Não, Virginia, a estratégia não prevê a venda de seu Bitcoin

2025-12-08 04:36:37
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Bitcoin
O artigo examina a possibilidade de exclusão pela MSCI, a pressão máxima de venda passiva de US$2,8 bilhões, a inexistência de vencimentos de dívidas até 2027 e o caixa disponível de US$1,4 bilhão, refutando os rumores alarmistas de que a MSTR seria forçada a liquidar seus Bitcoins. Além disso, traz dados quantitativos que comprovam que o efeito no preço das ações já está refletido no mercado.

Há muitos motivos para se preocupar no universo cripto. Michael Saylor e a Strategy vendendo bitcoin não estão entre eles.

Recebo inúmeros questionamentos sobre a Strategy (MSTR, antes MicroStrategy), empresa de tesouraria de bitcoin. As dúvidas mais frequentes são:

  1. A empresa será excluída dos índices MSCI, forçando a venda das ações?
  2. Ela será obrigada a vender seus bitcoins?

Vamos analisar cada ponto.

MSCI e Strategy

Em 10 de outubro, o MSCI comunicou que avalia retirar empresas de tesouraria de ativos digitais (DATs), como a Strategy, de seus índices investíveis. Isso é relevante, pois cerca de US$17 trilhões seguem esses índices. Segundo o JPMorgan, fundos de índice podem precisar vender até US$2,8 bilhões em ações da MSTR se ela for removida dos benchmarks.

Por que o MSCI cogita essa exclusão? Para o MSCI, DATs como a MSTR se assemelham mais a holdings do que a empresas operacionais. Os índices investíveis do MSCI já excluem holdings, como REITs. Muitas DATs apenas compram e mantêm criptoativos, e o MSCI entende que isso não justifica sua presença no índice. Após consultar clientes, o MSCI divulgará sua decisão em 15 de janeiro.

Não há como prever o resultado. Como especialista em índices—editei o The Journal of Indexes por uma década—vejo argumentos para ambos os lados. Michael Saylor e outros defendem com vigor que a MSTR é uma empresa operacional, com um negócio de software sólido e engenharia financeira sofisticada em bitcoin. Concordo com essa visão, mas não é consenso, e instituições podem optar pelo oposto. Considerando a polêmica sobre DATs e a inclinação atual do MSCI para excluir essas empresas, estimo ao menos 75% de chance de a Strategy ser retirada.

Mesmo assim, não acredito que a exclusão cause grande impacto nas ações. US$2,8 bilhões representam vendas expressivas, mas minha experiência acompanhando inclusões e exclusões de índices mostra que, na prática, o efeito é menor do que se imagina e já é antecipado pelo mercado. Por exemplo, quando a MSTR entrou no Nasdaq-100 em dezembro, fundos do índice precisaram comprar US$2,1 bilhões em ações, e o preço praticamente não variou.

Parte da queda da MSTR desde 10 de outubro, na minha visão, já reflete a expectativa de exclusão. Neste momento, não vejo grandes oscilações para qualquer lado.

No longo prazo, o valor da MSTR depende da execução de sua estratégia, não da presença forçada em fundos de índice.

MSTR e Bitcoin

A outra dúvida é se a MSTR pode vender seus bitcoins. O receio é que:

  1. A MSTR seja excluída dos índices MSCI;
  2. O preço das ações desabe, ficando abaixo do NAV;
  3. A empresa seja forçada a vender seus bitcoins.

Parece lógico, mas, para os pessimistas, esse argumento está equivocado. Não existe nada que obrigue a MSTR a vender seus bitcoins se as ações caírem abaixo do NAV. Os dados confirmam isso.

A MSTR possui duas obrigações relevantes de dívida: pagar cerca de US$800 milhões ao ano em juros e rolar ou converter determinados títulos conforme vencem.

Os juros não são preocupação imediata. A empresa tem US$1,4 bilhão em caixa, suficiente para cobrir pagamentos por um ano e meio.

