo de incentivo trouxe consequências graves: boa parte do conteúdo passou a ser gerado por IA, elogios vazios e spam repetitivo. Bier classificou isso como “AI swill”.
Assim, mesmo abrindo mão de milhões em receita anual de API, foi necessário interromper esses projetos. No anúncio, Bier foi direto: a decisão visava melhorar a experiência do usuário. Mas por trás dessa justificativa oficial há um conflito estratégico mais profundo—uma disputa pelo controle do valor da atenção.
Musk não é contra usuários lucrarem no X. Ele quer que você ganhe dinheiro—mas apenas seguindo suas regras.
O principal problema dos projetos InfoFi é que criaram um sistema de incentivos independente do X. Esse sistema dizia: “Se você gerar volume, será recompensado.” Isso conflita diretamente com o programa oficial de incentivos para criadores do X.
Então, como evoluiu o programa oficial de incentivos do X até 2026? Atualmente, o X não remunera apenas por impressões de anúncios, mas foca em métricas avançadas: engajamento de usuários Premium.
Ou seja, se mil bots ou contas falsas curtirem seu tweet, você pode não receber nada. Mas se um especialista verificado e respeitado compartilhar sua postagem, seus ganhos aumentam consideravelmente. O X também utiliza algoritmos para punir contas que participam de esquemas de engajamento mútuo.
A lógica de Musk é objetiva: ele quer que apenas as informações mais úteis, as notícias mais recentes e os comentários mais relevantes circulem no X.
Eliminar o InfoFi pode parecer uma ação antispam, mas, na prática, trata-se de retomar o controle dos incentivos. Musk quer que todos os criadores compreendam: para lucrar no X, o único caminho é produzir conteúdo de alta qualidade que realmente envolva usuários reais.
Só quando a seção de comentários deixar de ser um depósito de bots, novos usuários perceberão imediatamente o valor da plataforma. Eles encontrarão aqui as notícias mais relevantes, e não encenações voltadas para recompensas de airdrop.
Após remover as ervas daninhas do jardim, o caminho antes oculto aparece. Essa é a segunda etapa da transformação do X: permitir que a informação flua diretamente para o capital.
Ao descontinuar APIs de terceiros, o X anunciou oficialmente o lançamento das etiquetas inteligentes em fevereiro. Não se trata apenas de um hiperlink—é a integração nativa de dados financeiros.
Antes, um $Ticker em um tweet era apenas um símbolo estático, muitas vezes até vinculado ao ativo errado por conta de nomes semelhantes. No novo sistema, ao mencionar uma criptomoeda ou ação, o X identifica corretamente, exibe gráficos de preço em tempo real, notícias relevantes e, futuramente, opções de negociação direta.
Por que essa mudança? No mercado financeiro, o fluxo de capital é, no fundo, a monetização da informação.
Nos mercados financeiros—especialmente cripto—são as notícias que movimentam preços. Uma notícia sobre aprovação regulatória pode desencadear centenas de milhões em compras; um tweet sobre vulnerabilidade técnica pode gerar pânico e vendas. Antes, esse processo era fragmentado: você via a notícia no X, corria para Binance ou Coinbase para negociar, e um atraso de poucos segundos podia significar uma oportunidade perdida.
A visão de Musk é eliminar esse tempo de fricção.
Imagine o seguinte:
No X, você vê uma notícia importante validada pelo engajamento constante de usuários Premium—sem ser ofuscada por spam gerado por IA. Surge uma etiqueta inteligente nas palavras-chave relevantes. Você toca na etiqueta, visualiza dados de mercado sem sair do app e ainda realiza transações por meio de pagamentos integrados.
Esse é o futuro do X na visão de Musk—o protótipo do Everything App.
Muitos enxergam o super app como o modelo do WeChat—um app que agrega chat, transporte, delivery e várias outras funções. Mas, para Musk, o caminho do X rumo ao super app é mais parecido com uma fusão entre Bloomberg Terminal e uma grande praça pública.
No ocidente, nenhuma plataforma lidera como principal fonte de notícias globais de última hora como o X. Seja em eleições, eventos esportivos ou movimentações do mercado cripto, “as notícias acontecem no X” já é realidade.
Agora, Musk quer transformar “transações acontecem no X” em realidade.





