Como seria se eu fosse o fundador da Kaito?

2026-01-23 09:42:44
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Blockchain
O artigo aprofunda cinco possíveis caminhos de transição do ponto de vista do fundador: encerramento, plataformas de recompensas, blogs de marca no estilo coreano, expansão para múltiplas plataformas e gestão no modelo MCN. Além disso, ressalta duas contradições estruturais centrais ainda pendentes: a estrutura de incentivos e os desafios quanto ao valor dos tokens.

Principais destaques

  • A mudança de política da X derrubou o ecossistema InfoFi em apenas três dias, revelando os limites de depender de plataformas centralizadas.
  • Projetos InfoFi têm cinco caminhos: encerrar operações, migrar para uma plataforma de concessão baseada em recompensas, adotar o modelo de blogging patrocinado coreano, expandir para múltiplas plataformas ou implementar gestão de KOLs ao estilo MCN.
  • O InfoFi 2.0 deve evoluir para um modelo menor e mais controlado, priorizando colaboração entre KOLs e projetos validados, em vez de escala aberta e sem permissões.
  • Dois desafios centrais permanecem: criar um sistema de remuneração justo e fundamentar o valor do token.

1. O colapso do InfoFi em três dias


Fonte: X(@ nikitabier)

Em 15 de janeiro, Nikita Bier, líder de produto da X, publicou um post informando que aplicativos que oferecem recompensas por publicações não seriam mais permitidos na plataforma. Para os projetos InfoFi, isso representou o fim.

Segundo Yu Hu, fundador da Kaito, os fatos foram:

  • 13 de janeiro: Kaito recebeu um e-mail da X sobre possível revisão e pediu esclarecimentos imediatamente.
  • 14 de janeiro: X enviou notificação legal formal, e a Kaito respondeu no mesmo dia.
  • 15 de janeiro: O post de Nikita Bier foi publicado. A Kaito soube da decisão ao mesmo tempo que o público.

A reação do mercado foi dura.

O $KAITO despencou, e a comunidade criticou a equipe por não avisar antes, mesmo alegando estar preparada para o cenário. A Kaito divulgou comunicado de emergência à noite, explicando que já havia recebido notificações legais da X antes, resolvidas em novos acordos, e por isso aguardou novas negociações neste caso.

Independentemente das justificativas, uma decisão da X encerrou o ecossistema InfoFi. Em apenas três dias, toda uma categoria foi desfeita por uma escolha da empresa, que alegou prejuízo à qualidade da plataforma.

2. Se eu fosse fundador de InfoFi hoje

Isso significa o fim do InfoFi? Projetos como a Kaito já se preparam para o próximo passo. Porém, o que se exige agora não é repetir o modelo anterior, e sim uma nova versão: InfoFi 2.0.

Se eu fosse fundador de um projeto InfoFi como a Kaito, quais alternativas realmente existem hoje? Ao analisar os caminhos viáveis, é possível delinear o futuro do InfoFi.

2.1. Encerramento

É a opção mais direta: encerrar as operações antes que o caixa acabe. Na prática, muitos projetos pequenos e médios devem entrar em modo “zumbi”, quase inativos, com poucas postagens até desaparecerem.

Sem o encaixe produto-mercado via X, encerrar pode ser mais sensato do que queimar recursos buscando outro rumo. Se houver ativos de dados, podem ser vendidos para recuperar parte do valor investido. Por isso, a maioria dos InfoFi menores tende a seguir esse caminho.

2.2. Plataforma de concessão baseada em recompensas

Sem acesso à API da X, uma alternativa é voltar ao modelo anterior. Os KOLs se inscrevem diretamente nas campanhas, as submissões são revisadas manualmente e as recompensas são pagas após aprovação.


Fonte: Scribble

Scribble é exemplo desse formato. Projetos publicam concessões como recompensas, e KOLs produzem conteúdos para revisão antes de receberem os prêmios. É um modelo de submissão e análise, não de acompanhamento em tempo real.

Essa estrutura pode crescer como plataforma aberta. Ela oferece mediação e infraestrutura, enquanto cada projeto conduz suas campanhas. Com mais projetos, aumenta o grupo de KOLs e as opções.

O risco é a incerteza para os KOLs. Se o conteúdo for rejeitado, o tempo é perdido. Após repetidas negativas, muitos acabam deixando a plataforma.

2.3. Modelo de blogging patrocinado coreano


Fonte: Revu

O modelo coreano de blogging patrocinado segue a lógica “seleção antes, gestão depois”, não revisão pós-submissão. Agências como a Revu adotam esse formato há mais de dez anos.

O processo é simples. O projeto define o número de participantes e lança a campanha. Os candidatos aplicam, e o projeto seleciona KOLs com base em dados como seguidores e histórico. Os selecionados recebem diretrizes claras. Após publicar o conteúdo, um operador revisa. Se não atender aos padrões, exige revisão e aplica penalidades por atraso.

