Raramente uma empresa conquistou um salto tão impressionante quanto a MicroStrategy (agora Strategy), que deixou de ser uma fornecedora tradicional de software para se tornar um dos maiores repositórios de ativos em Bitcoin do mundo. Sob o comando visionário do fundador Michael Saylor, a companhia fez do Bitcoin não apenas um instrumento de proteção contra inflação, mas o centro de seu modelo de negócios.
Em janeiro, a Strategy ampliou novamente sua liderança ao adquirir mais Bitcoin. Atualmente, as reservas de Bitcoin da Strategy já ultrapassam 687.000 BTC. Isso faz da empresa não só a maior detentora de Bitcoin entre empresas de capital aberto, como também consolida sua posição dominante no universo dos criptoativos.
Este artigo traz uma análise detalhada das reservas atuais de Bitcoin da Strategy e mostra como a empresa utilizou financiamentos para alcançar esse patamar. Também comparamos as reservas de Bitcoin de outros grandes players do setor — como Tesla, Metaplanet e MARA — e apresentamos uma análise aprofundada de como o “modelo de tesouraria Bitcoin” está transformando os mercados financeiros globais.
Fundada em 1989 por Michael Saylor e Sanju Bansal, ambos formados pelo MIT, a Strategy nasceu como fornecedora de software de business intelligence (BI) e análise de dados. Apesar de apresentar fluxos de caixa estáveis e forte base tecnológica, o preço das ações permaneceu estagnado antes de 2020, e as reservas em caixa perderam valor com a desvalorização das moedas fiduciárias.
Em 11 de agosto de 2020, a Strategy anunciou a compra de 21.454 BTC por US$ 250 milhões — uma decisão que surpreendeu Wall Street e marcou o início de sua estratégia agressiva de acumulação de Bitcoin.
Desde então, Michael Saylor tornou-se o principal porta-voz do Bitcoin. Ele defende que existe um consenso crescente sobre o Bitcoin como ouro digital. Em entrevista recente à CNBC, Saylor revelou que, nos últimos seis meses, cerca de metade dos grandes bancos dos Estados Unidos passou a oferecer crédito garantido por Bitcoin. Instituições como Charles Schwab e Citigroup pretendem lançar serviços de custódia e crédito relacionados já no primeiro semestre de 2026. Esse avanço do setor bancário em custódia, negociação e crédito tende a consolidar o Bitcoin como uma nova classe de ativos.
Se 2020 foi o “ano de teste” da Strategy, a expansão acelerada dos últimos dois anos marcou sua virada para uma potência financeira centrada no Bitcoin. Por meio de estratégias ousadas de financiamento, a Strategy consolidou sua liderança como maior detentora de Bitcoin entre empresas de capital aberto.
Em 12 de janeiro de 2026, as reservas de Bitcoin da Strategy chegaram a impressionantes 687.410 BTC — ultrapassando com folga os ETFs spot geridos por instituições como a BlackRock. Entre as empresas de capital aberto, suas reservas são mais de dez vezes superiores às da segunda colocada, MARA Holding.

Fonte dos dados: site oficial do Bitcoin Treasuries
Embora a Strategy seja líder absoluta, ela não está sozinha. De acordo com os dados mais recentes do BitcoinTreasuries.net, em janeiro de 2026, mais de 260 empresas de capital aberto no mundo já incluíram Bitcoin em seus balanços. Juntas, acumulam mais de 1,2 milhão de BTC, o que representa cerca de 5,7% de todo o Bitcoin em circulação.
O boom dos criptoativos em 2025 impulsionou muitas empresas de capital aberto a seguir o exemplo da Strategy. A Metaplanet, por exemplo — conhecida como a “MicroStrategy asiática” — replicou o sucesso da MSTR, com sua cotação acompanhando de perto o desempenho do BTC.
A seguir, confira a lista das principais empresas de capital aberto por reservas de Bitcoin em janeiro de 2026:

Fonte da imagem: site oficial do Bitcoin Treasuries
Os dados comprovam a liderança de Strategy em escala e participação de mercado:
Uma análise detalhada da trajetória da Strategy mostra que a empresa deixou de ser apenas uma fornecedora de software e se tornou um laboratório de inovação financeira movido a Bitcoin. No entanto, retornos elevados vêm acompanhados de riscos igualmente altos, e o futuro da Strategy segue desafiador.
Um indicador-chave para avaliar o valor do investimento na Strategy é o mNAV (relação entre valor de mercado da empresa e valor das reservas). Em 15 de janeiro de 2026, o mNAV da Strategy caiu para 1,08. Isso revela que o apetite do mercado por pagar prêmios por empresas que detêm Bitcoin está em baixa. Em comparação com os altos prêmios de 2024–2025, o cenário atual é mais cauteloso, com investidores menos dispostos a pagar taxas de gestão elevadas ou prêmios de alavancagem para reservas corporativas de Bitcoin.
A Strategy também enfrentou o risco de ser excluída dos principais mercados de capitais. Em outubro do ano passado, o provedor global de índices de ações e ETFs MSCI sugeriu remover a Strategy de seus índices de referência, alegando que sua estrutura de ativos se assemelhava mais a um “fundo de investimento” do que a uma “empresa operacional”. Analistas do JPMorgan alertaram que a exclusão dos índices MSCI e Nasdaq 100 poderia provocar bilhões de dólares em saídas passivas e pressionar fortemente a cotação das ações.
A boa notícia é que, em 6 de janeiro de 2026, a MSCI anunciou que não removeria a Strategy do índice de empresas de tesouraria em Bitcoin, pelo menos por enquanto. Com isso, a Strategy mantém seu espaço nos principais portfólios globais, garantindo um importante amortecedor estratégico.
A transformação da Strategy é polêmica e visionária. Apesar de desafios como pressão por avaliação e escrutínio regulatório, enquanto o modelo exclusivo de “tesouraria Bitcoin” continuar gerando retornos acima da média, a empresa seguirá como referência para investidores, sendo a companhia de capital aberto com alocação estratégica em Bitcoin.