A rolagem da dívida também não é questão de curto prazo. O primeiro vencimento ocorre apenas em fevereiro de 2027, e envolve cerca de US$1 bilhão—valor pequeno diante dos US$60 bilhões em bitcoin que a empresa possui.

Seria possível que os controladores pressionassem pela venda de bitcoin se as ações continuassem em queda? Pouco provável. Michael Saylor controla 42% dos votos e é difícil encontrar alguém com mais convicção sobre o potencial de longo prazo do bitcoin. Ele não vendeu nem mesmo quando as ações da MSTR estavam descontadas em 2022.

Compreendo o apelo do “doom loop” da MSTR para os pessimistas. Seria realmente negativo para o mercado se a empresa tivesse que liquidar US$60 bilhões em bitcoin de uma só vez—equivalente a dois anos de entradas em ETFs de bitcoin. Mas, sem dívida vencendo até 2027 e caixa para arcar com os juros no futuro próximo, não vejo isso acontecendo. Vale também observar o contexto: Hoje, o preço do bitcoin, em torno de US$92.000, está 27% abaixo do topo histórico—e 24% acima do preço médio de aquisição da Strategy (US$74.436). Nada de apocalipse.

Conclusão

Se você busca motivos de preocupação no mercado cripto, há questões relevantes. Por exemplo, o lento avanço da legislação sobre estrutura de mercado no Congresso me preocupa, embora acredite em maior agilidade agora que o governo voltou a funcionar. Também vejo risco em DATs pequenas e mal geridas, que podem fechar. E não espero que DATs sejam grandes compradoras de bitcoin em 2026, o que reduziria uma fonte importante de demanda recente.

No caso da Strategy:

  1. Não me preocuparia com o efeito da decisão do MSCI no preço das ações, que tende a ser menor do que se imagina e já está antecipado pelo mercado; e
  2. Não há nenhum mecanismo plausível de curto prazo que obrigue a venda de bitcoins. Isso não vai acontecer.

Ter convicção no bitcoin exige paciência diante da volatilidade. Saylor e a Strategy sabem bem disso. E entendem também o outro lado—como, ao longo do tempo, essa paciência pode ser recompensada.

Riscos e Informações Importantes

Sem recomendação de investimento; risco de perda: Antes de investir, cada investidor deve realizar sua própria análise e investigação independente, considerando os potenciais ganhos e riscos, e fundamentar sua decisão—including a adequação do investimento—nessa análise.

Criptoativos são representações digitais de valor que funcionam como meio de troca, unidade de conta ou reserva de valor, mas não têm status de moeda oficial. Podem ser negociados por dólares americanos ou outras moedas globalmente, mas não contam com respaldo de governos ou bancos centrais. Seu valor é determinado integralmente pelas forças de oferta e demanda, e são mais voláteis que moedas tradicionais, ações ou títulos.

Negociar criptoativos envolve riscos elevados, como oscilações bruscas de preço, quedas repentinas, manipulação de mercado, riscos de cibersegurança e possibilidade de perda parcial ou total do capital investido. Além disso, os mercados e exchanges de criptoativos não possuem os mesmos controles ou proteções oferecidos em investimentos em ações, opções, futuros ou câmbio.

Negociar criptoativos exige domínio do funcionamento desses mercados. Quem busca lucro com essas operações compete globalmente. É fundamental ter conhecimento e experiência antes de operar volumes relevantes. A negociação pode acarretar perdas financeiras grandes e imediatas. Em certas condições de mercado, pode ser difícil ou impossível liquidar posições rapidamente a preços razoáveis.

As opiniões expressas refletem a avaliação do cenário de mercado em momento específico, não constituem previsão ou garantia de resultados futuros e estão sujeitas a revisão, complementação e alteração. As informações aqui não se destinam a fornecer, nem devem ser usadas como base para, aconselhamento contábil, jurídico, fiscal ou recomendações de investimento. Consulte seus assessores contábil, jurídico, fiscal ou outros sobre os temas tratados.

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