Nesse modelo, os KOLs evitam esforço perdido. Uma vez escolhidos, a remuneração é praticamente garantida, desde que sigam as regras. Diferente do sistema de recompensas, não há risco de rejeição após o trabalho. Para o projeto, o controle de qualidade é facilitado, já que só entram participantes validados.

2.4. Expansão para múltiplas plataformas

Com a X inviável, o próximo passo é migrar para YouTube, TikTok e Instagram. No Web3, já há forte movimento para ir além da X. O entendimento é que o crescimento real exige sair do ambiente cripto-nativo e buscar canais com público mais amplo.

A vantagem é acessar uma base de usuários muito maior que a da X. TikTok e Instagram são especialmente relevantes em mercados emergentes, como Sudeste Asiático e América Latina. Cada plataforma tem algoritmos próprios, permitindo continuidade mesmo se um canal for restringido.

O desafio é a complexidade operacional. Na X, bastava revisar textos. No YouTube, importa tempo e produção. No TikTok, os três primeiros segundos são decisivos. No Instagram, o formato e execução dos stories contam. Isso exige expertise específica ou novas ferramentas internas. Políticas de API e coleta de dados também variam. Na prática, é como recomeçar do zero.

O risco regulatório persiste. Plataformas podem mudar regras de forma abrupta, como fez a X. Mas, ao diversificar canais, diminui-se a dependência de uma só. Para projetos grandes, é o único caminho para escala significativa.

2.5. Gestão de KOL ao estilo MCN

No modelo MCN da Web2, o valor de marca do KOL é relevante. No Web3, é ainda mais importante. Narrativas movimentam capital, e líderes de opinião têm influência desproporcional. Um comentário pode alterar o preço de um token.

Projetos InfoFi bem-sucedidos já formaram grupos ativos e alinhados de KOLs. Eles cresceram com meses de participação. Em vez de buscar criadores do zero, os projetos podem manter esse grupo e migrar para gestão orientada por dados, diferente dos MCNs Web2, que dependem de descoberta constante.

O modelo MCN implica contratos formais, não participação voluntária. Com dados acumulados e relacionamentos, a plataforma exerce mais influência no ecossistema Web3 e negocia acordos melhores.

Para InfoFi, isso exige sistema de gestão robusto. Dados tornam-se o principal ativo. Se os KOLs forem orientados por dados e os projetos receberem estratégias GTM personalizadas, esse modelo pode garantir vantagem competitiva duradoura.

3. InfoFi 2.0

O colapso do InfoFi traz duas lições ao ecossistema Web3.

  • A ironia da descentralização: projetos Web3 dependiam da X, plataforma centralizada, e uma decisão bastou para derrubar o sistema.
  • Limites do design de incentivos: recompensas atraíram participantes, mas não havia controle de qualidade. O spam aumentou, dando à X justificativa para intervir.


Fonte: X(@ nikitabier)

Isso significa o fim do InfoFi?

Não totalmente. Poucos projetos com encaixe produto-mercado devem sobreviver ao mudar de formato. Podem migrar para expansão multiplataforma, campanhas curadas ou gestão MCN.

O InfoFi 2.0 tende a ser menor, mais controlado e focado em qualidade. Vai migrar de plataforma aberta e sem permissões para rede validada, próxima de plataforma integrada de marketing, combinando estratégias GTM locais e publicidade offline.

Mas os problemas centrais persistem.

Joel Mun, da Tiger Research House, observa que, ao introduzir recompensas, participantes buscam formas de explorar o sistema, dificultando estruturas justas. Isso gera conteúdo de baixa qualidade e um ciclo negativo, prejudicando a plataforma—um desafio crítico para InfoFi.

David levanta questão fundamental: o valor dos tokens InfoFi dependia menos do desempenho da plataforma e mais dos airdrops de staking e da crença na narrativa. Ambos perderam relevância. Surge a dúvida: por que investir em tokens InfoFi?

Para InfoFi 2.0 sobreviver, é preciso responder claramente a essas questões. Um projeto não se mantém sustentável se estiver desconectado dos detentores de tokens.

Isenção de responsabilidade:

  1. Este artigo é reproduzido de [Tiger Research Reports]. Todos os direitos autorais pertencem ao autor original [Ryan Yoon]. Caso haja objeção à reprodução, entre em contato com a equipe do Gate Learn, que tomará as providências necessárias.
  2. Isenção de responsabilidade: As opiniões expressas neste artigo são do autor e não constituem recomendação de investimento.
  3. Traduções do artigo para outros idiomas são realizadas pela equipe Gate Learn. Exceto quando mencionado, é proibido copiar, distribuir ou plagiar os artigos traduzidos.

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